Rafael Nogueira

Historiando Histórias.

Os neosocialistas e os neoconservadores: duas classes perigosas

Os extremos sempre serão inimigos da democracia liberal. Diante disso pretendo mostrar o perigo desses dois extremos, tanto a direita quanto a esquerda. Ficarmos atentos a eles é o primeiro passo para preservar a nossa frágil democracia liberal.


O historiador Tzvetan Todorov no seu livro “Os inimigos íntimos da democracia” nos apresentam o que ele chama de neoconservadores norte-americanos, que na verdade não são conservadores apesar do termo. Eles são defensores de intervenções militares para supostamente garantir os direitos. Ou seja, nega-se os direitos de uns para garantir os direitos de outros. São filhos da velha guarda comunista, e de lá até aqui, nesse tempo tornaram-se antiestalinistas ferrenhos (numa concepção trotskista revolucionária e democrática). Compreende-se isso, pois quando descobriram que Stálin não era um Deus devem ter sido afetados por esse choque. Entretanto na França esses tipos de intelectuais percorreram três fases: primeiro foram jovens comunistas idealistas, muitos envolvidos com a extrema-esquerda. Na segunda fase se desiludiram quando descobriram a verdade atrás das promessas comunistas e tornaram-se dissidentes e anticomunistas mortais e por fim na terceira fase apareceram recentemente como defensores das “bombas humanitárias” lançados sobre o Iraque e Afeganistão, alegando ser uma “guerra democrática” ou “humanitária” para defender a liberdade no ocidente. Novamente a negação da negação, tira-se os direitos de alguns para garantir o direito de outros.

Inversamente também tem surgido um tipo perigoso no Brasil, não difere muito do caso francês e estadunidense. Opera também em três fases. Vamos a elas: na primeira fase é vinculado a extrema-direita ou pelo menos simpatiza muito com as ideias dela ou propostas da direita. Na segunda fase igualmente se decepcionam com o ideário direitista e passam a ser um críticos mordazes do capitalismo. E para finalizar na última fase se convertem totalmente ao que chamam de socialismo ou utopia libertária e se dizem a favor de um Estado onipresente, controlador e até mesmo apoiam regimes ditatoriais fechados e cruéis como o norte-coreano onde a população passa fome. Eis o perigo dos dois tipos. Eles flutuam de forma muito fácil entre os extremos. Isso é preocupante porque tem critérios muito frouxos que se adaptam apenas ao momento e não levam em conta mais nada. Na cabeça deles o que vale é o momento, o aqui e agora. Precisamos ficar atentos a esses indivíduos. Apoiar ditaduras desumanas e ataques a civis em nome da liberdade, só mostra uma coisa: são inimigos da democracia.

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Na imagem vemos o Deus romano Jano. Jano é o deus dos inícios, das decisões e escolhas. A sua face dupla também simboliza o passado e o futuro. Esse busto está no museu do Vaticano. Fonte: Wikimedia.


Rafael Nogueira

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