Priscila David

Geminiana em fuga. Apaixonada e imaginativa. Cheia de interrogações e reticências... Escrevo porque preciso.

PRIMAVERA: UMA ESTAÇÃO CHAMADA SAUDADE

“Não há amor sozinho, é juntinho que ele fica bom...” - já dizia um certo poeta. O fato é que não há flores, nem cenários nem primaveras que seduzam por inteiro um coração que sente saudade. O amor precisa declarar-se, e uma vez confesso, precisa do encontro, do carinho, do toque... E que atire a primeira pedra quem nunca sentiu saudade.


Cópia de tumblr_l07ssktRLE1qbo0ifo1_400_large.jpg

Ao longo do ano nosso planeta passa por quatro estações. A inclinação do eixo de rotação e o movimento de translação da terra determinam esses diferentes períodos, com características e belezas próprias. Das quatro, uma das mais celebradas é, sem dúvidas, a primavera, que marca o fim do inverno, anuncia o verão e esbanja beleza, perfume e cor com seus dias longos e os jardins repletos de flores. Mas não é de geografia que me proponho a falar, mas sim, de saudade. E se esse sentimento que maltrata o peito vier embrulhado em uma canção de tirar o fôlego e dar nó na garganta, a prosa fica ainda melhor.

A canção que embala essa minha saudade é “Primavera”. Não se trata da alegre “Primavera” de Vivaldi, nem da “Primavera” que embala o romance de Tim Maia. Trata-se da “Primavera” de Vinícius de Moraes que não é feliz nem repleta de rosas, mas que canta a tristeza e a dor de se estar longe de quem se ama.

Foi em tempo de muitas flores nos jardins que cheguei à Flórida. Muita luz, muito verde e movimento! O sol parecia recusar-se a ir embora todos os dias, como quem quer ficar mais um pouquinho para aproveitar o fim de tarde no parque. Tudo era um convite à alegria, mas em um coração cheio de amor e destinatário certo e distante não cabe contentamento. O Poetinha sabia disso e profetizou essa minha primavera... “O meu amor sozinho/ É assim como um jardim sem flor/ Eu queria poder ir dizer a ele/Como é triste se sentir saudade...”.

E assim como a poesia necessita da primavera, a primavera necessita do amor. O amor declarado, o amor recíproco, o amor procurado, o amor encontro. O amor que alguns têm o privilégio de descobrir e poder cantar aos quatro ventos! “Estrela, eu lhe diria/ Desce à terra o amor existe...”.

Ó poeta, como tantas vezes julgamo-nos fortes e subestimamos esse amor e dizemos para nós mesmos que conseguimos lidar bem com a falta que o outro faz... Não imaginamos a tristeza que é estar longe. Como é triste não poder oferecer a ele o carinho que está guardado. Os sorrisos são sempre meio sorrisos; as conquistas também não são inteiras porque ele não está com você para celebrar e até as paisagens tornam-se menos exuberantes quando o bem amado não está junto para compartilhar. Chegamos à mesma conclusão, sábio adivinho! “Que é tão triste se sentir saudade”.

Entretanto não se pode sucumbir, afinal, a vida segue... E em meio a tanto verde e luz e vida, volto ao meu jardim sem flor. Consigo deitar na relva, ouvir o canto dos pássaros, sentir a brisa no rosto, o abraço do sol. Um jardim é sempre um jardim; pode-se cultivar e apreciar outras formas de natureza. Ainda há prazer e encanto... Mas as flores não estão lá!

Resta-me então, ao perceber a ausência nos canteiros, apelar como tu apelaste, Vinícius. A oração dos apaixonados. “Ai , quem me dera/ Se eu pudesse ser/ A sua primavera/ E depois morrer”.


Priscila David

Geminiana em fuga. Apaixonada e imaginativa. Cheia de interrogações e reticências... Escrevo porque preciso..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Priscila David