Natalia Cola de Paula

A escrita pulsa em mim, ela é capaz de transformar as pessoas, emocionar, transmitir conhecimentos e sensações. Por isso que escrever é sinônimo de compartilhar saberes, e sonhos. Ademais, é uma experiência que proporciona prazer e aprendizagem a quem escreve.

Em busca de equilíbrio.

Todos nós precisamos de mais de um pilar para nos mantermos firmes emocionalmente. O motivo é bem simples, se um dos pilares desmoronar você terá os demais para apoiar-se. Sem dúvidas o sofrimento virá nos visitar perante fracassos e decepções, isso é inevitável, porém, dependerá de nós fazê-lo ou não morada em nossas vidas.


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Vemos pessoas cada vez mais carentes, mais perdidas, mais melancólicas e emocionalmente imaturas e instáveis, incapazes de gerenciarem suas emoções. É comum as pessoas tentarem solucionar seus vazios internos através de subterfúgios como baladas, bebidas alcoólicas, relacionamentos relâmpagos e sem afeto, drogas, ou o uso excessivo de redes sociais. Acabamos, mesmo que inconscientemente, buscando esses “remédios” para sanarem nossa carência afetiva, nossas frustrações pessoais e profissionais ou para não encararmos nossos medos e problemas cotidianos. Esses subterfúgios são artifícios que amenizam nossa realidade ao criarem uma momentânea sensação de bem-estar e felicidade. Mas, como é sabido, o efeito alucinógeno das drogas ( sejam elas as lícitas ou ilícitas ), as pessoas com quem nos relacionamos na balada, bem como os comentários de elogios em sua foto numa rede social são fugazes. No dia seguinte você estará consigo mesmo, apenas; daí virá a sensação de vazio, caso você não seja uma pessoa bem resolvida e satisfeita com aquilo que você tornou-se. Por isso que a melhor maneira de preencher esse vazio é investir em nós mesmos, fazer aquilo que amamos, procurar estudar, se especializar, aprender idiomas, ler, conhecer pessoas, viajar, praticar esportes, enfim, cada um tem que se descobrir e ver o que lhe traz prazer, quais coisas lhe agregam valor. Tal vazio tem dominado essa nova geração extremamente conectada, que vive praticamente refém da aprovação alheia para sentir-se feliz e bem consigo mesma, é uma maneira ilusória de se preencher.

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Esse mesmo vazio têm se alastrado atualmente por causa da expansão da internet e mídias sociais. Tem dominado essa nova geração extremamente conectada, que vive praticamente refém da aprovação alheia para sentir-se feliz e bem consigo mesma, é uma maneira ilusória de se preencher.Não sejamos hipócritas ao ponto de massacrarmos as redes sociais dizendo que elas são maléficas, viciantes, com conteúdo medíocre, dentre tantas outras críticas sensacionalistas que escutamos. As redes sociais possuem aspectos positivos e negativos, é uma questão dialética. Elas permitem aproximar pessoas que estão distantes geograficamente, transmitem informações, conectam pessoas e lugares em questão de segundos, isso é fantástico! A respeito dos conteúdos, há de todo tipo, cabe a cada um discernir o que é de qualidade ou não. Enfim, o problema não está na rede social e sim no mau uso desta. Há pessoas que abdicam do convívio familiar para falar com pessoas estranhas, de lugares distantes e sem pretensão alguma de um dia ter um contato físico com aquela pessoa. Isso é ilógico: afastar-se de quem está perto e aproximar-se de uma pessoa que está longe e não se fará presente em sua vida. Assim como beber com moderação para descontrair não é problema, o problema reside no excesso e no uso da bebida como fuga da realidade. É nesse ponto que temos que tocar, as pessoas possuem a discricionariedade de moldarem suas vidas através de escolhas, podemos sim usar redes sociais, beber, conviver bem com a família e amigos, ser realizado no trabalho, tudo vai depender de escolhas racionais e equilibradas. Quando perdemos o equilíbrio perdemos o controle de nossas vidas. Lembre-se que o remédio em excesso torna-se veneno.

