Natalia Cola de Paula

A escrita pulsa em mim, ela é capaz de transformar as pessoas, emocionar, transmitir conhecimentos e sensações. Por isso que escrever é sinônimo de compartilhar saberes, e sonhos. Ademais, é uma experiência que proporciona prazer e aprendizagem a quem escreve.

As pessoas deixam de viver não quando morrem, mas sim quando desistem de sonhar.

Em síntese, vamos tratar de sonhos com certa maturidade e realismo, vendo-os como fruto de nossos esforços e não simplesmente como fatos utópicos, mas sem perdermos a vontade de sonhar e perseguir nossos objetivos, sem perder a determinação de realizar nossas quimeras.


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Usualmente falar a respeito de sonhos significa ouvir discursos repletos de utopia e romantização, não é essa a intenção desse artigo, mas sim de tratar do assunto de forma refletida e com um olhar mais demorado, fugindo do senso comum. Sonhar faz parte de nossas vidas, em algum momento sempre nos deparamos com novos objetivos e desejos, isso ocorre desde nossa fase pueril até a vida adulta, mas a maneira com que sonhamos vai sofrendo alterações conforme o tempo. Tais mudanças na forma de sonhar são oriundas das dificuldades cotidianas, das frustrações vividas, dos obstáculos e dos inúmeros " Não " que recebemos, e isso, por vezes, ceifam nossos sonhos e nos fazem desistir ou mesmo repensá-los. Alguns pontos relevantes devem ser ressaltados quando se aborda tal temática. Primeiramente que é necessário sonhar sim, mas sabendo que a concretização daquele desejo ou objetivo só virá com muito esforço, dedicação e aprimoramento. Em segundo plano, é relevante mencionar a importância dos fracassos para a realização de nossos sonhos, uma vez que nos servem de aprendizagem e de espelho, mostrando-nos nossas falhas.

É comum ver muitas pessoas somente pronunciando sonhos em meras palavras, precisam aprender que isso não é suficiente, é deveras vago apenas dizer a si mesmo ou aos outros que você tem um sonho, esmera alcançar determinado objetivo e não faz, efetivamente, nada para que isso se concretize. Tudo pressupõe esforço e dedicação, logo, para que você alcance seu objetivo ou realize algo de suma importância em sua vida, é necessário, muitas vezes, a abdicação de outras coisas, de outros prazeres e atividades. O que notamos é um absurdo número de sonhadores utópicos, mas sem coragem, força e disciplina para realmente concretizarem tais sonhos. Por isso, deixo aqui esse estímulo, vamos parar de falar da boca para fora nossas aspirações e começar, mesmo que com pequenos hábitos e atitudes, a traçar o caminho concreto que nos levará aos nossos sonhos. Parece clichê dizer isso, mas tudo começa com pequenos passos, pequenos hábitos e esforços cotidianos. Precisamos dedicar tempo àquilo que pretendemos aprender, fazer, conquistar ou realizar, é preciso investir tempo e esforços naquilo que pretendemos nos tornar, em suma, é preciso mais fazer do que falar.

Ademais, deve-se usar os fracassos como aprendizagem. Com certeza, inúmeras vezes, lutaremos com força e determinação para a realização de nossos objetivos e mesmo assim fracassaremos, ficaremos distantes da sonhada vitória ou mesmo no limiar do sucesso. São momentos de muita decepção, em que pensamentos negativos nos assolam... E a sensação de que foi tudo em vão se acentua. Tanto esforço, tanta fé, tanto investimento para que tudo voltasse ao momento a quo, como antes... Pensar assim é um equívoco pelo simples fato de que nunca saímos de nada que participamos da mesma forma que entramos, porque aprendemos sempre. Os fracassos servem de aprendizagem, eles vão nos moldando. Mostram-nos quais quesitos ainda carecem de aprimoramento, em que erramos, em que pontos acertamos e do quanto nos superamos simplesmente por termos tentado e dado o melhor de nós. Por isso que, não é absurdo afirmarmos que por trás de uma vitória há inúmeros fracassos. Ninguém nasceu pronto, tudo exige preparo, dedicação e talento também. Sabe-se que os grandes vitoriosos, sejam no esporte, na música, na esfera acadêmica ou em qualquer área que você cogitar, foram aqueles que souberam lidar da melhor forma com seus fracassos, transformaram aquela decepção em estímulo para se aprimorarem e tentaram novamente. Isso fez-me lembrar de um provérbio chinês : " O fracasso é a mãe do sucesso. " Realmente, todo sucesso é precedido de inúmeros fracassos, que geralmente não são lembrados, mas aquele que passou por eles, saboreia o esperado momento de vitória com muito mais prazer e valoração, por saber da trajetória árdua até ali. Além disto, há uma belíssima frase que encaixa-se perfeitamente ao contexto, retirada do livro " O Pequeno Príncipe " de Antoine de Saint-Exupéry:

