questão de gênero

Sob um campo de ideias

Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos.

Nunca fomos tão cordiais

"Para criar inimigos não é necessário declarar guerra,
basta dizer o que pensa."
Martin Luther King


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Assim como o limiar que transcende toda sanidade, o poder está. Nada mudou, permanece inerte o desejo em banir os que se atrevem a nos bater de frente.

Querem justiça, justiça! Pedem pena de morte ou prisão perpétua. O poder do ódio é antagônico as sutilezas e conveniências humanas . Proliferam ofensas gratuitas, os denominados cidadãos de bem.

Desvio da moral: erro ou falha. A índole borbulha no precário entendimento (não há um santo). Quando o ser humano se torna arredio. Repulsa o convívio social, daqueles que não são seus pares. Liberando o que há de pior no instinto, em questões irrelevantes. Aglomeram-se entre narrativas truncadas, e tudo porque, em maior parte, não se tolera o contraditório.

Antes fosse por sobrevivência todo esse sentimento que destrói, porém para muitos é por pura diversão. Todos em algum momento, será capaz de cometer um ato falho, propicio a maldade. É importante fortalecemos no bem, esse dito é bíblico, porém mesmo àqueles que não acreditam, faz um enorme sentido.

Em escala larga, nos desviamos do bem, privando-nos de algo além, de quem sabe, seria essência, porém, necessária, que apazigua e acalma - O amor.

O poder e a loucura - traz o contraste que alimenta o ódio em vários seguimentos proclamados: "Não há extermínio e morte", pura falácia de seres detentores de caráter imperfeitos. Os inquisidores e a perseguição às "bruxas" (misógino, partidário, religioso, xenofóbico), persiste como temos visto em nossos dias.

Como num festival de horrores, nas mídias e jornais, nos deparamos, qual bárbaros letrados, que por interesses, não poupam o telespectador de seu discurso para o mau.

Nero, Calígula, Hitler e muitos dos que deveriam nos preparar para uma possível, vida em desfrute no paraíso, digo terrestre, dissolvem em nosso dia a dia, eufóricos os conclames e ditos infames.

Quem é o inimigo?

O homem e sua degeneração a miséria e a morte. Discurso de ódio entre internautas traz uma nova versão, trazendo o que antes era perda física, agora a mutilação moral.

As redes sociais segue no estigma das arenas sangrentas de Roma, há dois mil anos (54 a 68 d.C.), em seus espetáculos bizarros, fomentando novos embates. A cada opinião vemos a decapitação, alguém ser mutilado pelo imperialista maldito senso de justiça, termo esse que oscila de individuo a individuo, que definhando o dito racional, o sangue jorra feroz.

No livro escrito por Sun Tzu em “A Arte da Guerra”, compreende-se quando o comando recebe as ordens do soberano, e neste ponto da leitura a reflexão revelava toda ação de um espirito animalesco do tipo: eu ou você(?). Embora detentores de consciência, feito bicho nos contorcemos em aglomerados circulares aguardando a queda, de forma abrupta de um ser que se desconhece.

Rasgar as vestes. Cobrir-se de cinzas. Quem dera retornaria o homem ao primeiro amor... Algo possível?

Ao contrário da pronuncia afável (cordial), o termo em ato, etimologicamente impulsionado a origem, advento do latin - Cor, Cordis, Coração - que guiado pela paixão em impor o que a si se favorece e é caro, traz a leitura que o historiador Sérgio Buarque de Holanda chamou de “O Homem Cordial”; que na ardência do cataclisma, não poupou a ferida e não menos, descreve a condição do homem quando vê seus planos ruindo. Conceito esse que se segue em nossas raízes.

Vingança, estado do ego versus tendência de proteção e preservação, são para muitos filósofos a fiel balança que caracteriza o ser humano.

Suportar nossa fraqueza, chega ser ofensa. Tal qual quadro clinico: insanidade ou falta de amor? Os leões nas arenas contemporâneas, constituem-se de partes ignoradas de nós mesmos.

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Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos..
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