Crescer é uma armadilha, Peter.

Pensar é um ato revolucionário quando o opressor é quem decide sua punição. Crescer é uma armadilha, porém permanecer criança é uma sentença de morte.


Educacao_comunidade-624x480.jpg Os relógios correm incansavelmente enquanto corremos contra eles, não há tempo suficiente e mesmo assim procrastinamos deixando para depois o que já era para ter sido feito, fazendo o que não podemos até não podermos mais nada. A geração prozac, deprimida por suas decisões, a geração da informação que come o pão do governo e vai às suas apresentações de circo, a geração da agilidade que não consegue se esquivar do peso de suas próprias escolhas.

Nessa geração sou um garoto perdido em busca da Terra do Nunca, perguntando-me constantemente aonde estão os outros, Peter, Wendy, aonde estão aqueles que ousam sonhar e pensar quando todos correm como baratas perdidas de um lado para o outro, trajando as mesmas roupas e mesmas ideias compradas em algum site promocional.

As matérias na TV gritam tão alto que não se pode ouvir os próprios pensamentos, é isso que querem, pensar é perigoso para aqueles no poder, como os três macacos não ouvimos, vemos ou falamos nada. Do que vale termos conseguido a liberdade de expressão se usamos ela para nos calar?

Frustração é palavra-chave no vocabulário moderno. Trabalhos de toda uma vida ruindo como o Coliseu, vidas perdidas enaltecidas pelas palavras ternas de poetas que fazem o caos e a perdição parecer degustável aos olhos. Pobres poetas, nobres poetas, Peters que não cresceram e foram engolidos por adultos cinzas marcados com código de barras. Veem como eu um mundo onde crescer é uma armadilha, mas permanecer criança é uma sentença de morte, talvez por isso sejam tão doces com ela, a morte é a única companheira presente na vida de um eterno sonhador.

Um mundo onde governantes e cidadãos trabalhem em prol de uma comunidade que acolha a todos, com muros repletos de artes e leis que acolham em seu colo todas as raças, ideias e idades, onde capitães gancho não vençam ou ditem regras, um mundo onde haja respeito e não submissão.

O que busco é a utopia de um livro infantil, algo inalcançável, talvez, mas a magia só acaba quando deixamos de buscar.


version 2/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Millene Lima