promiscua eloquência.

Discursos, ensaios, cantos e prantos.

Felipe Aiello

Aspirante a escrita e filosofia; esbarrei no mundo das ideias e seus contribuintes, que pessoalmente tiveram impacto imensurável em minha vida. Me sinto angustiado a retribuir o favor desde então.

Todo ser humano é grande – Os refugiados e a adequação do capital

Quantos haverão de amanhecer despidos de vida numa praia, tirados do seio de sua terra; alvejados em suas tribos para, finalmente, decidirmos que muitos se foram por motivos circunstanciais - sejam os desprovidos de roupas ou, até mesmo, aqueles cujo corpo preferem esconder.


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Já fazia tempo que o mundo não via imagens tão fortes, gostaria de crer cegamente nessa afirmação, pois não é possível pensar que o mundo vai bem. Situações horríveis estão sempre a acontecer. Vítima dessas situações foi Aylan Kurdi, “O garoto sírio” cuja existência jogada sobre este mundo foi chutada pelo mesmo, enquanto sob o privilegio dos edifícios, diplomatas e letrados discutem a “possível” concessão de auxílio aos imigrantes. Não se trata do caminho para o céu, muito menos a incessante espera no purgatório; simplesmente buscam por uma vida digna.

Foi-se o tempo de repressões, antipatias e demais colisões, “afinal estamos no século 21”, afirmam todos, enquanto vemos atitudes de séculos passados. Vemos o derramamento de sangue entre facções inimigas na África, vê-se a repressão de índios de nosso pais; relações de poder que comprometem povos pobres e frágeis.

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O filósofo esloveno Slavoj Zizek, em um último artigo, escreve: “A humanidade deveria viver de forma mais “plástica” de modo que, neste momento, passaremos por mudanças climáticas continuas. Gerando secas e grandes correntes de imigração pelo mundo. Essa é uma fase do sistema em que deveremos passar mais unidos do que nunca, talvez sendo mais que uma crise global; tempos em que o capital se adequa ao modo de ser Humano."

Já se podia prever que, um dia, após a separação de nossa espécie nos continentes, estaríamos fadados a intercomunicação entre estas terras; e agora em um estágio mais avançado, pós saturação do planeta com nossas tralhas, teremos que cumprir com os fardos coloniais do passado e presente. “Grandes imigrações são nosso futuro” diz Zizek, e com elas o agravamento da xenofobia – o medo de perder o macarrão de domingo.

Do que importa a cultura, ou um bendito modo de comer e se vestir, se do outro lado do muro se vê a fome e a dor? Devemos nos preocupar mais com o auxílio às pessoas em condições desumanas, e menos com a mera sobrevivência de uma cultura local efêmera.

O edifício é solido e o mundo também mas, Drummond, não quero ver o mundo do mesmo cimento armado.


Felipe Aiello

Aspirante a escrita e filosofia; esbarrei no mundo das ideias e seus contribuintes, que pessoalmente tiveram impacto imensurável em minha vida. Me sinto angustiado a retribuir o favor desde então. .
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