promiscua eloquência.

Discursos, ensaios, cantos e prantos.

Felipe Aiello

Aspirante a escrita e filosofia; esbarrei no mundo das ideias e seus contribuintes, que pessoalmente tiveram impacto imensurável em minha vida. Me sinto angustiado a retribuir o favor desde então.

Respeite o ócio artístico

Em defesa dos que criam para seu viver, e para o deleite ao seu redor. Faz da tua arte, a bagunça mesclada pela preguiça empregada onde quer que seja.


bf877e329f2d5435ef5b5f1366742d48.jpg Davima.

Me pergunto se afinal, haveria alguém de ser artista a todo o momento. Interpretar o mundo é exaustivo, leva tempo. O artista sonha, observa e aprende. Dessa mistura se da o canto, a pintura e a extravagancia.

Há tempos o mecenato se enfurecia com os artistas ociosos. Leonardo é um bom exemplo, chegou a ser perseguido por um capataz, que foi pago para espionar o porquê de o coitado demorar tanto no termino de suas obras. Bons mecenas foram os Médici; Lorenzo de Médici percebera que o ócio era crucial para o artista, varias vezes se deparava com eles em seu “nada” diário. Por que impor? Lorenzo resolve respeita-los, ostentar assistência e paciência, viu que assim, bons eram os trabalhos, o artista menos pressionado melhor progredia. Devemo-lo pelo cinquecento.

quentinmassys_themoneylenderandhiswife-detail.jpg The moneylender and his wife by Quentin Metsys.

Não só de tempo que se da à obra, precisa-se do método. E de método todo artista tem o seu, mas há de criar novos, novas crias formam novos gostos e reflexões. Alguns utilizam do moreno café. Eis também aqueles tradicionais, que esperam o baixar insano em mente. O problema é que não se sabe quando virá realmente. Alguns sedentos por vivencia invocam a eloquência dos ramos ilícitos, belíssimas são tais artes, não menos importantes, porem mais propício a dores. O elo dor e ócio, por vezes espalhou favores. O artista retém amarguras demais! Não acrescente pressiona-lo, Sentir o mundo era dom digno dos deuses!

Homero invocara a musa Calíope na realização de sua obra, quem garante quantos dias esse homem se pôs a deitar na grama, ficando a mercê da mesma. Deixem fazer suas viagens, pois hão de trazer regalias e confeitos, quando chegar a hora. Eloquentes eram aqueles que observavam o passar e ir das musas, arte provinda da carência e do desejo. Ociosos no olhar jamais eram tais artistas, a visão não cessa, a menos que a desejas por assim fazer.

Engana-se aquele que na arte somente pensa estar contido o ócio, da filosofia ás ciências, muitos do ócio se deixaram e deixarão brindar. Archimedes mesmo, delirante correu aos gritos, perante o esparramar da agua, que concebeu o lugar para ele. Muitos gritaram suas ideias, e em contra partida perderam suas vidas. Descansam eternamente, para que o que gritaram fosse passado por toda a gente.

o-ARCHIMEDES-570.jpg Archimedes.

Se de fato eres artista, camarada, promove a tua, investe a empresa que lhe compensa. Certa vez, fui parado por um desses. Perguntou se me interessava por sua arte em folhas de coqueiro, disse-lhe que não tinha como transportar a obra, pois estava a pé. Questionou-me se não poderia ajudar o artista. Me deparei com o sentimento deste homem, de realizar sua arte, modificando as folhas em um dobrar delicado e perecível, além de ter que lidar com as suas necessidades corpóreas. Disse-lhe que me ganhara com o “ajudar o artista” concedi uns trocados a ele. Afinal para um ser se referir “artista” a si mesmo, detém demasiado orgulho, tal orgulho me parece um dos mais belos, geralmente aquele que cria tem receio do que faz. Assim o ser deve interseccionar tais sentimentos até um viés seguro para sua existência. Se ei algum dia mudar tal pensamento, assim mesmo não me arrependerei.

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O artista assim como aquela que é mãe, detém a cria do mundo por certo tempo. Pois teme o quanto poderão julga-lo e transforma-lo. Quando finalmente o solta, quem sabe ele conquiste seu redor, ou seja, chutado por ele. Não deixará de vê-lo belo, talvez se zangue, mas seu maior ódio será perante o desagradecimento do mundo.

Por isso, lembrem-se povos da alta burguesa! Que ostentam as artes dos outros, em prol de sua riqueza. Ou tu patrão, que na tabua do artista deposita a sobremesa. Deixe-os criar, palpitar e provar, até que então terão de vomitar, o que quer que tenham percebido.


Felipe Aiello

Aspirante a escrita e filosofia; esbarrei no mundo das ideias e seus contribuintes, que pessoalmente tiveram impacto imensurável em minha vida. Me sinto angustiado a retribuir o favor desde então. .
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