Rafael Nogueira

Historiando Histórias.

Bestializados ou bilontras?

Seria a nossa juventude bestializada?


Temos a tendência muitas vezes de ver a juventude brasileira atual como bestializada, termo de Aristides Lobo ao descrever a reação do povo brasileiro, durante a proclamação da república, segundo ele a população brasileira assistiu “bestializada” o processo de implementação da república brasileira, ou seja, apática, sem muita reação. Antagonicamente temos a figura do bilontra e o que seria os bilontras? E quem faz parte dele? O bilontra é o espertalhão, o velhaco, o gozador; é o malandro. Logo podemos pensar que essa classificação aplica-se aos nossos políticos. E faço aqui uma analogia com a juventude brasileira na atualidade.

De forma equivocada construímos uma visão de uma juventude apática, sem senso crítico ou consciência política do que acontece no pais ou mesmo nas nossas cidades. Perguntamo-nos como o país terá um futuro se a juventude age como um grupo bestializado, esterilizada e sem militância? Sim é verdade que temos um esquecimento da política nos últimos anos. No entanto o crescimento do número de desinteressados pela política é político já que temos clareza de nossa escolha e do que vira depois. Mas será mesmo que o jovem não tem consciência nenhuma do que está acontecendo ao seu redor? Será que ficaram tão bestializados ao longo do tempo que não conseguem mais ter clareza de que quando negamos a política deixamos a organização da política para que outras pessoas façam isso por nós? Creio que não. A juventude pode parecer num primeiro momento despolitizada. Porém penso que os jovens sabem muito bem como funciona a dinâmica da política e tem consciência política sim do que acontece na política e seus reflexos na nossa sociedade.

A juventude sabe que o processo formal da política não é de todo sério, e que a nossa república não dá totalmente voz e liberdade para eles, sabem que a nossa democracia formal é apenas representativa no limite da palavra, e que a classe política coloca os seus interesses e do seu partido como prioridades, antes da sua função de representar o cidadão. Seria em suma “legislar em causa própria” antes de “legislar pelo coletivo da sociedade”. Então se abre a questão por que então os jovens não buscam alguma ação? Vejo como uma estratégia. Assim nessa perspectiva, o bestializado é quem leva a política a sério, isto é finge que está sendo cidadão. Por isso a juventude que apenas assiste as grandes mudanças na política brasileira geralmente feita a sua revelia, está muito longe de ser bestializada como podemos pensar em uma primeira análise. Ela apenas se manifesta quando entra em risco sua vida privada, quando o estado quer ditar o que eles devem ou não fazer. A juventude brasileira está longe de ser bestializada. Ela é bilontra.

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Fonte: Blog afilhadamãe. "Alienado por opção"


Rafael Nogueira

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