provocações literárias

A arte literária, em uso com as palavras, provocam com sutileza o que há de mais sublime: viver.

Kamila Alves

Kamila Alves, graduada em psicologia e atrevida na arte da escrita.

AUTORIZAR-AÇÃO?

O presente texto vem dialogar com a manifestação de discurso que denomina e adjetiva o termo politicamente correto, propagado com facilidade nas redes sociais, frente às pessoas que estão em busca da ética social.


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A onda marcada pelos discursos nas redes sociais sobre uma maneira de expressão, onde alguns denominam o termo “politicamente correto” e ridicularizam como “esquerdistas” as pessoas que lutam e/ou são a favor na defesa de direitos fundamentais ao homem, são intrigantes justamente por considerar que estamos passando por uma mudança de paradigma e quiçá de uma era, a qual possibilita um espaço para a diferença e a livre expressão em maior propagação pela via virtual.

De acordo com Siqueira e Piccirillo (2016), a luta pelos direitos humanos e/ou fundamentais tem resquícios de sua construção histórica desde a idade antiga e medieval os quais puderam posteriormente ganhar forma com a existência de direitos.

Dito isto, a busca por uma sociedade mais justa percorre com a história de um povo junto aos seus avanços e alguns retrocessos, mas que marcam um desejo de perpetuação da espécie humana, o bem da vida, a vida com dignidade e de sua evolução. Tais questões podem ser vistas também dentre as três grandes revoluções históricas: Inglesa, francesa e americana, as quais revogaram mudanças político-sociais e independência, bem como as que houveram no Brasil com propostas semelhantes das já citadas (SIQUEIRA;PICCIRILLO, 2016)

Por este modo, pode-se analisar através da história constituinte social alguns avanços nos direitos fundamentais ao homem e a busca de fazer cumprir a constituição federal também em seus deveres, perpetuando atualmente um discurso, discussão e respeito às diferenças (a pessoa com deficiência, gênero, étnicas, raças, sexual, etc) os quais buscam por igualdade de direito.

Segundo Benevides (1998), "o contrário de igualdade não é a diferença, mas sim a desigualdade, pois a diferença pode ser enriquecedora, entretanto, a desigualdade pode ser um crime." Com isso, a diferença faz a cultura, a arte e a democracia (PADILHA, 2003).

Assim sendo, quando alguém pressupõe que um discurso de um outro está a margem de um suposto politicamente correto e aos denominados “mimimis” estes ao meu ver, apresentam-se como um disfarce, feito uma herança moralista e que por ora mostram-se a resistir para uma abertura que se oferece para quem esteve excluído e que atualmente ganha um esmero espaço e direito a voz.

Como questiona e menciona Padilha (2003), "quem é o outro? Na maioria das vezes busca-se afastar o outro justamente por não querer vê-lo. Não escuta a voz nem o silêncio daquele quem é diferente, pois incomoda, mesmo sendo a diferença uma condição de sobrevivência."

Tais questões fazem alusão frente à construção da moral e ética, as quais são separadas por uma linha tênue ou até mesmo por um abismo, conforme demonstra na peça “Antígona” de Sófocles.

A ética diz respeito ao universal e ao direito. Já a moral é um conjunto de regras que norteiam um indivíduo frente suas ações que fundamentam um modo e/ou costume de viver.

Portanto, a moral limita formas de ser, enquanto a ética propõe um olhar e bem-estar universal levando em conta a subjetividade de uma pessoa e com isso oferece lugar para o justo.

Contudo, quando alguém manifesta através das palavras de identificação com um movimento e/ou apoio, pode não estar na “onda de politicamente corretos” pois este termo já prevê uma conceituação e julgamento moral.

Atualmente há lugares para que um sujeito diga em primeira pessoa sem neutralidade, como por exemplo, expor em suas páginas virtuais e exercer do livre direito de expressão, sem ofender aos demais.

A ridicularização está justamente na falta de capacidade de suportar o que um outro tem a dizer sobre uma causa, uma luta e primordialmente sobre a diferença. Como bem expresso na música “Sampa” de Caetano Veloso: “ (...) É que Narciso acha feio o que não é espelho, e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho. Nada do que era antes quando não somos mutantes(...)”.

REFERÊNCIAS

BENEVIDES,M. Educação para a cidadania e em direitos humanos. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO,9 , 1998, Águas de Lindóia. Anais II: olhando a qualidade do ensino a partir da sala de aula. Águas de Lindóia, Feusp, 1998.

PADILHA, A. A diferença na escola: muitas perguntas, algumas respostas. Períodicos UDESC.2003.Disponívelem:http://www.periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/viewFile/1209/1024. Acessado: 13/11/16

SIQUEIRA. D. PICCIRILLO, M. Direitos Fundamentais: A evolução histórica dos direitos humanos, um longo caminho. Âmbito Jurídico. Rio Grande, 2016. Disponível em:http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5414. Acessado: 13/11/16


Kamila Alves

Kamila Alves, graduada em psicologia e atrevida na arte da escrita..
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