questão de gênero

Sob um campo de ideias

Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos.

Uma vida finita e a procrastinação diante as decisões. O que será, que será?

O homem e a arte em adiar


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Lá fora, a chuva remonta as notas da sinfonia. O frio percorre a espinha, um único gosto é o que sobrevive - o do desejo na boca, ao cravar nos lábios os dentes.

A angústia nos toma. Nesse momento, a cena clássica; as mãos esfregam o rosto e os cotovelos bambeiam sobre a mesa. Tem dias que sem darmos a devida atenção, nos pegamos de mão dadas, dedos entrelaçados, inconscientemente elevando uma prece a nossas dúvidas diárias.

"O que será que me dá? Que me bole por dentro. Será que me dá?" Quem nunca se viu nessa “sinuca de bico”, que um dia, num sorriso sacana confabulou o Chico?

“Um passinho mais a frente, por favor!”

Essa é uma fala, que vezes, longínqua e abafada, já ouvimos, proclamada por algum cobrador nos transportes públicos aqui no Brasil. Passinho esse à frente, que nos remete a necessidade geográfica de mais espaço. Espaço, sujeito ocioso que facilmente é caracterizado por uma nova oportunidade. Mas quem esta preparado, apito a deixar seu lugar de conforto e se aventurar? Até aqui nada novo. Afinal, Platão que não era carnavalesco, já ditou essa alegoria.

Da tomada de consciência às primeiras reações que somos acometidos quando resolvemos agir; enjôo, náuseas, angustias. Sabemos que independente a crença, possuímos nesse instante, somente essa vida, e é nela que devemos atribuir toda expectativa. Nesse momento o que fazer para alcançar o desejo exposto sem magoar o outro?

Há uma fresta que não cessa em nos instigar a respeito de um mundo excepcionalmente espetacular. Hipnotiza e desacelera. Porém, para darmos esse “passinho a frente”, se faz necessário a escolha e adiante, bem próximo, temos esse primo torpe, o livre arbítrio, que nos torna livres ou cativos, sob a euforia em desconjuramento a uma sabia saída.

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Medo brutal da decisão

Sobre o medo a decisão segundo o psicanalista Jorge Forbes: “Uma história que não muda, é uma história garantida. Entre uma tragédia certa e um drama incerto, a maioria prefere uma tragédia certa”

O certo é que agimos de má fé com nós mesmos, quando somos omissos a eterna necessidade que temos diante a evolução humana. Seguir adiante, renegando o famigerado... "Um passinho mais a frente", nos põem diante ao disseminador algoz de nossas venturas, que se vê num paradigma: o medo da opinião alheia a mega vilã, a dúvida.

Bem ai, é neste momento que abortamos nosso desejo, na dúvida. Dispensando de fato ao que nos impulsiona ás realizações; a paixão. E não o contrário: família, carreira, amigos.

Condicionalmente, nos boicotamos com a promessa de "agora não, deixa pra depois”. O instinto pacientemente aguarda esse "depois", que de tanto tardar, nunca chega. Obrigados, nos anulamos, diante o dispositivo ético inserido ao coletivo, a fidelidade. Prestando serviço a sociedade

O universo trabalha em um processo paralelo avesso ao nosso bel prazer. Se arriscar, coragem a dar o primeiro passo e desmitificar o caos que insiste nos assombrar, quem terá?


Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos..
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