Adriana Karla

Estudante de história, revolucionária de sofá, amante de cafés e literatura. Bob Dylan diz que seremos jovens para sempre, isso me serve de álibi para continuar escrevendo um monte de besteiras.

O amor de Camille Claudel e que a sua loucura seja perdoada

Camille Claudel, jovem escultora do século XIX, se apaixona por seu mestre Auguste Rodín, devotando-lhe o seu amor e a sua arte. Sendo que o escultor nunca a assumiu publicamente, mantendo um outro relacionamento. Após um aborto, tenta se desvencilhar da imagem de Rodín. Não conseguindo sobreviver a um mundo masculino das artes é internada em um sanatório por seu irmão, local em que permanece até a sua morte.


camille 01-thumb-800x449-86010.jpg

Em uma das poucas cartas endereçadas a Rodín, Camille Claudel escreve: “Há sempre algo de ausente que me atormenta”. Claudel, ao esculpir oferecia não só a sua arte, mas o seu amor, como se fosse algo inseparável e a um só homem: Auguste Rodín. Essa paixão queimou seus dias rápido demais, como demonstra a sua obra: “L’âge mur”, devastou sua juventude e se tornou ausência.

Camille Claudel nasce em 8 de dezembro de 1864, em Villeneuve-sur-Fére, em Tardenois, próximo à Paris. Sendo incentivada pelo pai a seguir a carreira artística, se encanta pela capacidade de criar formas e movimentos nas pedras. No entanto, é desde cedo rejeitada pela mãe, o que se tornará sua primeira ausência amorosa.

Seu orientador na Escola Nacional de Belas Artes, Boucher, solicita que Rodín – na época com quarenta anos e ainda pouco conhecido como escultor – oriente os seus pupilos, em especial, a jovem Camille Claudel. Em pouco tempo, a escultora se tornará colaboradora, modelo do artista e sua amante.

Do contato, surgem as obras A Eterna Primavera, A Danaide, As Sereias e a mais conhecida: O Beijo. Nesse período, Camille esculpe Sakuntala que é considerada uma versão de O Beijo e uma de suas obras mais voluptuosas: A Valsa.

Por todos os anos em que estiveram juntos, Rodín continuou mantendo um romance com Rose, com quem tinha um filho não assumido, fato que era desaprovado por Camille que sonhava em se casar. Após um relacionamento de idas e vindas e de perder o filho que esperava se separa definitivamente de Rodín.

A partir de então a vida da mulher artista e solteira se tornava mais difícil, como continuar a receber trabalhos em uma sociedade que inferioriza as mulheres? Ainda apresentou em 1984, A Idade Madura vista pelos críticos como o retrato de grande sofrimento. Interpretado como uma alegoria da separação, seria o abandono do amor.

Como muitos dizem, o amor e o ódio andam juntos, Camille começou a destilar suas tragédias contra o ex amado com a mesma veemência com que se apaixonou. Acusava Rodín de enriquecer as suas custas pelos anos em que estivera trabalhando ao seu lado e teve poucas obras próprias. Em 1902, não aceita um convite à Praga para não expor sua obra junto com a de Rodín.

Durante essa fase, a família da escultora se mostrava cada vez mais frustrada, sua mãe, com quem nunca teve um bom relacionamento, não cessava de condenar suas condutas, juntamente com a sua irmã. O pai desejava que a mãe se aproximasse mais da filha para ajudá-la, mas não chegava a fazer algo de concreto a respeito. O estopim foi uma ocasião em que Camille afirmava que houve a tentativa de dois modelos de Rodín de arrombar suas janelas para matá-la, pois era um peso para ele.

Camille pagou um alto preço por ter desafiado a ordem social de sua época, uma mulher que foi morar com seu amante, não teve filhos, realizou seu trabalho e foi internada por seu irmão em 1914, em Montdvergues, onde permaneceu até a sua morte. Em cartas enviadas aos familiares, pedia pela visita da mãe e para retornar a Paris. Seus laudos médicos demonstram momentos de total clareza mental, sendo prescrita sua saída para casa e reaproximação com a família, não sendo nunca atendidos.

Claudel se fechou em um círculo trágico em que ninguém parecia poder retirá-la, como se dançasse uma de suas obras, A Valsa, e realizasse voltas em torno de si própria sem nunca se satisfazer. “Histerizaram” a escultora, retiraram sua arte e seu amor ao mesmo tempo, desde sua mãe até Rodín. Camille enlouqueceu não por amor, mas pela falta dele.


Adriana Karla

Estudante de história, revolucionária de sofá, amante de cafés e literatura. Bob Dylan diz que seremos jovens para sempre, isso me serve de álibi para continuar escrevendo um monte de besteiras..
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/artes e ideias// //Adriana Karla