Rafael Nogueira

Historiando Histórias.

A cidade de Deus de Santo Agostinho

Agostinho viveu num mundo em pedaços. Viveu entre os séculos IV e V da nossa era comum. Assistiu uma Roma em decadência, um império infestado de corrupção, os povos germânicos batendo a porta das fronteiras romanas, o cristianismo se consolidando como religião oficial de Roma e ainda imperadores agora convertidos ao cristianismo protegendo a nova religião, ao mesmo passo buscando interesses próprios movidos por paixões e ambições.


Vale destacar que Agostinho nem sempre foi cristão, apenas aos 33 anos converteu-se ao cristianismo e batizou-se no natal de 387. Influenciado em um primeiro momento por uma corrente famosa na época a chamada seita dos maniqueus, ao se desiludir com ela começa a enxergar no Neoplatonismo ideias superiores frente ao maniqueísmo e também identifica semelhanças com a doutrina cristã. Mais exatamente de 416 a 427 ele escreve o seu mais famoso livro a “Cidade de Deus”. Anos antes em 410 o rei germânico Visigodo Alarico havia invadido Roma e todo império ficou abalado moralmente até mesmo alguns cristãos culpavam sua própria religião assim como os pagãos argumentando que a invasão de Roma pelos Visigodos foi um castigo dos deuses romanos por terem sidos abandonados pelo novo Deus cristão. Além de declarem que esse novo Deus era incapaz de proteger o império.

É aqui que entra Agostinho com papel neste momento de mostrar que essa ideia estaria errada e mostrar que o novo Deus não era culpado pelo declínio de Roma, assim temos sua obra De Civitate Dei (lat. Cidade de Deus) onde mostra sua principal teoria a existência da cidade de Deus e a cidade do Diabo. Segundo ele existe a cidade terrena, isto é, o nosso mundo onde vivem os cristãos e os pagãos. Partindo dessa premissa existiria para Agostinho a cidade de Deus que seria uma cidade espiritual. Do outro lado estaria a cidade do Diabo. As duas cidades estam inseridas e misturadas na cidade terrena, e somente o juízo final ira separá-las e distinguir seus habitantes. Mas o que funda essas cidades? Para Agostinho dois amores. O amor de si que leva ao desprezo de Deus funda a cidade do Diabo e o amor a Deus que leva ao desprezo de si mesmo e funda a cidade de Deus.

Portanto, a diferença de fundação consiste nesta diferença de amores em relação a Deus. Por fim é importante dizer que Agostinho tinha uma visão teológica da história. Em suma para ele a história não era cíclica, e sim bíblica deste modo teológica e assim linear, ou seja, um inicio, um meio e um fim.

agostinho.jpg Fonte: Retrato de Agostinho. Educar para crescer.


Rafael Nogueira

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