raquel avolio

Minha alma canta e dança enquanto meu coração bombeia poesia

Raquel Avolio

Escritora, mãe, apaixonada por artes, sonha acordada por mais tempo que deveria

Os encantos da bruxa branca: Stevie Nicks e o Fleetwood Mac

"Nunca quebrar a corrente", o lema dos cinco membros do incestuoso Fleetwood Mac, foi mesmo levado a sério. Desde que Stevie Nicks e Lindsey Buckingham passaram a ser parte da banda e a elevaram ao estrelato, uma aura mística envolve o quinteto, com ênfase em Stevie Nicks, que é a líder de um grupo de seguidores fiéis que continua a crescer de forma impressionante.


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Se o rock fosse uma monarquia, Stevie Nicks poderia assumir o posto de rainha sem fazer qualquer esforço. A alma do grupo Fleetwood Mac, que na década de 70 era considerado a “novela” do rock, é uma personalidade que está muito viva até hoje. Com seus cabelos loiros e pele radiante, Stevie Nicks não aparenta ter passado dos quarenta anos de idade, apesar de já estar beirando os setenta. Ela sobreviveu com grande êxito a um dos mais perigosos (e empolgantes) estilos de vida conhecidos: o bom e velho sexo, drogas e rock ‘n’ roll.

Stevie Nicks deixou de ser garçonete e empregada doméstica para fazer história numa das mais icônicas bandas que já se teve notícia. Ao lado de Lindsey Buckingham, seu companheiro de banda e grande amor sem final feliz, Christine McVie, Mick Fleetwood e John McVie, ela elevou o Fleetwood Mac ao estrelato, e lá a banda permanece até hoje. Aliás: de todas as bandas que explodiram na década de 70, o Fleetwood Mac é uma das únicas que continuam em atividade com o mesmíssimo lineup que possuíam em 1975. Como diz "The Chain", canção presente no álbum Rumours e a única que dá crédito a todos os membros pela composição da letra, “I can still hear you saying / you would never break the chain”.

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É como se todos os membros da banda estivessem, de fato, acorrentados uns aos outros – e eles adoram isso. É notável que os cinco elos da corrente possuem uma ligação mais forte do que muitos podem compreender: a corrente que os une se chama Fleetwood Mac, e sempre foi mais forte do que qualquer desentendimento, desavença ou drama que já tenha pairado entre cada casal desfeito ao longo da jornada ao estrelato que possuem hoje em dia – e, em termos de Fleetwood Mac, não foi, nunca foi, nunca será pouco drama em jogo.

Em 1972, o jovem casal Buckingham Nicks gravou sete demos e partiu para Los Angeles – nenhum deles sabia o que esperar desse movimento e estavam interessados apenas em seguir com um sonho – na esperança de que conseguiriam um contrato com uma gravadora. Em 1973, a Polydor Records contratou a dupla. O álbum resultado do contrato foi lançado em Setembro do mesmo ano e intitulado Buckingham Nicks. Pouco tempo após o lançamento, no entanto, em decorrência de vendas ruins, a gravadora desistiu de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, quebrando o contrato. Pouco tempo depois, Mick Fleetwood – que estava rondando o estúdio Sound City na Califórnia – ouviu a canção “Frozen Love”, do álbum Buckingham Nicks, e teve certo interesse em saber quem era o guitarrista. Por força do destino, Stevie e Lindsey também estavam no estúdio Sound City: gravavam algumas demos, e foram prontamente apresentados ao líder e baterista do Fleetwood Mac.

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Mick Fleetwood sabia que sua banda precisava de um novo guitarrista após Bob Welch decidir ir embora, e, em Dezembro de 1974, ofereceu uma proposta para Lindsey Buckingham começar a assumir o posto. Buckingham respondeu que "não iria a lugar algum" sem Stevie Nicks, já que eles eram uma dupla, e Mick concordou em ficar com os dois sem qualquer questionamento. A prova de admissão para Stevie Nicks se deu num jantar com a outra mulher do grupo, Christine McVie, que deveria sentir-se bem na presença da novata e “aprová-la”. Tudo correu melhor que o esperado, as mulheres logo tornaram-se amigas e o novo lineup estava formado. Pouco tempo depois, Nicks e Buckingham estariam num relacionamento em legítima crise, que por último seria desfeito; e Christine McVie – casada com o baixista do Fleetwood Mac, John McVie – estaria enfrentando um divórcio. Mick Fleetwood, a inspiração para a canção “Oh Daddy”, de Christine, seria encarregado de estabelecer certa ordem em meio ao caos que a banda havia se tornado. Ele faria isso por pouco tempo, já que um affair com Stevie Nicks ocorreu alguns anos depois – ela conta que a situação tomou forma após os dois ficarem sozinhos, bêbados e drogados numa festa – e ameaçou abalar as estruturas da banda por completo.

Stevie Nicks foi homenageada recentemente pela grife francesa Chloé, que se inspirou nas vestimentas que já se tornaram parte do mito que a cerca, e, em dada altura, quando unidas ao conteúdo místico de suas letras e seus movimentos hipnóticos no palco, a renderam o título de “white witch”: a “bruxa branca”. Os grandes hits “Dreams” e “Rhiannon” embalaram a passarela. A ideia de Stevie Nicks ser uma feiticeira parece ter povoado o imaginário de muitos que cresceram ouvindo o Fleetwood Mac, e Ryan Murphy, o diretor da série americana American Horror Story, decidiu utilizar de tal mitologia para criar a terceira temporada da série, intitulada “Coven” – na qual a influência de Stevie Nicks é onipresente, embora a própria apareça de forma breve apenas no fim da temporada. Uma das personagens mais intrigantes de American Horror Story Coven chama-se Misty Day, interpretada pela atriz Lily Rabe. Ela é uma bruxa solitária com extraordinários poderes necromânticos, vive em um pântano, cuida de suas plantas e cantarola músicas de Stevie Nicks o dia inteiro, tendo a cantora como uma espécie de companheira espiritual.

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O Fleetwood Mac ocupa uma posição privilegiada no cânone das bandas clássicas do rock ‘n’ roll, seus cinco membros já entraram para a história e dela não sairão. É bastante notável o quanto Stevie Nicks permanece sendo influente: da música até a moda ela criou sua própria marca, que continua a atrair e encantar novas gerações de fãs até os dias de hoje.


Raquel Avolio

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