Natalia Cola de Paula

A escrita pulsa em mim, ela é capaz de transformar as pessoas, emocionar, transmitir conhecimentos e sensações. Por isso que escrever é sinônimo de compartilhar saberes, e sonhos. Ademais, é uma experiência que proporciona prazer e aprendizagem a quem escreve.

Aprender a gerenciar suas emoções e ser líder de si mesmo é preciso.

Não podemos deletar nossa memória, tudo que vivemos fica armazenado em nosso consciente ou inconsciente, não temos ferramentas para apagar o passado, todavia, podemos sim lidar de maneira saudável com elas, reescrevendo-as de uma forma que não nos causem mais ferimentos. Devemos tomar a efetiva posse de nossas vidas, decidir nossos caminhos e gerenciar nossos sentimentos de modo a amenizar nosso sofrimento e problemas. Não podemos deixar-nos sermos vítimas do destino, seres determinados pelo meio ambiente e pelas situações, como representado no romance naturalista " O Cortiço " de Aluísio Azevedo. Temos que fazer as escolhas possíveis para realizarmos nosso melhor sempre, mesmo perante circunstâncias adversas. Temos que escolher acerca daquilo que nos cabe fazer uma escolha, e deixar as contingências para o destino.


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O objetivo principal deste artigo é refletir um pouco acerca das emoções humanas e do quanto elas são cruciais em todos os âmbitos. Tanto no aspecto pessoal quanto no profissional devemos gerenciar com sabedoria nossos sentimentos, porque dizer que os deixaremos de lado é algo impossível, por mais imparcial que tentemos ser, aquelas emoções estão afetando-nos, não podemos negá-las e escondê-las de nosso subconsciente, portanto, o mais saudável é aprender a lidar com elas ao invés de suprimi-las.

É sabido que a vida humana é repleta de reviravoltas e surpresas, cotidianamente deparamo-nos com perdas insubstituíveis, como a morte de um ente querido ou a perda de uma pessoa que continua com vida, mas não continua em nossa vida, como amigos que se separam porque tomam decisões e caminhos divergentes, desentendimentos que ocasionam o distanciamento e a frieza entre pessoas antes próximas, relacionamentos verdadeiros e repletos de amor, carinho e reciprocidade que simplesmente acabam, e acabam em esquecimento recíproco... São inúmeras situações, causas, motivos e circunstâncias que separam os indivíduos, essa perda, essa cisão, é muito dolorosa. Não é fácil deixar quem você ama partir e muito menos consolar-se com a morte de um familiar, aprender que aquela pessoa nunca mais lhe dará um sorriso, uma conversa ou um abraço. Conformar-se com o fim não é algo para os fracos, por isso a maioria ou ignora esse fim ou grita, explode, e desaba em pranto incessante, atitudes que geram mais e mais sofrimento e revelam imaturidade emocional.

As emoções humanas sempre foram objetos de estudos e pesquisas, um livro chamado " Seja Líder de si mesmo " cujo autor é Augusto Cury, é uma obra que retrata bem a importância e necessidade de gerenciarmos nossas emoções e não sermos dominados por elas. Uma mensagem importante do livro é, antes de tudo, promover o auto-conhecimento, é o ensinamento mais antigo da filosofia grega, desde Sócrates, que dizia: " Conhece-te a ti mesmo ", frase grafada também no Oráculo de Delfos e que persiste como fundamental nos tempos modernos. É necessário conhecer-se para saber o que lhe faz bem e mal, traçar metas e sonhos em sua vida, e não se deixar determinar pelo tempo, pelas pessoas, por sua situação econômica, pelo meio que vive e muito menos pela mídia e padrões sociais. Promover o ato-conhecimento não é algo simples, por várias razões. A primeira é que o ser humano é muito volátil, mudamos sempre, transformamos e somos transformados pelo mundo em que vivemos e o mais curioso é que com a maturidade e as experiências adquiridas somos chamados a mudar para continuarmos sendo os mesmos. Isso mesmo! Parece um paradoxo dizer isso, mas reflita um pouco, garanto que muitas vezes as circunstâncias e o meio em que você estava lhe incentivaram a ser ou agir de uma forma que não era de seu agrado, a ser algo que fugia de sua essência, e você, muitas vezes, acabou cedendo a essas pressões sociais. Por isso a mudança, por isso a introspecção de olhar para si, olhar para o mundo e impor-se perante ele, não deixando-se levar. Por isso afirmo que estamos, a todo momento, meio que inconscientemente, mudando para permanecermos os mesmos. Quando eu digo permanecermos os mesmos não me refiro a estar estático, imutável, até porque nós aprendemos muito ao longo do tempo, aprendemos ainda mais perante as adversidades e os sofrimentos, mas sim ao fato de estarmos a todo momento tentando deixar vivo em nós aqueles princípios essenciais, eu diria, inerentes a nós mesmos. Posso citar nossas crenças filosóficas, religiosas, morais e comportamentais que regem nosso ser social e psíquico como exemplos de princípios constituintes de nosso alicerce individual.

