queime depois de ler

A arte imitando a vida

Aline Rollo

Essa metamorfose ambulante

Vamos falar de amor?

É o amor que nos rege. E não necessariamente amor de romance. Podemos ser preenchidos também pelo amor entre amigos, família, amor pelos animais, pelo trabalho, lugares, coisas e momentos. Pessoas que não te conhecem também podem te dar algum tipo de amor. E quando nos damos conta disso, não precisamos buscar mais pelo amor de forma incessante. Ele está presente em todos os minutos das nossas vidas.


Sempre fui uma pessoa obcecada pelo amor. Daquelas que gostam de estar apaixonadas, com cara de idiota na maior parte do dia. Daquelas que sentem frio na barriga quando recebe uma mensagem dizendo: quero te ver. Dessas que abre o sorriso gigante quando está com a pessoa.

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Tive alguns amores na vida e, mesmo que alguns tenham terminado de forma triste ou com mágoas, guardo excelentes recordações de tudo. Mesmo dos pés na bunda. E cultivo um carinho especial por pelo menos ter aprendido alguma coisa com esses caras.

Por isso, eu sempre tive uma busca incessante pelo amor. Eu quero viver um amor bem lance de romance novamente. Mas aí é que começam os problemas. Essa busca toda faz com que você confunda sentimentos, seja confundida e faça de seu coração uma escola de samba sem ritmo. Isso gera uma ansiedade gigantesca e faz com que a gente dê uma pirada básica, ou botando o cara pra correr por alguma provocação proposital, ou porque você um dia acorda e pensa: não quero mais ficar ansiosa por isso. E bota o cara pra correr também.

Desde que comecei a praticar o yoga e conhecer um pouquinho de seus ensinamentos, passei a ver o amor com outros olhos. O discernimento, o auto-conhecimento e todo o amor disseminado por essa prática me fizeram repensar muitas coisas.

É o amor que nos rege. E não necessariamente amor de romance. Podemos ser preenchidos também pelo amor entre amigos, família, amor pelos animais, pelo trabalho, lugares, coisas e momentos. Pessoas que não te conhecem também podem nos dar algum tipo de amor. É algo óbvio mas que, aos 36 anos, tenho começado a aprender.

Percebi que minha busca incessante não tem muito sentido. O amor, que tenho de sobra, vem de todas essas coisas que falei. Descobri que uma ligação ou mensagem da melhor amiga dizendo que está com saudade é amor. Que aquele bolo ou sopa me esperando no final do dia, feito pela minha mãe, é a maior demonstração de carinho. Que um daqueles amigos que a gente tem uma afinidade imensa, incluindo a afinidade sexual, não é o cara que foi feito pra você. E o carinho basta.

Vi que olhar para minha filha dormindo me trás uma sensação de amor gigantesca. Ver minha mãe bem, feliz e acompanhando de perto o crescimento da neta. Meus bichos me recebendo como se não me vissem há anos todos os dias quando chego em casa. O abraço mais apertado e acolhedor de uma pessoa que está cuidando não só do meu corpo físico, mas faz questão de dar uma ajudinha para o meu espírito. Aquele pôr do sol incrível depois de um dia turbulento.

Então eu me dei conta. De que não preciso buscar mais pelo amor. Ele está presente, todos os minutos. Com cada uma das pessoas e seres que estão ou passaram pela minha vida. E assim, acolhida, eu descanso para que o amor de romance apareça sem avisar e fazendo um daqueles estragos maravilhosos que só quem já amou sentiu.


Aline Rollo

Essa metamorfose ambulante.
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