promiscua eloquência.

Discursos, ensaios, cantos e prantos.

Felipe Aiello

Aspirante a escrita e filosofia; esbarrei no mundo das ideias e seus contribuintes, que pessoalmente tiveram impacto imensurável em minha vida. Me sinto angustiado a retribuir o favor desde então.

Escolha bem seus humoristas

Atualmente, um perfil muito peculiar de humorista tem tomado as mídias e palcos. Explorando o riso em qualquer área possível, constituído de um caráter parasitoide, dilacerando preceitos morais e éticos, enquanto se nutre com as gargalhadas de seu publico.


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O ato de convencer ao longo dos tempos se mostrou singular, ainda mais atualmente, onde se observa o prevalecimento da incerteza e do senso comum, em meio à enchente informativa diária. Possuir a capacidade de articular ideias não é o suficiente, quando colocado à prova pelo publico, surgem os eloquentes com discursos sofisticados; evoluindo sua retorica com o único dever de consolidar algo abstrato na mente da maior quantidade de indivíduos possível. Fazendo da imitação a ferramenta chave no processo de persuasão, problematizando e carregando determinados atos com qualquer potencia a gosto do interlocutor, a ironia. Ela é a forma de coesão de ideias, o modo de transferir de sua mente conceitos fluidos, através da simulação, coisa que os humoristas sabem sem conhecer sua verdadeira potencia; tornando possível a união entre emoção e razão. Enquanto sorriem, as pessoas simpatizam com o locutor, o riso é uma concessão do individuo. Assim como amantes, demonstrando, através do seu sorriso o interesse um pelo outro.

Entregam seus lábios ao deleite de qualquer piada, por pior que ela seja. Não há como pensar em suas consequências a posteriori, o humorista sempre se consolidou sobre o povo, saturando piadas de condições populares, sejam elas negativas ou não. E o que talvez seja mais interessante: o aparecimento de humoristas que possuem uma devoção para com o Coringa; desejando ver o mundo cair de risos por suas frases feitas. Para eles tudo pode ser transformado em comedia, pensando serem brilhantes por fazê-lo.

Não se trata de uma brincadeirinha qualquer, e sim de uma ironia destrutiva, de um humor que coroe princípios até o abismo sem sentido. Danilo Gentili é um bom exemplo disso, o mesmo se viu quando um suposto “africano” foi “interpretado” no Pânico na tv. Engraçado é que essa ironia não se demonstra autodestrutiva aos que a fazem. Pois não aplicam essa problematização em seus próprios costumes. Com receio de se desprender de seus paradigmas.

O humor é uma ferramenta de quebra de paradigmas, e não do colapso da ética. A ironia não só é perigosa por se espalhar rapidamente através do povo, ela também o caracteriza; os faz vestirem sua camisa, lutarem por sua causa, aquele que concebe seu sorriso ao interlocutor se identifica, se orgulha por ter sua ideia representada, ou por achar a si mesmo esperto por se fazer por rir.

Se podemos tirar algo disso tudo é que sempre existe alguém a margem do riso. O mau uso do humor gerou preconceitos, aversões e ferimentos; realocando suas vitimas á sarjeta da sociedade. Humoristas como estes são vampiros. Não estão para os fins da sociedade, e sim para a promoção de sua imagem. Pois então sociedade, faço das minhas palavras as de Kierkegaard: “O humorista, tal como a fera, anda sempre sozinho”.


Felipe Aiello

Aspirante a escrita e filosofia; esbarrei no mundo das ideias e seus contribuintes, que pessoalmente tiveram impacto imensurável em minha vida. Me sinto angustiado a retribuir o favor desde então. .
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