Graci Marques

Jornalista, cinéfila, melhor amiga da alegria, ama carnaval, dias de sol e andar de bicicleta pelas manhãs. Escreve sobre cinema, música, poesia, pessoas interessantes e inquietas. Acompanhe mais textos no blog pessoal: https://35anosblog.wordpress.com

7 artistas brasileiros que você precisa colocar na sua playlist

A música brasileira nunca esteve tão bem. Com a chegada da internet, canções do mundo inteiro estão à apenas um click de nossos ouvidos. Na era do free download, fervilham genuínas pérolas da produção tupiniquim. Fiz uma seleção de sete artistas que valem a pena entrar na sua playlist. São bandas e cantores que têm o trabalho autoral como marca e representam o melhor na produção atual da música brasileira.


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Eu cresci em um mundo onde música nova era apresentada no Fantástico, clipe novo tinha estreia marcada na MTv e para ter o novo sucesso da banda favorita - sem comprar o CD caríssimo recém lançado nas Lojas Americanas - o jeito era recorrer ao botão do “REC” no microsystem e gravar o hit em fitas K-7. A internet chegou, com enxurradas de MP3s e streamings, quebrou a antiga hegemonia das grandes gravadoras, venceu o famoso “jabá” e aproximou artistas do público. Com o Youtube, Soundcloud, Rdio, iTunes, Deezer, Spotify e tantos outros canais, as discografias estão à apenas um click de nossas mãos (ou ouvidos?). E no lugar das “majors”, vieram as pequenas gravadoras e selos independentes. Bandas e cantores disponibilizam seus álbuns na rede mundial. Sai de cena a pirataria e entra a era do free download. E com ele, artistas do mundo inteiro começaram a figurar meu player.

Mas nada se compara a presença do Brasil. E afirmo que – definitivamente – a música brasileira nunca esteve tão bem. Fervilham novas bandas, novas promessas da nossa terra e a genuínas pérolas da produção tupiniquim. E eis aqui artistas que figuram no meu player e que você deveria dar uma chance e inserir na sua playlist. É uma seleção pessoal, sem critérios bem definidos: apenas as mais tocadas das últimas semanas e as preferidas de 2015. A grande parte oferece download gratuito. Você provavelmente nunca ouviu a voz de alguns deles na rádio. Eles não figuram as listas dos mais vendidos no iTunes e muito menos dos hits da semana. São 100% brasileiros - alguns desconhecidos, outros já badalados e bem experientes. Eles têm tudo para conquistar seus ouvidos. São a representação da mais nova produção de música no Brasil: produção independente, autoral.

Ouça aqui a minha Playlist completa no Spotify!

Dônica

Esse quinteto carioca já tem contrato com a Sony, mas não perde a agitação da juventude descobrindo novos caminhos na música. São jovens, têm influência clara do rock progressivo do Yes, Pink Floyd e Supertramp e fazem referência a Clube da Esquina, Mutantes e Caetano. Macaco no Caiaque é um hit que vai ganhar seu coração, mas Pintor (com participação de ninguém menos que Milton Nascimento) é canção de uma sutileza tamanha que impressiona que eles tenham menos de 20 anos. Bicho Burro é deliciosa de ouvir e define essa banda de som progressivo bem anos 70. São tão bons que nem é preciso saber que Tom Veloso – um dos compositores – é filho de Caetano.

Gustavito

Parece banda, quando o projeto acabou nomeado como Gustavito & a Bicicleta. Mas esse mineiro faz um disco que pode virar trilha de carnaval ou férias de verão. Solar, cheio de nuances de música de bloco com toques do Oriente. É assim Quilombo Oriental, segundo trabalho solo. É a “Flor de lótus com tambor”, explica um dos versos mais lindos de Aflorou, hino do Bloco Pena de Pavão de Krishna, que se destaca nas ruas de Belo Horizonte durante a folia. É som pra alegrar a vida, iluminar o dia e esquentar a alma. A música que dá nome ao álbum é audição obrigatória: parece bloco de carnaval de Olinda, descendo as ladeiras de Minas Gerais, com um som que lembra loja de artigos indianos.

Tulipa Ruiz

Se você é do time que se surpreendeu com a voz dessa nova musa sendo indicada como revelação do ano na música brasileira, ainda dá tempo de conhecer a voz aguda e o swing da paulista. Além de representar o Brasil na indicação geral de revelação, Tulipa levou o gramofone de melhor disco pop contemporâneo por Dancê. Esse é o terceiro trabalho da moça de voz forte, afinada e aguda. É cheio de hits para dançar, com uma malemolência própria, que firma a compositora como uma voz da nova safra da MPB. A artista estourou em 2010, com Efêmera. E em 2012 lançou Tudo Tanto. Sou fã de Tulipa desde seu primeiro disco e ela não sai da minha playlist. Confira Prumo e Físico e confirme como esse swing gruda nos ouvidos. São músicas para dia de sol, viagens e para amenizar a loucura do trânsito do dia a dia.

Boogarins

Banda goiana que tem um som bem psicodélico. O quarteto tem como marca as guitarras distorcidas e arranjos enfeitados. Um som bem lisérgico, eu diria. Um rock underground com muita psicodelia. Os shows são mais fantásticos ainda, já que o som ao vivo consegue ser ainda mais impactante. Lucifernandis toca sempre antes da balada, nas tardes de fim de semana. 6000 Dias é viciante. Manual, o segundo disco, foi lançado em outubro de 2015 e já figura entre os queridinhos das revistas especializadas e dos críticos. É para viajar, sentir, deslocar do mundo. Uma viagem sonora imperdível.

Russo Passapusso

Integrante do fantástico projeto Baiana System, inova no seu primeiro trabalho solo. O baiano mistura ritmos bem brasileiros com dubs e o soul. Tem do samba ao afoxé, reggae, guitarras fortes e até uma influência do rap. Paraquedas abre o álbum: é suingada, bem leve. Remédio vem na sequência e reafirma a que veio o trabalho autoral. Enfim, Paraíso da Miragem é para tocar nas festas, em casa, no carro. É uma surpresa nessa safra nacional.

Márcia Castro

É outra baiana que garante que a Bahia tem muito mais que o axé. Extremamente afinada, voz limpa e leve. Também produtora, já cantou com Mercedes Sosa, Tom Zé e Jaques Morelenbaum. Cavalo é o EP recém lançado, com um ritmo bem brasileiro e dançante. É o elo que liga a cantora com seu Estado. Os três discos também valem lugar na playlist.

Alice Caymmi

Esqueça tudo que você conhece como estilo “Família Caymmi”. A neta de Dorival quebra com aquela MPB tradicional para levar um peso mais rock’n roll e bem alternativo para a família. Ora soturna, depressiva como músicas de Maísa (e tem uma versão linda de Meu Mundo Caiu), ora alegre e quase brega com versões como a de Princesa, funk de MC Marcinho. Alice é aposta de uma nova geração de vozes femininas que despontam em nossa música. Não segue fórmulas, não cabe em rótulos e surpreende. Da família, só leva o timbre forte e grave. É experimental, autoral. Parece que, na sua voz, tudo ganha sua personalidade. É forte. Meu Recado é bem introspectiva, para dias de chuva.


Graci Marques

Jornalista, cinéfila, melhor amiga da alegria, ama carnaval, dias de sol e andar de bicicleta pelas manhãs. Escreve sobre cinema, música, poesia, pessoas interessantes e inquietas. Acompanhe mais textos no blog pessoal: https://35anosblog.wordpress.com.
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