questão de gênero

Sob um campo de ideias

Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos.

Duas Semanas e Algumas Caixas de Lenços

Às vezes penso que estou perdendo tempo. Outras, que ainda não é o momento. Mas, quem disse que era para conjugar o substantivo efêmero; fim? Tentamos, e foi melhor o óbito a carta do divórcio.


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Há momentos, que parecemos viver num estado de TPM ininterrupta.

Game over! Eu e um outro. Surpreende-se desde o inicio, com um lance rolando, algo bom acontecendo e qual motivo mesquinho, por navalha vê-se interrompido. Quem esta preparado?

Tirado nos é o direito. Como abobada suspensa em hastes de um náufrago (...) de “SER FELIZ”, por um momento ou amontoados de dias, mas feliz.

Esse era o objeto que causara a sangria do abominável desejado. Subtendido ficara o recado, bastou o recuso sim – Dele, de mim. Em conto da carochinha, quem acreditaria? Uma odisseia feliz, não é para toda vida. Diriam os antigos. Quem disse que era para conjugar o substantivo efêmero; fim? Sob o declínio de mofas migalhas do que foi vivenciar o ser amado, nos inquieta essa interrogativa.

Fazemos a gentileza de nos roubar o precioso segundo, o de se doar. Apoiamos juntos o machado impedindo a raiz louca num gozo lento, profano, profundo em ternura exalar a vida em flor.

Dos restos de cigarros no cinzeiro, guimbas e cinzas lança-se sobre o cabelo da escova gordurenta que repousa sobre a pia do mal trajado banheiro.

Dissimulamos a morte. Tememos o prazer do que parece trabalho. Sendo presa, o ser humano se imagina prostrado ante mensagens e apelos publicitários. Do contrário, dizem "fracassados!". Abominaria também a busca desse ideal se houvesse vida além do ser. A insistência negligencia a aventura que é o dia a dia. Lançam-nos sorrisos, preferimos o irreal. A vida é simples de se viver. Repara só.

Sendo aprisionada por uma fotografia 3x4 num álbum de família, depositada foi numa caixinha a resposta em alfinetadas terapêuticas: E agora, e esse tesão? Esse amor louco, o que fazer? Se ser temerária que sou, há somente vazão a solidão? Partilharia esse bem que me incendeia com o primeiro que avistasse, mas se vultos não andassem a minha espreita...

Vi em meio a fumaça que preenchia o espaço da última xícara de café a oportunidade de ser ( ) humano transformar o que antes parecia beleza em lacrimosa a esfera. Corri e uma frieza preservada em filtro solar dissimulou os sinais, de certo não conseguiria embalsamada em teorias de um cardápio de fast food, onde o que importa é o mito do quadro de um gráfico atrás da porta berrando em prazer as vendas do dia. Em momentos como esse mandar Narciso se aquietar é para os mais sábios mania de querer se apoderar.

“O homem se vê entre os devaneios do choque cotidiano de corpos ocos e sentimentos rasos”, li isso num filme pornô dublado. Achei engraçado. E eu que achara bacana, o moderno nú em vanguarda.

De quatro num quarto, um questionava e o outro apontava o tardar congelado. Tentamos, e foi melhor o óbito a carta do divórcio. Agora agonizam sem a proteção apaziguadora do ônus da dor. Nos entregamos entre tantas viagens. Até à um cão farejador reclamamos a cápsula perdida da felicidade.

Já era tarde. Se desculpar foi inevitável. Na hora o silêncio interrompe o grito não dito.

Como sábio, um tolo desvairado, tem por melhor defesa, o silêncio. Em direções opostas, parados um em frente ao outro, soluçamos sobre os votos do lamento.

O fracasso cedeu no ralo. Um doce engano... Não fomos sinceros. Dissera à peculiar ingenuidade que encobre o fim. O lobisomem em corpo santo e a tímida profana, daria um belo nome àqueles filmes de baixo orçamento. Enfim, em duas semanas de chororô constante e algumas caixas de lenços, tudo passaria, sempre passa. É isso ai.


Sandra Frietha

Poetisa. Louca por Rock'n Roll. Amante da escrita libertina. Que vezes se perde nesse emaranhado de letras, decifrando (como se fosse possível) frivolidades desse mundo belo e repleto de caos..
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