provocações literárias

A arte literária, em uso com as palavras, provocam com sutileza o que há de mais sublime: viver.

Kamila Alves

Kamila Alves, graduada em psicologia e atrevida na arte da escrita.

VERDADE: palavra com efeito de mutação

O presente texto retrata sobre a versatilidade da verdade e seu lugar no contemporâneo.


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No contemporâneo temos notícias sobre o conceito da verdade e sua atual queda, após lançamento do termo pós-verdade no ano de 2016 pelo dicionário Oxford, o qual designa como: “relativo ou referente a circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na opinião pública do que as emoções e as crenças pessoais.”

Tal proposição se envereda com a volatilidade da verdade, tendo ela como não única através dos campos de pesquisas considerados até então, um modelo e suas técnicas, para concluir sobre os fatos que a elegem.

Com isso é observado nas redes sociais o empoderamento que alguns expressam mediante suas identificações, por assim dizer, suas crenças pessoais, com as notícias, sejam elas: políticas e/ou sociais, originadas de fatos ou não.

Assim sendo, através do poder de compartilhamento da internet, para o jornalismo profissional, as notícias podem perder sua credibilidade, acentuando a propagação de notícias falsas, haja vista, conforme o conceito de pós-verdade, a tendência para formação de opinião está vinculada mais as crenças pessoais do que o fato objetivo, tendo este várias interpretações, podendo deturpar a notícia.

Entretanto, a opinião expressa, seja ela qual for é anunciada por uma verdade, que perpassa pela história de um sujeito, o qual está inserido em seu social. Por este modo, denuncia a época e seu tempo, vinculados ao estilo que toda civilização marca em sua história.

Há de se considerar que nesta época a marca representada é através da tecnologia, sobre as conseqüências da globalização, tendo seus efeitos no laço social, conforme o termo proposto pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre a pós modernidade, o qual designa pela sua liquidez do tempo, dos afetos. Nada é para durar.

Com isso, a verdade como única é morta.

Todavia, Rubem Alves, que foi escritor e psicanalista, diz em seu livro “A Filosofia da Ciência” sobre a exigência do humano pela ordem, a qual se fundamenta pela própria necessidade de sobrevivência. Considerando que não existe vida sem ordem, nem comportamento inteligente sem ela, mesmo que haja visões diferentes.

O autor também acrescenta que o mundo humano se organiza em torno de desejos, sendo sua grandeza e miséria, citando ainda John Dewey, autor do livro “Reconstrução em filosofia”, o qual coloca que “o homem vive em um mundo de sonhos antes que de fatos, e um mundo de sonhos organizados em torno de desejos cujo sucesso ou frustração constitui sua própria essência”.

Por este modo, é a partir do desejo que surgem à música, a literatura, a religião, a ciência e o que poderia ser resultado da criatividade, sendo a verdade, tendo seus fatos ou não, uma expressão de engenhosidade.

Como dito por Ana Suy, professora universitária e psicanalista, em sua rede social: “Nem tudo que não é verdade é mentira. E vice-versa.”

Contudo, o drama que repercute sobre a busca da verdade pode ser uma forma de bordear o que Jacques Lacan, psicanalista francês, nomeou como real, aquilo que não cessa de não se inscrever, sendo o substrato da repetição do dia a dia que nos confronta, conforme dito na conferência sobre: “Pensar o futuro: as histórias que tecemos e as histórias que queremos.” Na palestra “O futuro presente” por Christian Dunker Transmitida pela TV Boitempo.


Kamila Alves

Kamila Alves, graduada em psicologia e atrevida na arte da escrita..
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