Rafael Nogueira

Historiando Histórias.

O Sistema perverso da esperança

No ideário de valores da nossa sociedade ocidental o que a esperança, um valor tão visado tem a oferecer para a humanidade? Nada. Nega a vida em todos os seus fundamentos.


Se existe algo a se dizer de desprezível para um amigo é dizer: “ficará tudo bem”. É um erro ingênuo e tolo acreditar que nosso destino não é sofrer, que somos uma espécie merecedora da felicidade e acima de tudo, que este mundo vai realizar nossos objetivos. Geralmente se diz também que quando se está sozinho ou nunca esteve com ninguém de forma simples sobre a questão: “você não encontrou a pessoa certa ainda”.

Nada mais deprimente e danoso para a vida. Essa pessoa nunca existiu e nunca vai existir, ela é o futuro que nunca se transforma em presente, é a crença pelo que não é. Em outras palavras é a esperança, um sintoma da decadência humana. Cair no discurso da esperança é mostrar o desejo na impotência, pois se pudéssemos ter essa pessoa que se espera não esperaríamos, faríamos já que existimos nesse mundo antes de tudo e somos responsáveis pelo que fazemos, diz Sartre.

O homem da esperança é o homem do afeto triste, ele tem ódio de amar o que é. Vive para um mundo que chegará um dia segundo sua mente esquizofrênica. Portanto, age contra a vida neste mundo, não a vive por mais miserável que ela seja. Por isso tenta contaminar os outros, pois todo tipo de felicidade o incomoda e o ofende. Ele não entende que habitamos um mundo real e cruel, e que o mundo que espera só existe na sua idealização. Em resumo, ele não aprendeu a conservar a vida. É um fraco por excelência. Ele quer apontar o destino último da humanidade. Um iludido contemplador. Ensina que não há nada mais no que acreditar. Aprendeu como desencantar o mundo.

Um ser humano contaminado por esse sistema depressivo de pensamento, só pode chegar ao pessimismo - mas não ao proposto por Schopenhauer, bem alicerçado e delineado – e sim ao pessimismo que afoga, castra, reprime, oprime e, sobretudo não conserva a vida do espírito humano. Esse pessimismo afoga de tal forma o homem que ele não vive mais para nada, além de si mesmo e suas tristezas.

Para combater essas práticas nefastas de negação da vida, precisamos de uma filosofia que conserve a vida. Os deuses não podem nos dar essa resposta, eles são perfeitos demais que cheiram a podridão. É precisamente destruir a base do qual foram colocados todos os valores, para construir novos valores, pois nunca houve e nunca vai haver um sistema já concebido em essência de valores. Voltemos com o dionisíaco e com a ação carismática. Conservar a vida é conservar a arte de viver. Descobrindo-se como um sujeito com escolhas e interesses o espírito humano alcança o sentido do mundo sem axiomas metafísicos ou evolucionistas. Edificar os heróis e líderes em análise. A morte do Deus metafísico deu chance para autodeterminação. Em suma: a liberdade de viver. Modificar a contingência com seus próprios valores, sem nada de critérios universais. Ser responsável pelo tornar-se sem um caráter transcendente. Essa é a resposta que procuramos e não achamos na pedagogia mentirosa da esperança.

Esperança-nas-expectativas-Portal-6-735x400.jpg Fonte: Portal 6 Anapólis. Esperança nas expectativas.


Rafael Nogueira

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