queime depois de ler

A arte imitando a vida

Aline Rollo

Essa metamorfose ambulante

Yoga: prática de amor e respeito próprio

Passei a enxergar o amor de forma diferente do conceito que eu tinha. O amor está muito próximo de todos nós. Acontece que na maioria das vezes não olhamos ao redor com atenção para perceber isso. Não, o yoga não vai me curar do Transtorno de Ansiedade. Mas está me ajudando a ter olhares diferentes sobre coisas diferentes. E principalmente, está me ensinando a me amar acima de qualquer coisa.


Fui apresentada ao yoga em um momento sabático da minha vida. Aos 36 anos, sabia exatamente quem eu era. Mas não sabia lidar com as emoções, sentimentos e impulsividade decorrentes da minha personalidade. Somado ao Transtorno de Ansiedade, qualquer situação parecia maior do que era e eu simplesmente não conseguia viver o agora.

Sempre fui aconselhada a praticar yoga. Mas a vida vai passando, os compromissos vão ocupando totalmente sua vida e fui deixando a ideia de lado. Até que um dia acordei e pensei: preciso de um tempo pra mim e terei esse tempo no yoga.

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Não encontrei somente tempo pra mim. Encontrei uma pessoa que pode sim ser equilibrada, sensata e menos impulsiva escondida aqui dentro. Alguém que tem a personalidade forte mas pode melhorar em alguns defeitos. E acima de tudo, percebi que preciso ser minha total prioridade.

Já na primeira aula, senti uma energia muito forte de amor. Não era só a prática em si. Me senti acolhida pelas palavras, pelo cuidado e força de uma pessoa iluminada, que não é simplesmente uma professora de yoga. É uma professora da vida.

A cada prática fui sendo “contaminada” pela tranqüilidade que o yoga oferece. As posturas não são fáceis como se pensa. É preciso estar com a mente tranquila e presente de corpo e alma para conseguir o equilíbrio necessário. Fui aprendendo a deixar todas as outras coisas de lado e, naquele momento, me entregar totalmente.

Estar presente no momento presente, o que pra mim é o grande ensinamento do yoga, é muito difícil para quem tem uma mente acelerada como a minha, pensando mil coisas ao mesmo tempo, tendo crises de ansiedade até ficar exausta. Procuro me esforçar a cada prática para estar ali por inteiro.

Tenho aprendido a respeitar meus limites. Talvez esteja sendo minha maior lição na prática do yoga. Posso dizer que após alguns meses, hoje consigo dizer não para o que me machuca. Tenho tentado respeitar os limites do meu corpo e da minha cabeça. Não é preciso fazer um esforço descomunal para mais nada. Apenas faço meu melhor e se não der, não deu.

Além do yoga, encontrei, no mesmo lugar, outras pessoas fantásticas, que abriram seus braços para mim de uma forma incrível. Passei a enxergar o amor de forma diferente do conceito que eu tinha. O amor está muito próximo de todos nós. Acontece que na maioria das vezes não olhamos ao redor com atenção para perceber isso.

A prática e as palavras ditas pela professora, que se encaixam perfeitamente em cada postura, as massagens recebidas com muito carinho por uma profissional incrível, com mãos de anjo, a terapia do som aplicada em mim com entusiasmo por um músico talentoso e de coração grande, foram um dos grandes presentes que ganhei na vida.

Não estudo a filosofia ainda, mas pretendo me dedicar a isso assim que minha vida estiver mais equilibrada. No momento, apenas me permito receber as energias positivas dessa prática incrível. Não, o yoga não vai me curar do Transtorno de Ansiedade. Mas está me ajudando a ter olhares diferentes sobre coisas diferentes. E principalmente, está me ensinando a me amar acima de qualquer coisa.

Este texto é dedicado a Diana Hybari, Paty Nascimento e Rogério Baraquet. Gratidão!


Aline Rollo

Essa metamorfose ambulante.
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