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Essa frase é digna de reflexão, deveras, não é porque fracassamos uma ou algumas vezes que devemos desanimar e desistir definitivamente. De maneira metafórica, pode-se dizer que não é porque fomos feridos pelo espinho de uma única rosa, que odiaremos todas as outras. Cada oportunidade é singular em nossas vidas, portanto, se uma não prosperou, só nos resta a certeza de que haverão muitas outras futuras. Disso podemos retirar uma sábia lição: não devemos dispor de nossos sonhos por tão pouco. Diariamente, vemos as pessoas desanimarem por situações ínfimas... encontramos pessoas talentosas e esforçadas que só não obtiveram êxito por meros detalhes (os quais podem ser acertados facilmente) ou por circunstâncias contingenciais, que fogem à sua vontade ou controle.

Nesses momentos é que precisamos ser sábios e analisar criticamente a nossa real situação, fazer como os cientistas, buscar a imparcialidade e ter uma visão externa de nossa própria vida, dos rumos de nossos próprios sonhos, e nos perguntarmos se temos condições e queremos continuar tentando ou se aquilo, na verdade, nem era um sonho, consistia em mero desejo, ou de tanto ficar cobiçando aquilo, passou de sonho para obsessão. Se chegarmos à essa conclusão, o mais sábio e honesto para conosco é abdicar daquilo e buscar novas empreitadas, novos desafios que estejam alinhados ao que nos tornamos e ao que realmente queremos. tal questão merece ser levantada porque inúmeras vezes repetimos tanto algo para nós mesmos dizendo ser nosso sonho e desprendemos muito tempo e energia em busca daquilo, para no fim, nos darmos conta de que aquele sonho, era, na verdade, uma pressão social, um sonho dos pais espelhado nos filhos, ou puramente um equívoco, algo que achávamos importante, mas que com o tempo perdeu sua relevância, não havendo mais motivos para continuarmos perseguindo um objetivo que não nos traz felicidade e realização, que só representa frustração, peso, cobrança e uma sensação de vazio.

Em conclusão podemos reafirmar o título desse artigo: o ser humano necessita de sonhar para viver! Porém, esse sonho não deve ser aquele absurdo, inalcançável ou mesmo restrito a palavras, mas sim aquele trabalhado cotidianamente, em que houve dispêndio de tempo e esforço para sua concretização. Sempre é válido sonhar, isso nos mantém vivos e é igualmente maravilhoso alimentar sonhos, ver as pessoas que se ama realizando-os, ou ao menos aproximando-se deles, é uma sensação incrível. Tão bom quanto alcançar seus próprios objetivos é acompanhar o crescimento do próximo, aconselhar, ajudar, incentivar e estar lá para aplaudir quando a vitória chegar. Mas o que significa a vitória? Bem, a vitória é aquilo que você considera vitorioso, pode ser um simples artigo como este, publicado em um blog, pode ser o sonhado diploma acadêmico, a gravação de um CD, a compra da esperada casa, o lançamento de um livro, a promoção no emprego, enfim, cada um tem suas quimeras, todas elas são grandes para quem as sonha, por isso, só você poderá identificar sua vitória quando ela chegar, porque só você saberá atribuir valor para aquela conquista. As pessoas olhando de fora, na condição de meros espectadores, não podem fazer isso. Dessa forma, não deve-se confundir vitória com reconhecimento, às vezes estarão alinhadas, todavia, podem não se cruzar.É possível que o que você alcance não seja socialmente valorizado e nem aplaudido, pode ser que isso lhe cause espanto, mas a verdade é que o mundo, a sociedade contemporânea, valoriza certas coisas padronizadas e talvez, por esse motivo, mesmo sendo vitorioso você não seja reconhecido. Um exemplo elucidativo disso é do grande poeta Augusto dos Anjos, autor de um único livro " Eu ", que não teve elogios e nem reconhecimento na sua época de publicação, pois ele vivia tempos de Parnasianismo, em que a forma bela e os temas eloquentes eram valorizados, enquanto suas poesias, com vocabulário excêntrico, forma despretensiosa e nada parecida com um soneto ( estrutura usada na época pelos seus contemporâneos como Olavo Bilac ), assim como seus temas depressivos e por vezes científicos demais, eram tidos como abomináveis e foram criticados severamente, mas hoje, suas poesias são lidas, interpretadas e reconhecidas mundialmente.

Para conclusão, deixo-lhes a título de estímulo e reflexão a seguinte epígrafe: " Não se deixem morrer em vida, sonhem e corram o risco de viver seus sonhos! "

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Natalia Cola de Paula

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