questões cotidianas

O que eu queria te dizer...

Naiara Abreu

Mineira, 26 anos. Apaixonada pela escrita. "Ás vezes a vida escolhe por nós, mas ela também nos dá possibilidade de escolha". Autora da página "Questões Cotidianas" no Facebook

O Efeito Borboleta e o nosso cotidiano

“Algo tão pequeno quanto o vôo de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo” – Teoria do Caos. Ao analisarmos os grandes acontecimentos das nossas vidas, identificamos pequenos eventos que levaram a grandes mudanças. O efeito borboleta nos faz refletir sobre a relação de causa e efeito diante das nossas possibilidades de escolhas e sobre a nossa responsabilidade pelas nossas decisões.


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“Algo tão pequeno quanto o vôo de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo” - Teoria do Caos, a teoria central do filme Efeito Borboleta 1.

De uma maneira dramática e às vezes um tanto quanto pesada, o filme passa mensagens relacionadas ao destino, de como eventos isolados podem influenciá-lo e nos leva a uma reflexão sobre as nossas relações humanas, nossas atitudes e suas conseqüências.

Uma das mensagens principais é que certas coisas pontuais, como, por exemplo, as pessoas que conhecemos ou uma oportunidade de emprego, estão predestinadas a acontecerem. O modo como essas coisas vão acontecer e quanto tempo vão durar depende de nossas escolhas, e é aqui que entra o “efeito borboleta”. Ir a pé ou de carro, ler um livro, esquecer o celular ou dizer uma palavra a mais são pequenas coisas que futuramente fazem diferença.

A vida é feita de uma série de acontecimentos que se desencadeiam e nos levam a algum patamar ou situação, seja ela significante ou não na nossa concepção. E, assim como na matemática, a mudança de um fator nos leva a um resultado final totalmente diferente. Por isso, há quem acredite que metade da nossa vida é destino e a outra metade é escolha. O destino pode ser um acaso, a fé o nosso meio e o esforço nosso caminho.

Efeito Borboleta nos mostra, por meio de sua história, como estamos em um contexto de múltiplas variáveis em que a mudança de um detalhe gera uma reação em cadeia que pode causar efeitos de grande escala.

O personagem principal possui um dom, herdado de seu pai, que o possibilita voltar em momentos decisivos do passado e mudá-lo, alterando, conseqüentemente, o seu presente. Ele inicia, então, incessantes tentativas de consertar o passado e, em meio a erros e acertos, ele compreende que atos simples podem condicionar toda uma vida, ou vidas.

No ápice do filme, o personagem principal finalmente percebe que ao modificar os acontecimentos do passado ele muda drasticamente o presente, e que, por outro lado, ele não é capaz de controlar todas as conseqüências e efeitos desencadeados por essas pequenas mudanças no passado. Ele desiste, então, de querer mudá-lo e decide apenas tentar aprender com os erros e deixar a vida acontecer. A música tema da cena é “Stop Crying Your Heart Out”, do Oasis, que reflete parte da filosofia do filme, principalmente no verso que diz "Stop Crying Your Heart Out , you'll never change what's been and gone – Faça o seu coração parar de chorar, você nunca mudará o que já aconteceu".

Uma das grandes reflexões que o filme induz é sobre como, ás vezes, perdemos a oportunidade de viver o presente por estarmos, de alguma maneira, presos ao passado, tentando consertar erros e imaginando como poderia ter sido diferente. Infeliz ou felizmente, a vida não volta, mas ela nos dá a oportunidade de aprender com erros anteriores e uma nova chance para vivermos o presente.

Diante de inúmeras possibilidades de escolhas, que desencadeiam resultados imprevisíveis, optamos por aquilo que nos parece mais benéfico. As nossas escolhas são, em sua maioria, baseadas em nossas experiências, conhecimentos pré concebidos e, claro, na reflexão sobre a relação de causa e efeito. Porém, lidamos apenas com suposições e resultados prováveis, o que pode nos trazer conseqüências não escolhidas e antes desconhecidas.

Assim, a reflexão da escolha nos coloca diante de um paradoxo entre o necessário e o possível, trazendo consigo a reflexão moral, principalmente no que tange a nossa liberdade de decisão em todos os aspectos da vida, pequenos ou grandiosos.

Além disso, as nossas decisões e o acaso influenciam tanto o nosso futuro, como também o de outras pessoas. A questão é que nem sempre sabemos o que é melhor para nós mesmos e, consciente ou inconscientemente, jogamos com as nossas possibilidades de escolha, em busca do sonhado acerto.

Percebe-se que o filme abrange uma reflexão filosófica profunda, mostrando como o fenômeno efeito borboleta pode estar presente no cotidiano das pessoas. Pode-se dizer, em um raciocínio lógico básico, que o presente é resultado das ações do passado e o futuro é resultado das ações do presente. Todos os acontecimentos se interrelacionam de alguma forma, diante daquilo que chamamos de causa e efeito.

O filme “Efeito Borboleta”, então, deixa uma reflexão sobre a responsabilidade do ser humano pelas suas escolhas, sobre como elas podem ser pautadas sob o prisma dos valores morais e éticos do homem livre e sobre as conseqüências que ele assume ao tomar suas próprias decisões.


Naiara Abreu

Mineira, 26 anos. Apaixonada pela escrita. "Ás vezes a vida escolhe por nós, mas ela também nos dá possibilidade de escolha". Autora da página "Questões Cotidianas" no Facebook.
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