questão de ser coaching

Terapia e coaching para mulheres e relacionamentos

Carol Daimond

Carol Daimond, escritora, coach de mulheres e relacionamentos e terapeuta reikiana. Fundadora do www.questaodesersite.wordpress.com e do programa de coaching online Abra(ce) ao amor, em parceria com Dani Bizão. Escreve sobre a vida e sobre o amor, e assim sobra amor!

Bem-vindo ao mundo - O amor e a guerra

Uma história de amor e guerra, de busca e libertação. O tempo todo somos convidados a refletir sobre esses temas muito atuais e ao mesmo tempo tão remotos. A efemeridade do tempo associada às lembranças nos levam a crer que tudo que vivemos está o tempo inteiro nos colocando em frente aos contrastes da vida. O título Bem Vindo ao mundo tem como enfoque o filho de um casal separados pela guerra, mas a realidade vai muito além quando eles visitam o passado e percebem o valor do amor e do perdão para a plenitude da vida.


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Penélope Cruz vive a personagem Gemma e estrela o filme do início ao fim, revivendo suas memórias da história de amor com Diego (Emile Hirsh). O filme acontece em três momentos, dois passados e um presente. Voltando a Sarajevo após 18 anos, quando saiu de uma guerra civil em 1992, Gemma leva seu filho no lugar onde nasceu para conhecer sua origem, mas a ideia que é passada é que ela precisa fazer as pazes consigo mesma e seu passado. O filme mostra Sarajevo em três momentos, a alegria dos jogos de inverno, depois a guerra e o presente que traz incutido amargas lembranças desse passado recente. Ainda entre histórias de guerra e de amor traz a indelicada adolescência do filho, que sente repulsa pelo lugar onde nasceu. O mistério que aguça nossa curiosidade gira em torno do fato de que Gemma não podia ter filhos e sofrendo muito com essa verdade eles optam por ter um filho através de inseminação e chegando a Sarajevo, para rever amigos, encontram uma pessoa exatamente como imaginaram, mas no momento que seria feita a inseminação acontece uma situação de conflito o que impossibilita os meios artificiais e eles então decidem fazer por meio naturais e assim tudo que era inesperado começa a acontecer.

Bem-vindo ao mundo aborda de maneira singela o quanto somos frágeis e vulneráveis perante o amor, é aquela história que diz: você pensa que sabe tudo até se apaixonar. A insegurança que uma mulher pode sentir por não conseguir gerar um filho, o quanto e o que, ela é capaz de abdicar para se realizar na esperança de ver o seu amor continuar a florescer. O cenário é de guerra, mas o amor é o tema central e é demonstrado em suas fases: a paixão, o amor doce, o amor de mãe, de amigos, de marido e mulher... Essas nuances desse sentimento que aflora e nunca se sabe bem como ou porque, mas que parece tomar conta de todo o nosso ser. Ele retrata o amor nessa forma linda de se doar pelo outro e para o outro, impulsionado pela emoção que transborda em coragem.

A emoção que nos guia e comanda é o amor e não importa qual a sua natureza, por amor, somos capazes de fazer o inimaginável. A pergunta que você se faz ao assistir um filme tão impactante assim é: O que eu faria nessa situação? É inevitável pensar que poderia ter sido de outra maneira. A teoria do Caos automaticamente nos assola na típica pergunta que começa com um “E se”... e assim várias outras formas de acontecer essa história começam a se desenvolver em nossa imaginação. A verdade é que uma sequência de respostas diante da vida nos atormenta, porque as simples monossílabas como o: “sim” e o “não” acabam por definir a nossa história. Um único sim ou não poderia ter modificado todo o presente da humanidade. É assim que a história de Gemma e Diego nos prende.

Nos temas abordados é claramente visto a riqueza dos assuntos porque somos invadidos por pensamentos e atitudes de arrependimento, resiliência, medo, coragem, amor, ódio, perdão, surpresa e curiosidade, dor e felicidade. Esse quadro comparativo referente as mudanças da vida chama a atenção para a efemeridade do tempo e de tudo que nos rodeia onde nada necessariamente é, e tudo na verdade está.

Reviver o passado trouxe a ela um sofrimento redobrado e ao mesmo tempo uma libertação para sua alma, mostrando o quanto ficamos presos as conexões de tempo nos agarrando a momentos que, por sua efemeridade, já se foram e nada podemos fazer para alterá-los, no entanto ficamos carregados de sentimentos que nos impedem de viver bem o momento que nos aguarda, que é o nosso presente. Todos esses conflitos humanos de sentimentos e experiências insatisfatórias sendo colocados em primeiro plano traz a reflexão do contraste: amor e guerra, quem fala mais alto? Mesmo diante a circunstancias extremas o romance teve plano central, claro que não menosprezando a intensidade e a destruição que uma situação como essa pode causar.

Existem estudos psicanalíticos onde o quadro de guerra é retratado mas o amor romântico ainda é o fator principal naquele cenário, mulheres que vendo seu mundo romântico ruir se sentem devastadas mesmo perante as atrocidades de uma guerra ou genocídio. Talvez um certo egoísmo, inocência ou apenas uma necessidade de viver o amor que é sempre tão idealizado pelas mulheres. E é exatamente essa sensação que em determinado momento nos influencia, quando Gemma devastada por ter sido abandonada, ainda assim vai atrás do marido, naquele cenário crítico de guerra e enfrenta bravamente aquele estado, para entender o porquê ele havia partido e a deixado sozinha sem entender nada.

O amor e suas facetas nos faz entender sua várias formas de sentir e viver o que ele apresenta. Ele nos traz coragem e bravura, o amor nos faz crescer e ser mais doce e forte ao mesmo tempo. Mas quando colocamos no outro a nossa expectativa, seja o outro: um marido, filho, amigo, pai, quando essa expectativa é direcionada é quase certo que vamos nos decepcionar. Não existe uma maneira mais fácil de amar. Não existe uma forma simples de ver a guerra. Estamos falando de oposto que movimentam a vida de forma brusca. Engano nosso pensar nas singelezas de que o amor é feito, porque ele é escudo de proteção e espada embainhada, é doce e amargo, sereno e louco, o amor nos transforma e liberta, mas descuide um minuto e ele te regride e aprisiona. amor nos trilhos.jpg O amor e a guerra são extremos que não se fecham, são círculos que não fecham. O amor pode ser uma experiência fantástica ou apenas um sonho ruim, a guerra só existe porque ele faltou. Quando amamos compreendemos, abdicamos, anulamos sentimentos contrários, mas quando o amor se vai uma guerra se instala no coração e ir em busca da sua verdade é única opção que te mantém de pé.

E paira a pergunta no ar: no amor e na guerra vale tudo? Parece que Gemma e Diego partiram desse princípio para definir seus caminhos nessa história inesperada.


Carol Daimond

Carol Daimond, escritora, coach de mulheres e relacionamentos e terapeuta reikiana. Fundadora do www.questaodesersite.wordpress.com e do programa de coaching online Abra(ce) ao amor, em parceria com Dani Bizão. Escreve sobre a vida e sobre o amor, e assim sobra amor!.
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