questão de gênero

Sob um campo de ideias

Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos.

Podemos fazer uma festa sem dinheiro, mas não sem amigos

Amigo é feito divã. Aquele profissional academicamente não gabaritado, que mesmo a distância, nos dá uma direção.
Seja para falar de amor, do completo fim do tal, politica, banalidades afins, não importa; quem tem sabe - a ausência de um amigo faz falta.


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Os Amigos Existem?

Segundo o dicionário Aurélio: “Amigo é uma pessoa a quem está ligado por uma afeição recíproca”.

De fato, há veracidade no dito, embora há na esquina uma singela linha, que os descrevem e qualificam, chegando em delicias ao toque açucarado de tão doce sobre o real valor de um amigo em nossas vidas...: "Amigo é coisa para se guardar. No lado esquerdo do peito. Debaixo de sete chaves. Dentro do coração, assim, falava a canção que Bituca de alcunha Milton Nascimento encantou.

Amigo é aquele que sai do padrão e te aceita como você é.

Para quem assistiu a angustia delirante do filme Her, se depara com um paradigma: Não sentir a falta da companhia (pele, respiração, carne, osso) do outro e em doses terapêuticas de placebo, se enredar a um mundo que fantasiosamente projetamos, que, no entanto, não somos capazes na real em administrar(...)

A menção ao filme vem de encontro a importância que esses seres tem em nossas vidas, pois são aqueles que nos livram de grandes furadas, ou tão somente nos acolhem sem perguntar nada, confortando-nos em seus braços numa levada de uma cantiga de ninar.

Amigo é feito divã. Aquele profissional academicamente não gabaritado, que mesmo a distancia, diante nosso estado em frangalhos, sempre nos dá uma direção.

Seja para falar de amor, do completo fim do tal, politica, banalidades afins, não importa; quem tem sabe - a ausência de um amigo faz falta.

É aquela pessoa que no auge da nossa loucura, nos faz recobrar a consciência. Trazendo á tona trechos de música, como Canteiros do Fagner...: “E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida, Pois se não chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta moço sem ter visto a vida” (...) são eles, os amigos, que nos impulsionam, induzem a uma epifânia, próprio a cada um, a seguir a diante.

Leandro Karnal, fala um pouco sobre o que é um amigo e nos traz um teste infalível para detectarmos os tais:

“Amigos são poucos e escassos. Ao longo da vida e esta é uma lição que eu duramente aprendi; - nós temos uma centenas de conhecidos, mas temos poucos amigos.

Ao retornar às suas casas aos próximos dias, reúnam os amigos e digam sobre o sucesso de vocês. Não falem de fracasso. O fracasso provoca proximidade entre as pessoas. O fracasso, a dor, a doença, não é um sinal de amizade... Digam: Eu estou bem. Nunca ganhei tanto dinheiro. Estou amando e sendo amado. Estou fazendo um sucesso louco e que vai melhorar; e olhem para o rosto da pessoa. É um teste infalível. Só um amigo vai sorrir e se emocionar com o sucesso da pessoa.”

Feliz é saber e não descuidar em podar os galhos da gratidão, pelo motivo único de termos a nossa volta pessoas que importam e se importam com a gente.

Um adjetivo que carrega um significado forte. Esse é daquele tipo de gente que definitivamente escolhemos para fazer parte de nossas vidas. Quem mais toleraria nossas manias por motivos que nem nós mesmos sabemos descrever.

Não costumam passar a mão em nossas cabeças. Um amigo é a personificação tal qual àquele alerta que vem do subconsciente.

Amigo é melhor que um amante, pois onde não há cama, o ego não inflama.

Perspicaz, humanos, que vezes... maçantes. Levam facinho o selo “magia”. Quando somos ultrajados, por essas pessoinhas tão queridas, algo normal em qualquer relacionamento, pipoca na ponta de nossas línguas a seta que vezes revira dentro da boca numa ânsia feroz em vê-los se escafeder.

Em todo conto há uma vida. Num determinado momento, o convívio constante, as trocas de segredos, chegam ao fim. Na totalidade, os ditos amigos se enrolam, transformam-se e vemos grandes histórias naufragar. Nem sempre os temos a mão como desejamos. Ou por algum outro qualquer motivo, nos dispersamos. Vivências compartilhadas, que se perdem com um minucioso suspiro espontâneo, contudo, aborta-se. Fica o dito pelo não dito. Amizade também é fim para vários recomeços.

Passado um período de tempo, alguns permitem-se reviver e descrever em folhas brandas, outras crônicas sobre aquilo que ainda é vibrante. Juntos, Voltam a sorrir, pondo fim a todo exorcismo passado.

As conversas com os amigos são daquelas vislumbradas, fala-se de garotas, de caras. A brisa nesses momentos é sempre outra. Tal bicho, declara-se que mesmo em número pequeno ou em meio aquele perreio aglutinado de gente, somos os donos da noite. Cientes de quem faz a festa, é o que carrega a consciência ereta, sedento a atingir alvos inimagináveis, pra uns obstáculos; - o gozo pleno.

Na companhia de um amigo, celebramos a nós mesmo. Falamos trivialidades que se tornam, frases históricas, que numa desenfreada euforia, de imediato berra-se ao mundo. De fato, exagerada são as gargalhadas que ocupam o espaço.

Lembram daquela cena clássica do filme “As Vantagens de Ser Invisível? Em via pública, sobre a carroceria, tocando Heroes? O som e o espaço... um amigo tem o poder de nos fazer nos despir diante de todos, sob o pulsante tic tac caótico do dia a dia. Um brinde a amizade!

Descrever o significado ou o que é ter um amigo, para isso retóricas não faltam. Mas, na contração do titulo esta a sintaxe perfeita.

Podemos fazer uma festa sem dinheiro, mas não sem amigos. (autor desconhecido)

Ou seja, No esplendor da eloquência, quem teve a inspiração da frase titulo, sabia muito sobre o que dizia.

Vou ficando por aqui. O assunto é por demais extenso. Mas, finalizo com a música de João Bernardo, que certo é, fala daquele amorzinho que não é correspondido a altura. No entanto, a ambientação, o clima que envolve a música, é o que chama a atenção. Reparem só! É o tipo do encontro perfeito. Do tipo de reunião ao qual todos os amigos anseiam. Gargalhadas, conversas fiadas e a certeza de fazer parte de um dos mais loucos esquemas.

Quanto a pergunta acima, deixada no vácuo no início do texto...: Sim. Os amigos existem! É isso.

“queria me enjoar de você, aah mas não consigo...”

*dedicado a todos os amigos


Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos..
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