Rafael Nogueira

Historiando Histórias.

A Família Santos

Uma família do sertão nordestino veio tentar a sorte na cidade grande do Rio de Janeiro e contaram o desfecho dessa história para este autor que vos fala.


A família Santos morava no sertão nordestino, e levava uma vida sofrida, mas feliz. Eles moravam no mangue que era camarada e dava tudo para eles. Só que um dia o sertanejo João dos Santos escutou no rádio que lá perto do sul numa cidade chamada Rio de Janeiro, a vida era boa, tinha emprego para todo mundo, e tinha espaço para todo mundo morar, aquele sertanejo de vida sofrida, pegou a sua família e foi para o Rio de Janeiro, chegando la a família Santos ficou impressionada tudo era bonito naquela cidade, tudo fervilhava e parecia progresso.

Não demorou muito e o sertanejo João dos Santos descobriu que tinha se enganado, havia muita beleza, mas pouco emprego para se trabalhar e pouca casa para morar. Começou o novo sofrimento, de sertanejos a Família Santos eram agora operários, o chefe João dos Santos não quis deixar o ânimo cair e disse para a sua família “tudo vai se ajeitar confiemos no bom Deus”. Ninguém escapou da fábrica, pai, mãe, e filhos grandes ou pequenos, era o que restava. Começou o aperto, só tinha uma maneira de sobreviver: ir morar na favela. A favela é generosa, não se paga casa, constrõe-se um barraco. Se não tem material, usa-se uma placa daquele político que nunca aparece, e tudo está certo, de placa em placa está pronto o barraco, por que na favela é assim tudo se dá um jeito. Se o barraco cair, os vizinhos ajudam a levantar, por que na favela todo mundo se ajuda, todos são irmãos na vida sofrida da favela. Se não tem arroz e feijão, compra-se um ovo, e tudo fica bom, por que na favela é assim, tudo é motivo de alegria. A Favela dá tudo o que a família Santos quer: Casa, comida e felicidade.

É no barraco construído na favela, que o operário João dos Santos vê crescer os seus filhos e os filhos dos seus filhos. É da felicidade de voltar todo dia para o seu barraco que João dos Santos se alimenta para trabalhar todos os dias, naquela fábrica da zona sul. São 300 mil Santos, Silvas e outras famílias que a favela acolhe como uma mãe carinhosa. A favela não rejeita ninguém, todo mundo pode vir e pode chegar. Cada membro da Família Santos continua o ciclo, a favela virou um paraíso. Depois de 40 anos trabalhando naquela fábrica da zona sul, João dos Santos se aposenta, com um salário que mal dá pra comer, ele pensa “tudo bem, é pouquinho, mas ajuda”. Agora o seu João dos Santos vive tranquilo apreciando a vida no morro.

Um dia aparece um político e na arte da enganação diz a seu João dos Santos: “Sei da tua História, tiro tu e tua família daqui e te levo para a zona sul para uma casa bem bonita, e falo mais te dou a casa mais bonita do Rio de Janeiro e faço de ti um homem grande, tu só tens que me apoiar nas eleições o que me diz João dos Santos?” O velho João dos Santos sem pensar muito responde: “Seu doutor, obrigado pela oferta, mas aqui é que está a minha História ela não vale uma eleição e digo-lhe mais seu doutor se eu morrer amanhã estarei mais pertinho do paraíso”. O político se irrita e não consegue entender o porque de ter sua oferta rejeitada. Dias depois, João dos Santos morre, sentado na laje do seu barraco, apreciando a poesia e a beleza da favela, mas é uma beleza que só ele consegue ver, e é uma poesia que só ele consegue sentir, coisas que outras pessoas não tem a capacidade de compreender. Nesse dia chegam mais famílias Santos na favela, por que ela nunca se fecha ela é um eterno ciclo.

Rafaek.jpg A "Família". Bom dia favela, bom dia Brasil.


Rafael Nogueira

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