Priscila David

Geminiana em fuga. Apaixonada e imaginativa. Cheia de interrogações e reticências... Escrevo porque preciso.

Espelho Meu

O que somos nós, além de uma infinidade de contradições? Sentimentos, instintos e razão ora caminham de mão de dadas, ora disputam uma acirrada corrida capaz de nos enlouquecer. Sagrado e profano parecem habitar o mesmo templo e levamos a vida a buscar a inatingível perfeição e a exorcizar nossos demônios. E se nossa imagem no espelho refletisse nossas faltas e virtudes, nossas fraquezas e potencialidades? E se aprendêssemos a nos olhar com mais honestidade e menos culpa? Reconhecer a imperfeição que mora em nós talvez seja o melhor caminho para um mundo com menos intolerância... um mundo mais humano.


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Certo dia, depois de muito lamentar a tristeza que é viver sozinha, longe de casa e dos amores, um amigo querido encorajou-me a experimentar que maravilhosa companhia eu poderia ser para mim mesma!

Perguntei-me como seria isso... Resolvi testar algumas coisas que me pareceram divertidas! Saí para passear de bicicleta, troquei alguns móveis de lugar, inventei receitas. Tentei novas leituras, enchi meus dias de música, tomei vários cafés, mas continuava a sensação de que havia algo a ser desvendado nesses encontros comigo mesma!

Decidi, então, ir além dos passa-tempos... Parei um pouco. Foi aí que começou a grande experiência. Ficar sozinha e quieta foi como mirar um espelho. No início as olhadas eram rápidas, meio de relance. Depois fui perdendo o medo e, com o tempo, já me permitia rir, chorar, dançar, fazer careta... Mas não parou por aí! Arrisquei avançar um pouco mais.

Quando consegui me aproximar de verdade e olhar com atenção, vieram os achados. Encontrei um mundo de beleza e coragem no fundo dos olhos, mas enxerguei também a fragilidade e o medo por trás do meu melhor sorriso; percebi adornos de amor e gentileza entre os cabelos mas marcas de egoísmo e rancor a me envelhecer o rosto.

Fiquei assustada, claro! Mas passado o assombro, veio a grande descoberta e com ela o alívio!

Compreendi finalmente que as familiares ambiguidades e contradições não existem para fazer pesar os ombros. Enxergá-las e assumi-las representa aceitar a imperfeição, a sua e a do outro! Livrar-se da negação e da culpa é se perceber como gente. Gente que erra, mas que era capaz de jurar que estava fazendo a coisa certa; se decepciona, mas não desiste de tentar de novo; gente que mente para defender o amigo; gente que peca por acreditar no amor; gente que acaba machucando o outro mas que no fundo só queria ser feliz! E se há algo capaz de se aproximar do divino, é exatamente essa humanidade reconhecida e confessa.

Ao encarar minhas falhas e fraquezas lembro que não sou perfeita e me envergonho do preconceito que carrego escondido. Ao reconhecer minhas virtudes sinto-me encorajada a melhorar, evoluir!

Começou com o desafio de um amigo e a necessidade de driblar a solidão. Foi inevitável o encontro! Ao me olhar no espelho me dei conta de como é gracioso e desafiador esse nosso jeito de ser humanos.


Priscila David

Geminiana em fuga. Apaixonada e imaginativa. Cheia de interrogações e reticências... Escrevo porque preciso..
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