Tito Oliveira

Para mim a escrita é o elo que liga a fala aos mais remotos e atentos olhares, ou ouvidos. É como superar a necessidade de ser escutado imediatamente. Não sou um escritor, escrevo porque sou artista, escrevo porque penso, porque sinto, porque desejo. Porque enquanto aprendia a escutar o mundo, aprendi, com isto, também a me escutar.

Esperar até a melhor resposta é sabido, confundir educação com ingenuidade não é esperto

Lula para mim, até então, com tudo de sinuoso, relevante e elementar que o envolve, não deixa de ser um grande nome da história política nacional. E o Brasil, enquanto nação, ainda não passou de um antro ignóbil


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Dizia Schopenhauer que o fruto mais saboroso de uma árvore é aquele que amadurece lentamente.

Então para que a pressa?!

Sobre o momento crítico da política brasileira, tenho a dizer que o fato é que não existem provas suficientes para incriminar Lula, ou prova alguma de crimes cometidos por Dilma, tão pouco motivos que justifiquem seu Impeachment. Há apenas especulações.

Meritocracia e julgamentos mesquinhos a parte, já que poderia muito bem apontar benefícios nunca antes tão abrangentes no corpo das gestões presidenciais que antecederam o lulismo; sem me abster do nobre reconhecimento perante os tropeços de um partido que não deixara de ser também culturalmente corrupto, a situação do Brasil até meados dos anos 90 era muito pior do que foi até a segunda metade de 2000, onde o país inclusive ganhou maior respeito perante as lideranças políticas internacionais e impulsionou a economia como nunca antes visto nesta república obtusa, entre outras coisas que já estamos cansados de saber.

Quem atribui a decadência econômica do país unicamente ao PT "esquece" que sua aliança política se deu num dos piores partidos do Brasil, se não o pior, que é o PMDB. Partido sem o histórico de ter um canditado sequer eleito à presidência por meio do voto popular, democrático. Foi assim com Sarney, com Itamar Franco e agora com Temer.

O Partido do Movimento "Democrático" Brasileiro é também um dos algozes da quase póstuma democracia brasileira e despreza as consequências de sua aparente contradição. Este grupo especialista em puxar o tapete de outrem uniu-se, naturalmente, com os demais recalcados e também corruptos PSDB, DEM, um jornalismo tendencioso; além do governo norte-americano que lidera esse neoliberalismo mal intencionado, e decidiram não permitir que o PT, partido de centro-esquerda, escrevesse seu nome no pedestal da melhor administração de uma nação que tem a 8º economia do mundo. O que seria demasiado subversivo para os lideres das políticas mais liberais do Globo Terrestre, pois uma nova União Soviética ressurgiria no calor do pulmão deste planeta azul.

Contudo fizeram acreditar, ou acredita quem quer, que todo esse rombo nos cofres públicos se deu em apenas 5 (como ouvi recetemente) ou 10 anos, tendo este a idade de mais de 50 anos, isso quer dizer metade de um século, inclusive o rombo da Petrobrás. A história e a sociologia estão ai para certificarem tais dados, portanto não negligencie isso.

Outra observação é o fato da Operação Lava Jato ter sido idealizada no Governo PT, que embora tenha protagonizado um dos maiores casos de desvio de dinheiro público da história da política brasileira (não sozinho, ressalto), com o Mensalão, tem também em meio a esta história o mérito de ser o governo que mais expôs e puniu corruptos, sobretudo de seu próprio partido.

Não foi à toa que a repulsa perante este Governo deu-se tão acintosa por parte de quem sempre teve o rabo preso neste contexto político partidário mal cheiroso. Estremecendo, em suma, o poder judiciário, que demonstrou ser imoral e de vigor eufêmico.

Lula para mim, até então, com tudo de sinuoso, relevante e elementar que o envolve, não deixa de ser um grande nome da história política nacional. E o Brasil, enquanto nação, ainda não passou de um antro ignóbil.

Foto por Tito Oliveira


Tito Oliveira

Para mim a escrita é o elo que liga a fala aos mais remotos e atentos olhares, ou ouvidos. É como superar a necessidade de ser escutado imediatamente. Não sou um escritor, escrevo porque sou artista, escrevo porque penso, porque sinto, porque desejo. Porque enquanto aprendia a escutar o mundo, aprendi, com isto, também a me escutar. .
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