prosa e flor

Sobre o amor e coisas simples

Lívine Soares

Baiana por natureza, mineira de criação, estudante de odontologia por amor.Aprendeu escrever antes de andar de bicicleta e desde então não parou mais. Acredita no poder do amor e das palavras. Adora um drama, olho no olho, café quentinho. Uma eterna apaixonada pela vida e coisas simples.

A sabedoria por trás da música Casinha Branca

E quem nunca se viu imaginando a própria casinha branca? Pode ser qualquer coisa que nos faça “sair de cena”, nos proporcione o conforto e o sossego de estar em paz consigo mesmo, que nos leve pra longe de tudo aquilo que sufoca.Parece mesmo que a letra da canção foi composta num momento onde nos questionamos sobre o que realmente importa na vida.


Muito mais que um sucesso dos anos 1970, casinha branca consegue se sobressair ao longo dos anos, sendo regravada por diversos artistas e nas mais variadas versões. Desde a interpretação de Maria Betânia, até cair no gosto infantil, o que prova que a música de fato conquistou um publico vasto e misto. Talvez a melodia doce e principalmente a sinceridade da letra do autor em desejar nada mais além de uma ‘casinha’ para ser feliz tenha alavancado o sucesso da canção e o tornado conhecido até hoje por causa dela.

Tem uma frase que diz que “Quando você está feliz, você curte a música. Quando está triste, entende a letra.” E é verdade! Acho que depois de cantar mecanicamente a canção tantas e tantas vezes, chega o dia em que você começa a mergulhar na mente do autor, viaja pelas ‘entrelinhas’ e se deixa tocar de fato pela mensagem a ser passada. A música tem esse poder, mais do que a gente imagina.

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Casinha branca, é da autoria do cantor Gilson e contrária as músicas de manifestação da época, essa seria aquela que expressaria o desejo de viver longe de toda aquela agitação, tendo somente o necessário para se viver.

A letra começa com uma espécie de desabafo, onde o autor parece contar sobre o que se passa a um amigo. “ Eu tenho andado tão sozinho ultimamente” “... Sinto cada vez mais longe a felicidade.” Nota-se por um momento em que ele, aparentemente exausto, olha para a própria vida como se a esperança estivesse se esgotando. O refrão parece ter a solução:

“Ter uma casinha branca de varanda. Um quintal e uma janela. Para ver o sol nascer”

É tão interessante a expressão singela do cantor. Tanta coisa que talvez lhe proporcionasse um pouco de alegria... mas ele parece ver além. A grandiosidade de preferir paz interior numa casa que aparentemente seja simples por ser colocada no diminutivo 'casinha' garanta mais vida e mais alegria do que todo o resto. Nada mais que isso.

Essa casa,deve ser branca, talvez porque branco nos remeta tranqüilidade, paz...

Uma casa na roça, no melhor sentido da palavra. O autor descreve que o lugar deva ser de “mato verde.” Um lugar fértil já que ele diz na música que precisa “plantar e colher”. A forma de criar sua subsistência já é por si só admirável. Somente plantar e colher o suficiente pra sobreviver. Outra coisa interessante é que esse seria seu trabalho. Ele não ficaria deitado numa rede ou num quarto se lamentando do sonhos que pereceram... Iria plantar, iria colher...

Na segunda estrofe, Gilson parece notar que as pessoas que caminham pelas ruas talvez passem pelas mesmas aflições que ele.

"Cada um tem seu mistério, Seu sofrer, sua ilusão"

No fundo todos carregam anseios, sonhos, sofrimentos. Basta um pouco de bom senso para saber que nossos problemas não são maiores que o dos outros e vice-versa.

E finalmente ... o quintal e a janela daria a ele uma vista que revigorasse suas forças. Ver o sol nascer! Pra quem já teve essa experiência sabe o quanto é maravilhosa, ainda mais todos os dias! Felizes aqueles que podem vê-lo sem reclamar que acordaram cedo.

Casinha branca é uma canção que resgata em nós valores que por vezes são esquecidos. Aquilo que é essencial na nossa vida, que temos de precioso e que muitas vezes é deixado para trás.Que o anseio por uma vida boa e o conforto presente em nossa agitação, não apague em nós o desejo de conservar a simplicidade, de valorizar aquilo que realmente importa, e principalmente... o desejo de querer voltar a casinha branca quantas vezes forem preciso.


Lívine Soares

Baiana por natureza, mineira de criação, estudante de odontologia por amor.Aprendeu escrever antes de andar de bicicleta e desde então não parou mais. Acredita no poder do amor e das palavras. Adora um drama, olho no olho, café quentinho. Uma eterna apaixonada pela vida e coisas simples..
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