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Outro ponto genial do livro de Cury é a Teoria da Inteligência Multifocal, em que ele desmistifica todo conhecimento solidificado até os dias de hoje que colocava sob o "eu" a exclusividade na formação de pensamentos e sentimentos, quando, na verdade, existem outros elementos inconscientes que leem nossa memória e produzem pensamentos, são eles: o gatilho da memória, a janela da memória e o autofluxo. Para o aprofundamento nessa teoria recomenda-se a leitura do livro na íntegra, isso é só uma breve explanação. Temos que dominar todos esses elementos inconscientes para que eles não solapem o nosso "eu". Os gatilhos da memória, as coisas que nos remetem a lembranças, sejam elas boas ou ruins, abrem-nos janelas da memória, em que estão guardadas nossas vivências, isso é algo incontrolável, e pode gerar um autofluxo gigantesco de emoções que se relacionam, de alguma maneira, com a lembrança inicial. Esse fluxo incessante de emoções pode causar síndromes, inquietações, insônia, preocupação excessiva, irritabilidade, dentre outras perturbações que nos roubam a paz e a tranquilidade. Nesses casos não estamos em paz conosco, logo, não conseguimos estar em paz com as pessoas e com o mundo ao nosso entorno. Augusto Cury nos ensina métodos para gerenciar nossas emoções, um deles é reeditar nossa memória, é acerca dessa técnica que gostaria de tecer alguns comentários.

Não podemos deletar nossa memória, tudo que vivemos fica armazenado em nosso consciente ou inconsciente, não temos ferramentas para apagar o passado, é impossível simplesmente esquecer as lembranças ruins, tristes, angustiantes que já temos, todavia, podemos sim lidar de maneira saudável com elas; devemos reescrevê-las de uma forma que não nos causem mais sentimentos ruins. Uma maneira prática de fazer isso é duvidar daquela ideia que você tem como sendo verdade absoluta em sua mente, depois criticar, argumentar contra sua própria concepção e, por fim, determinar a mudança de pensamento que você tem que praticar. Ás vezes, sofremos muito por algo que só está em nossas mentes, talvez uma crítica bem formulada acompanhada de vontade de superar tamanha dor e desilusão façam com que superemos tal sofrimento. Quero atrelar essa reflexão sobre reeditar a memória com o perdão, que, certamente, é a mais sublime de todas as reedições que o ser humano é capaz de fazer, é a substituição de ódio, rancor, ressentimento e dor pela decisão de cura e paz espiritual. Digo cura, porque sentimentos ruins adoecem nossa alma e nos impedem de ser uma pessoa melhor, assim como roubam a nossa paz, sendo que o erro foi do outro, alheio a você, mas que de alguma forma lhe afetou tão profundamente a ponto de contaminar sua alma com rancor. Tem uma frase de Fabíola Simões que conceitua com primazia tudo que disse anteriormente e serve para fechar tudo que falamos acerca da interferência das emoções em nossas vidas, da necessidade de gerenciá-las e do poder de reeditar tudo que nos aflige : " Perdoar não é esquecer: isso é amnésia. Perdoar é se lembrar sem se ferir e sem sofrer: isso é cura. Por isso é uma decisão e não um sentimento... " FB_IMG_1500921854303.jpg


Natalia Cola de Paula

A escrita pulsa em mim, ela é capaz de transformar as pessoas, emocionar, transmitir conhecimentos e sensações. Por isso que escrever é sinônimo de compartilhar saberes, e sonhos. Ademais, é uma experiência que proporciona prazer e aprendizagem a quem escreve..
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