questão de gênero

Sob um campo de ideias

Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos.

INcompreensão – Um sustentário ao tédio

Tem situações que a gente vê, mas não enxerga. A forma como posicionamos as palavras. Sim, ela dependerá muito do entendimento, do conteúdo acadêmico, estado emocional, da compreensão de quem esta recebendo a mensagem. Tá! Você já sabia! Só que na correria dos dias, a gente esquece.


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O mal ouvir, exerce o poder em gerar quantas versões de uma mesma história? A verdade coesa, plena, jamais saberemos sua consistência.

Compreensão: s.f. Ação, efeito ou possibilidade de compreender; Capacidade de entender o significado de algo.

Assistindo a um dos episódios da série americana “Modern Family”, produzida pela ABC desde 2010. Logo de cara, curto a trama, por aborda de uma forma sem ser tradicional aos moldes americanos a peculiaridade de nossos vícios e manias, que, embora imputáveis, recusamos a nos atribuir. A série é bem bacana, fala sobre questões bem atuais como o casamento gay e adoção (pelos mesmos). A visão americana em relação aos latinos, tudo numa mesma família.

Numa bela manhã, um casal (hétero) inicia um dialogo na cozinha – trecho, cenas do cotidiano – “Modern Family”. “O marido diz a esposa que uma amiga antiga, que havia encontrado no Facebook, o convidou para tomar um drink. A esposa olha torto, tentando ocultar o ciúme. Ironiza o convite recebido e diz que mulher depois dos trinta, se veste de preto e se insinua para roubar o marido das outras. O cara, pai de três filhos olha pra sua garota e diz: não é nada disso! Você quer ver a mensagem que ela me enviou? Vira o notebook pra sua esposa, que com voz sensual começa a leitura, usando de um tom de voz provocante: “- Bem que poderíamos nos encontrar num bar pra conversar e matar a saudade”. Ele vendo a forma que ela pronunciava aquelas palavras menciona: “você esta exagerando!” E, num tom formal pronuncia (como ele assim pensa ter compreendido) o convite da amiga.

Entrei em estado epifânico. A luz da sabedoria pacificou o que, embora oculto o sentimento – quase que silenciosamente intrigava em demasia tudo o que eu vivenciava naqueles dias, poderia significar, durante uma cena.

Nesse momento lembrei de uma observação da Barbara Gancia, após menção de István Wessel (ambos colunistas), sobre uma preciosa dica: “que não devemos olhar a data fim de validade de um produto, mas sim, a de fabricação.” Ela imediatamente exclama: “Pô! vinha formulando sem saber o quê? "Como nunca me permiti a tal pensamento?”. A dica é boa, mas no caso, não entra no contexto desse texto. E sim a simbiose neurológica, chegando a lógica da Barbara tal argumento.

Bingo! É isso! Como nunca me permiti a tal questionamento? Por isso me deleitei em epifania. Tem situações que a gente vê, mas não enxerga. E o dialogo que acompanhei na trama, me alertou a motivos de indícios de algumas desavenças entre amigos e conhecidos. A forma como posicionamos as palavras. Sim, ela dependerá muito do entendimento, do conteúdo acadêmico, estado emocional, da compreensão de quem esta recebendo a mensagem. Tá! Você já sabia! Só que na correria dos dias, a gente esquece.

Sendo por partes que se chega lá. Lugar vezes infortúnio, mas, grande em sacadas àquele que não teme se aventurar. Sucumbi ao pérfido intento, ignorância estagnante, a qual enfrentamos tempestades sem saber, ser em copo d’água, por conta da má áudio degustação sensorial, àquilo que não comporta em nosso entendimento como exato ou normal.

O pensamento é ocioso, quando se trata em desvendar o que esta a um palmo de se decifrar. Parafraseio o dito popular “tá na cara, só não vê quem não quer”. Porém, o motivo que me desprendeu a relatar a cena, foi de onde pode surgir a faísca e uma briga iniciar. O tom suposto subtendido – indevido, empregado na leitura, ou forma que nos posicionamos na fala durante um dialogo. O estrago vem seguido do crash (!), pondo em dúvida a conduta do nosso interlocutor. Me dei conta, de como esse tipo de situação já se tornou algo corriqueiro nos relacionamentos em redes sociais.

Até entendo o motivo de tantas desavenças em meios aos argumentos. quando nos defrontamos com uma crise social, e as incertezas do que somos e nossos direitos. Uma mensagem "mal" lida, por assim, vamos dizer, põe em risco e pode dar fim, a relações – tesouro preciso da humanidade – que poderiam ser carregadas por uma vida toda.

Na cena, a garota estava sim e muito a fim do cara, porém, nem sempre é assim que sucede. Te pergunto: que tom você vem usando para ler o que é dito nesse campo minado que são as redes sociais e pelos trilhos por onde você circula?

Ps: o tom empregado enquanto escrevia? Imagina... Carpe diem.


Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos..
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