Por isso, é de suma importância termos pilares que equilibram nossa vida, sustentam nossos sentimentos e nos mantém firmes em nossa jornada. Mas, como assim? O que seriam esses pilares? Posso citar alguns deles a título de exemplo, a saber, a família, a espiritualidade (pode ser sua religião ou não), os amigos, o trabalho,o relacionamento amoroso e também uma atividade que você ama muito desempenhar, um “hobby”. Todos nós precisamos de mais de um pilar para nos mantermos firmes emocionalmente. O motivo é bem simples, se um dos pilares desmoronar você terá os demais para apoiar-se. Sua vida não ruirá e nem perderá o sentido caso você tenha uma grande perda ou decepção. Indubitavelmente o sofrimento virá, porém, você saberá lidar melhor com ele ao distribuir suas forças nos outros pilares.

Um exemplo claro de instabilidade emocional que presenciamos corriqueiramente é aquela pessoa que canaliza toda sua energia vital em outra pessoa, em um relacionamento, em detrimento dos outros pilares. Afasta-se dos amigos, deixa a família em segundo plano, não investe em sua carreira profissional e nem procura desempenhar seu “hobby”. Essa pessoa tornar-se-á vazia com o decorrer do tempo. Se esse relacionamento não prosperar ela perderá a estabilidade emocional, porque faltou-lhe equilíbrio desde o início. Tanto o excesso quanto a falta são polos negativos para se estacionar. Por mais que houvesse amor verdadeiro chega um momento que fica insustentável essa situação do seu parceiro ser a única coisa importante em sua vida. Ademais, é pesado demais para ambas as partes essa situação, uma vez que você deposita no outro a responsabilidade de sua felicidade, porque você, por si só, não se esforça para ser feliz, simplesmente terceiriza e transfere ao outro tal responsabilidade. Isso reflete negativamente em ambos, uma vez que você deixa de viver momentos incríveis, abdica de grandes experiências. Além disso, ao delegar ao outro sua felicidade faz com ele sinta-se cobrado.

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Há o outro lado da história, pessoas que pensam exclusivamente em sua carreira profissional, ambiciosas, que colocam em segundo plano as pessoas amadas e afastam-se de sua espiritualidade para buscarem seus sonhos e objetivos, dando-lhes total prioridade. Tornam-se solitárias e carentes. O ser humano, por mais que negue e esconda-se por detrás de uma armadura de autossuficiência, desapego e independência, precisa de toque, precisa de atenção, precisa ouvir e ser ouvido, enfim, necessita de carinho, por mais que não aparente. Há pessoas que ficam tão imersas e focadas na obtenção de suas metas que quase dispensam esse convívio humano, entretanto, quando seu mundo rui, quando seu sonho não é alcançado, quando aquele seu objetivo, que foi prioridade durante anos em sua vida, que lhe fez depreender a quase totalidade de seu tempo e esforços, vem ao chão, elas simplesmente perdem o sentido. Seu mundo desmorona porque você não tem mais nada e ninguém. Não há pessoas para lhe consolar ou amparar, porque durante a perseguição de seu objetivo você afastou todas, ou impediu que muitas legais e que lhe amavam entrassem em sua vida.

Somos muitos em um só. Pais, filhos, namorados, estudantes, profissionais, leitores, espectadores, dentre tantos papéis que assumimos. Somos plurais, somos vários em um único ser, daí a iminente dificuldade em gerenciar nossas emoções em todos os âmbitos de nossa vida. Quando algo dá errado, quando parte do que estimamos desmorona, por vezes, ficamos abalados. O sofrimento virá nos visitar, isso é inevitável, porém, dependerá de nós fazê-lo ou não morada em nossas vidas. Não concentrar em um único pilar nossas forças, sonhos, expectativas e felicidades é uma forma de proteger-se, porque se um deles desmoronar teremos os outros para nos apoiarmos. É uma forma sábia de lidar melhor com os problemas e sofrimentos. Caso contrário, ruiremos a cada frustração, a cada desapontamento, a cada decepção, e fica difícil reerguer-se diante de tantas quedas.


Natalia Cola de Paula

A escrita pulsa em mim, ela é capaz de transformar as pessoas, emocionar, transmitir conhecimentos e sensações. Por isso que escrever é sinônimo de compartilhar saberes, e sonhos. Ademais, é uma experiência que proporciona prazer e aprendizagem a quem escreve..
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