Natalia Cola de Paula

Escrever é fazer arte, é dividir conhecimento, é aprender com cada frase, é libertar-se.
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Não se compare, inspire-se!

Todas as comparações incorrem em erros, pois todas pessoas são diferentes e não possuem a mesma vida e nem as mesmas experiências. Se for para comparar-se, compare sua versão presente com a do passado.


Uma atitude comum entre os seres humanos é a comparação. Isso acontece dentro de casa, os pais comparando os filhos; na família, os pais comparando os filhos com os sobrinhos; na escola e faculdade, comparação entre os alunos da sala; na internet, comparações com atrizes e celebridades, e assim infindavelmente.

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Tal cenário comparativo agrava-se com o advento das redes sociais, uma vez que as pessoas expõe ali sua melhor versão, seus melhores momentos, sua melhor roupa, com a melhor maquiagem, usando o sapato novo e naquele lugar maravilhoso. Acontece que aquela postagem, ou aquele "stories" ou "status", é apenas um clique de um momento efêmero, na maior parte do dia, mês e ano, as pessoas não possuem essa vida de ostentação e beleza. Então por que as pessoas só mostram cenas bonitas e agradáveis de si mesmas? Porque vivemos em uma sociedade que oculta as tristezas, os problemas e enaltece a beleza, os bens materiais e o "status social". Assim, há um ciclo vicioso virtual em que as pessoas estão sempre se mostrando bem, felizes, comendo bem, vestindo-se conforme a moda, frequentando lugares legais e acompanhadas de amigos e namorados. Não há problema algum em realizar uma postagem feliz, de estar bem consigo e com as pessoas ao seu redor, o problema consiste em forçar e forjar a felicidade, e em menosprezar-se por comparar sua vida imperfeita com a fictícia perfeição exagerada pelos outros nas redes sociais.

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Esse cenário de exposição nas redes sociais em que estamos atualmente inseridos corrobora com as comparações, conforme dito. Acontece que as pessoas não são iguais, cada um tem suas vivências e experiências, seus defeitos e qualidades. Não dá para tecer comparações entre as pessoas sendo que cada uma tem um estilo de vida, um modo de ser, agir, pensar, amar e sonhar. Simplesmente, comparações só servem para limitar.

A título de exemplo, peguemos uma moça comum e uma atriz global. Obviamente a moça comum terá uma rotina comum, acordar, talvez fazer um exercício físico, comer, estudar, trabalhar, cuidar dos afazeres domésticos etc. Por outro lado, a atriz global terá uma rotina diferente, inerente à sua profissão. O que precisamos entender é que atrizes, modelos e celebridades vivem da própria imagem, elas precisam estar sempre belas para a gravação da novela ou para aquela entrevista. Necessitam de um corpo malhado, precisam de um cabelo hidratado, de uma roupa estilosa, uma unha bem feita, porque esse é o mundo delas. Obviamente elas depreendem tempo para isso, alimentação regrada, exercícios físicos, infinitos tratamentos de beleza cujos nomes até desconheço. Não há problema algum em nada disso. O intuito aqui não é criticar a moça comum e nem a celebridade pelo modo de vida que cultivam. O fito é esclarecer que são pessoas diferentes, com vidas diferentes e prioridades diferentes, logo, não podem ser comparadas. Toda comparação que for feita entre desiguais incorrerá em equívocos e poderá servir para minar a auto-estima de uma das partes.

Já ficou claro que comparações com terceiros são errôneas porque cada pessoa tem a sua singularidade. Agora vamos explicitar uma comparação muito comum. A comparação que diminui, que mina o valor, que subtrai a auto-estima e faz sentir-se pior do que o outro. Essa comparação ocorre quando comparamo-nos com pessoas que julgamos serem melhores do que nós. Só abrindo uma aspas aqui, ninguém é melhor do que ninguém, mas, por vezes, nossa mente rotula as pessoas injustamente assim. Quando comparamos nossa vida, nossas conquistas, nossas roupas, nossas notas universitárias, nosso corpo, nosso cabelo, nosso guarda-roupas, nosso carro, nossa casa, com os de outra pessoa que consideramos ideal, maravilhosa, com coisas magníficas e melhor que nós, nos sentimos ínfimos e piores seres humanos. Esse sentimento comparativo parvo só nos traz malefícios e não corresponde à realidade dos fatos. Não é que o terceiro é mais inteligente que você só porque tira mais nota em determinada matéria, é que a realidade dele é diferente da sua, a forma de aprendizagem e a bagagem acadêmica dele é diferente da sua. Olhamos o outro e nos comparamos mesmo desconhecendo a realidade alheia. Você não sabe o quanto ele se esforçou e estudou, também não sabe se ele possui afinidade e uma inerente facilidade com a matéria em comento. Qualquer comparação que faça, qualquer conclusão que retire, será injusta consigo mesmo e com a terceira pessoa. Será injusta com você porque se diminuirá e questionará seu esforço baseando-se em uma nota de uma pessoa sem entender as peculiaridades de cada um. Será injusto com a terceira pessoa porque você não sabe os esforços feitos por ela para alcançar aquela nota e nem a realidade da vida dela.

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A respeito disso, um primeiro ponto que é importante frisar é que a comparação com alguém que você julga ser melhor que você em determinado aspecto pode tornar-se um sentimento diminuidor e degradante. Não devemos deixar isso tomar conta de nosso ser. Ao invés de ficar aí observando a vida alheia e diminuindo-se ao olhar para a sua própria realidade, olhe para o outro e inspire-se. Evolua como ser humano para não cultivar inveja, nem criar um complexo de inferioridade. Observe o que você admira no outro, note a característica que você enaltece nele, como a inteligência, persistência, beleza física, estilo de vestir-se, corte de cabelo e inspire-se. Tente aprender com o outro qual caminho ele percorreu para alcançar algo que você almeja, e adapte isso a sua rotina, a sua realidade, ao contexto de suas possibilidades. Isso é evoluir, é olhar para o outro e não invejar e nem se sentir mal comparando-se, mas sim admirar pontos positivos nele, saber que ele não é melhor do que você, só está em um momento e uma situação de vida diferente da sua e também trilhou um caminho que talvez você ainda não tenha trilhado, e tudo bem! Cada um deve entender que tem seu tempo e suas singularidades.

Por fim, costurando todas as ideias aqui explanadas, vale a pena citar uma frase do ilustre filósofo grego Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo." O autoconhecimento faz com que você se olhe com mais cuidado e carinho, sabendo quem é, onde quer chegar, quais são suas prioridades, sonhos e objetivos, pontos fortes e fracos, assim, não tecerá comparações infundadas, pois será sábio o suficiente para olhar para a vida alheia e extrair admiração e inspiração. Ninguém é melhor e nem pior do que ninguém. Todos estamos aqui evoluindo. Não despreze quem é, seu aprendizado, suas experiências, tenha orgulho de quem está tornando-se, siga seus planos ao seu tempo. Simplesmente pare de se comparar com os outros, seu caminho é só seu, trilhe sua própria história, pois você é o autor e ator da sua telenovela chamada vida. Se for para comparar-se, compare-se com você mesmo no passado e procure ser 1% melhor hoje do que foi ontem, e, para isso, inspire-se em pessoas de sucesso, admiráveis, sem se comparar.


Natalia Cola de Paula

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