questão de gênero

Sob um campo de ideias

Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos.

A infâmia Stalkeante X O que os olhos não vêem o coração não sente

A vida por si só é pesada demais. curiosidade, interesse pelo o que o outro anda fazendo..., não há nada demais nisso. É instintivo observar. Ensinamentos comprovam que só saberemos o que é bom ou ruim para nós sendo visionários.
Espera! Nada demais, até...


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O que os olhos não vêem o coração não sente. (Autor desconhecido)

Verbete muito usado por décadas, um dito repetido, verdade absoluta da então década de 80. Sem delongas, perde seu sentido para geração Z, que talvez desconheçam seu sentindo por uma prática comum e individualista (diz-se dessa geração).

“essa frase é do tempo da carochinha, não faz sentido!” Mesmo a essa nova ordem planetária de organização de relações, que parece não ter regras ou lei, sentem inconscientemente os malefícios em saber, ver o que não é agradável ao paladar da íris.

Ter acesso a flashs de verdades e mentiras que o outro projeta de sua vida nesse mundo virtual é um risco que contamina.

A velha curiosidade sobre a vida alheia. Vou dar só uma olhadinha.

Com o advento da internet, mecanismo esse que basta se conectar para dar um giro ao mundo, tornamo-nos nós, Homens e Mulheres, eternos escravos desse mal habito - a espionagem. Ter a disposição acesso a informações que não contribuem em nada para nossa tão merecida paz de espirito, durante aquele dia cansativo. Fala sério, mereceria a #chateada. Vigiar o outro estressa.

Stalker ou inspetor Clouseau em sua saga a caça da Pantera Cor de Rosa ou o brasileiríssimo detetive Ed Mort, personagem interpretado por Paulo Betti, em 1997? Como profissão, para um detetive, seguir passo a passo a vida do outro é lucro. "gente vamos parar de vasculhar as coisas dos amiguinhos", diria uma professora no jardim da infância.

Você já parou para conversar com alguém e de repente surge algum comentário sobre algo que você postou já faz um tempo e você, na época, tem certeza que a pessoa sobre o assunto não se manifestou? Alerta! Suas informações são importantes, relembra o WikiLeaks.

Exposição e observação. temos um número infindo de tutoriais sobre o assunto, Todos vasculham, e por mais que queiramos nossa privacidade, só mesmo seguindo o conselho de Russell Clayton, um estudante que em sua tese para o doutorado de jornalismo na Universidade de Missouri, traz a tona o óbvio ulante: “redes sociais destroem relacionamentos”. "Não me canso de repetir, quer privacidade, quer segurança, sai de todas redes sociais, ou crie um perfil falso, só para xeretar mesmo!". R. C.

Seria a maldição de 1984? Esperamos honestidade do outro criando perfis falsos?

Brigas, intrigas. Amizades, relacionamentos sendo desfeitos, pelo simples fato da licitude dos argumentos que nos obrigam a engolir (guela a baixo) quem é incapaz de encarar um compromisso.

A nova geração e alguns afoitos da era da pedra lascada (digo quarentões), tem em pessoas que questionam certas atitudes, como conservadoras. Um exemplo é quando se esta num relacionamento amoroso, pessoas se incomodam e deixam claro que um curtir constante na foto de fulana/o, em sua subjetividade, esta implícito, falta de respeito e provável interesse/desejo pelo outro/a, isso vice e versa acoplado nessa miscelânea. Não que o ato tenha tomado projeção de fato, mas sabemos que o melhor a ser feito é cortar o mal pela raiz e não dar brecha. Evitariamos o indigesto estresse nos relacionamentos, atribuído àquele sentimento de posse, bandeira máxima da lei natural. Para que não haja dúvida, esclareço: ninguém é obrigado a acatar um pedido que tem em suma, mais entonação de ordem. Por este motivo é bom salientar; qual tipo de relacionamento você vem buscando?

Essa de vasculhar a vida do outro pode fazer o caminho contrário e ser contra indicado a quem não quer exposição e por fim prejudicar algo que poderia vir a ser bom por um descuido de um ego possessivo investigativo. Lance a primeira pedra quem não passou por esse tipo de situação?

Xeque mate! Decretado está a bússola que nos dá a rota exata, mesmo não sabendo ao certo o caminho a seguir, dentro de nós há uma certeza que domina, no entanto, se refugiando em um mundo que idealizamos no outro vemos partes de nós espalhadas por todo canto. Quer seja bom, quer seja ruim.

Se há uma ânsia desenfreada como se vê nos Status, pela tão sonhada felicidade, como suportar e superar sem se envolver no que vemos no quintal do vizinho e deixar que os dias sigam e o tempo mostre que há rios de inverdades no que nossos olhos quiseram acreditar.

“Somos nós que devemos nos adaptar ao universo se quisermos sobreviver nele”, diria Carl Sagan e mais: “O Universo não parece nem benigno nem hostil, mas meramente indiferente às preocupações de criaturas tão insignificantes como nós.”

Nerds, loucos. Cientistas pirados! Criaram o dispositivo perfeito, com sua linguagem em códigos binários indecifráveis à um reles mortal. No qual, independente ao local, em questão de um clic, estando interligados a essa engenhoca chamada internet, temos a praticidade no nosso dia a dia, facilitando nossas vidas. No entanto, é enfadonho esse emaranhado de informações vazias que se cria, em sua maioria, muitas delas, grandes mentiras.

Também o que esperar num mundo onde sua principal vertente bebe inconscientemente do A Be Ce didático do universo publicitário, que vem formando, por assim dizer, no reino virtual, escolinhas na Ilha da fantasia. Não há inocentes, somos todos culpados. .

Tiraria meu chapéu se inventassem o tão sonhado teletransporte ou a máquina do tempo. Quem sabe, um equipamento portátil onde enxergassemos qual a um raio x a índole de cada pessoa. Creio que não acabariam os conflitos, certamente teriamos uma outra forma de domínio, no entanto, seria um jogo limpo, pois saberíamos de fato, quem é quem. Enquanto o uso dessa tecnologia mexer somente com nossa (má) percepção das coisas, tenho por mim que não passamos de meros charlatões no sentido poético da coisa toda.

Enfim, A vida por si só é pesada demais, curiosidade, interesse pelo o que o outro anda fazendo, claro que não há nada demais nisso. É instintivo observar. Ensinamentos comprovam que só saberemos o que é bom ou ruim para nós sendo visionários.

Espera! Nada demais, até o momento em que não nos esqueçamos de cuidar da gente. Melhor sempre será cuidar do que temos a mão a se enveredar por suposições.

Nada de novo digo, mas é bom, faz bem se desligar ou engendrar novos caminhos, sendo mais seletivos nesse mundo vez ou outra. E, como aquele que anseia a reabilitação, se internar em coisas reais, deixando de lado aquela olhadinha, e por fim, de alimentar o inimigo oculto (nosso mundo interior) que se transmuta e é apavorador. Parafraseando Leminski... presta atenção no que digo.


Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos..
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