queime depois de ler

A arte imitando a vida

Aline Rollo

Essa metamorfose ambulante

Pro novo ano, só quero amor

E o que eu quero para 2016? Não prometer fazer academia religiosamente, nem emagrecer tantos quilos. Não vou prometer ser menos impulsiva, menos maluca, menos apaixonada. Não posso prometer não ficar estressada nem beber menos. Mas posso prometer uma coisa: buscar o amor em cada detalhe das coisas à minha volta. Mais amor. Sempre.


Costumo nunca fazer promessas para o novo ano. 365 dias são muita coisa para ter que realizar isso ou aquilo ou, talvez, me cobrar demais por algo que eu não tenha conseguido fazer. Por isso, evito as famosas promessas e resoluções. Num certo Reveillon, há alguns anos, prometi a mim mesma que não transaria antes do terceiro encontro. Bobeira, mas na época a resolução fazia sentido para mim. Meus amigos fizeram apostas comigo de que essa promessa não duraria nada. E não durou.

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Não gosto de prometer nada. Promessas de ano novo me fazem sentir tolhida. Fazem com que minhas vontades sejam decepadas do meu coração. Ao invés de prometer, eu penso no que eu fiz durante o ano que está ficando para trás. E, cara, nesse 2015 eu fiz muita coisa por mim mesma que estou até espantada.

Vivendo meus dias cada um de uma vez, eu busquei a minha serenidade. Foi difícil pra caramba mas consegui encontrá-la em alguns momentos. Sou explosiva e serenidade não é uma característica minha. Mas me esforcei para ter pelo menos um pouquinho dela.

Em 2015, descobri uma coisa incrível chamada resiliência. É um poder mágico que todo ser humano pode ter para tomar um baque da vida, sofrer e retornar ao seu estado natural dentro de algum tempo. A resiliência se tornou a minha palavra.

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Fiz novas amizades maravilhosas e estive muito com os antigos. Percebi o poder terapêutico que meus amigos têm em mim. Eles são seres mágicos que numa única mensagem conseguem me deixar mais tranqüila e feliz. O colo da minha mãe nunca foi tão utilizado neste ano. Usei e abusei dele. Sai cedo de casa, aos 17 anos, e sempre dei colo a mim mesma. Só que este ano fiz questão de aproveitar aquele aconchego e sensação de que tudo ficará bem. E ficou, mãe.

Adotei uma cachorrinha, mesmo tendo outros dois bichinhos em casa. Bati o olho nela durante um trabalho de castração de animais em situação de risco e simplesmente a levei pra casa. Os olhos da minha filha brilharam quando cheguei em casa com aquela cadelinha magra, desnutrida e suja. Ela se tornou completamente maluca e deixou meu lar mais alegre e cheio de energia vibrante. Também se tornou epilética e virou a Pankeca Gardenal.

Fiz viagens que me transformaram internamente. Conheci lugares mágicos, retornei a locais que abrigam um pedaço do meu coração. Senti cada detalhe desses lugares, deixei que a energia deles fluíssem sobre mim.

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Corri como louca para cuidar da minha filha e fazer com que ela fosse responsável na escola. As notas finais de uma pequena menininha de sete anos me mostraram que tudo o que fiz não foi em vão. Ela se tornou responsável por sua pequena vidinha escolar.

Retomei o contato com pessoas importantes. Contatos cortados por alguma briguinha, por desentendimentos frouxos, por orgulho ferido. Essas retomadas me proporcionaram uma sensação de paz e alegria incríveis. Aprendi a perdoar e pedi para ser perdoada.

Continuei chorando todas as vezes que assisti o filme Comer, Rezar, Amar e Marley e Eu. Chorando copiosamente. Prossegui ouvindo minhas músicas preferidas e fazendo delas a trilha sonora do momento que vivia. Eu faço isso. Eu tenho trilhas sonoras para cada coisa que acontece comigo.

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Fiz uma porção de burradas. Sempre movida pela vontade de viver o hoje o mais intensamente possível. Não sei se estarei bem amanhã, não sei se poderei dizer o que quero amanhã. Nem mesmo sei se estarei viva. Então fiz burradas, mas também acertei em muitas coisas, graças a Deus. Não dá pra ficar enlouquecendo o tempo todo.

E o que eu quero para 2016? Não prometer fazer academia religiosamente, nem emagrecer tantos quilos. Não vou prometer ser menos impulsiva, menos maluca, menos apaixonada. Não posso prometer não ficar estressada nem beber menos. Mas posso prometer uma coisa: buscar o amor em cada detalhe das coisas à minha volta. Porque foi isso que aprendi em 2015 e deu tão certo que quero repetir. A essência do amor vai me dar todas as outras coisas que eu quero. Essa é a minha única promessa de ano novo. Mais amor. Sempre.


Aline Rollo

Essa metamorfose ambulante.
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