provocações literárias

A arte literária, em uso com as palavras, provocam com sutileza o que há de mais sublime: viver.

Kamila Alves

Kamila Alves, graduada em psicologia e atrevida na arte da escrita.

A Construção do Sujeito Brasileiro Frente sua Política

O Presente texto vem refletir e dialogar com a posição atual do sujeito brasileiro frente a sua política e seus governantes.


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Dispor a pensar sobre a posição do sujeito perante as suas escolhas, logo sua vida é algo que requer escuta para que se possa delinear suposições a seu respeito.

Vale ressaltar que escutar nasce de uma disposição e atenção ao outro, em sua anunciação pela linguagem (escrita, falada e corporal). Por este modo, escutar exige um esforço do receptor para que não cometa um equívoco de selecionar somente uma fala e a particularizar transferindo conteúdos, tomando como seus.

Sendo assim, escutar não se trata de oferecer palavras imediatas logo após um dito e/ou representação. Não ocupa somente o lugar do ouvir, pois não é uma percepção de sentido.

Segundo Rubem Alves “O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam “seu fosse você” (...)”.

Desta forma, atrevo em escrever sobre como minha escuta desenrola diante às demandas da população brasileira frente à atual política dos seus governantes.

Para que possamos compreender a construção da atual posição do sujeito brasileiro com gritos de socorro através das manifestações, sejam elas nas ruas e/ou nas redes sociais, as quais ganham maior propagação, vale recorrer à história do brasileiro desde a descoberta do Brasil enquanto território e civilização.

No ano de 1500 quando os portugueses descobriram este território já havia um povo, o qual após trinta anos foi colonizado sob forma de exploração. Se pensarmos, desde daquela época somos tomados por uma posição frente à governança. Pois o povo habitante trabalhava para ganhar recompensas consideradas de pouco valor, mas que eram fascinantes aos olhos deles, e desta forma, os portugueses exploravam o que no Brasil tinha valor de ouro – o pau-brasil.

Veja, se fizermos uma analogia com o tempo atual da política, a posição ocupada do que o sujeito entende sobre política, se trata de um mesmo lugar: explorados, com autorização e ludibriados com uma política de pão e circo.

Para ilustrar sobre esta possível leitura, pode-se recorrer a Hegel, filósofo alemão, em sua obra “A fenomenologia do Espírito” o qual retrata o senhor e o escravo para abordar sobre esta dialética. Seguir neste princípio, o filósofo aborda que para manter-se nestas posições, quanto o senhor (governo) e o escravo (povo), eles necessitam um do outro para conservar seus lugares, o senhor não mata o escravo, o conserva cuidadosamente como testemunha e espelho. Enquanto o escravo se aprisiona por ter medo de arriscar-se.

Desta forma, embora as manifestações aparecessem mesmo naquele tempo, com uma rogativa de transformação, o que ainda se tem? Desejo por mudança, mas um desejo mal direcionado com recheio de queixas que impedem o movimento de (re) editar a história.

Os discursos de ódio apontam um urgente pedido de socorro, mas também escancara a desorganização, a escassez de recursos simbólicos para colocar em palavras e agir de forma eficiente.

Diante as demonstrações atuais do povo brasileiro frente a sua governança, apresenta-se mais um descontrole que pode dissipar o laço social, ao invés de prosperar. Tornam-se rivais uns dos outros por escolhas partidárias, figuras que representam um dualismos entre bem e mal. Fazendo-se assim, mais um mito entre vilões e heróis e suas identificações narcísicas.

Assim sendo, cabe perguntas: E a pátria amada Brasil? Dos filhos deste solo és mãe gentil?

Ao retornar o pensamento de Hegel, em contrapartida sobre a posição do escravo, em sua dialética, ressalta que embora o escravo esteja submetido ao trabalho forçado e as correntes reais, ele também é capaz de rever seus atos e se emancipar, dentro de si, em sua consciência.

Contudo, pode-se ainda posicionar frente as escolhas, responsabilizar perante a história da civilização brasileira e oferecer um possível contorno simbólico para uma construção de mudança efetiva. Pois, enquanto não verificarmos que colaboramos com a suposta exploração, seremos um povo que apenas queixa e ridiculariza sua civilização.

Portanto, destinar só no outro, o culpabilizando pela exploração, não traz possibilidades, mas sim resistência de mudar de posição e se haver com a própria história. Se na bandeira as palavras ordem e progresso cabem, por que não fazer jus a ela? É tempo de escutar.

De acordo com Rubem Alves “(...) A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta (...) Não aprende-se isso nos livros. Aprende prestando atenção”.


Kamila Alves

Kamila Alves, graduada em psicologia e atrevida na arte da escrita..
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