recanto dos ventos indomados

Oferecendo um gole de leveza

Mariana Rosa

Num estado perpétuo de inspiração para ler, dançar, amar, e por em prática todos os verbos que regem o mundo.

A Instituição da Imagem *

A relação entre a universidade e a ascensão social na atualidade está cada dia mais ligada. A busca pelo Ensino Superior voltada, muitas vezes, à intrínseca necessidade pessoal de não apenas adquirir conhecimento, mas um status, contribui para a desvalorização do ensino em si


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A difusão do conhecimento, surgido a tantos séculos atrás, com o desenvolvimento das universidades, tinha como função especializar as pessoas para as ciências em geral e torná-las aptas a serviços na burguesia.

Desde então as academias detêm um poder imprescindível na nossa sociedade, sendo uma instituição de caráter fundamental para a formação não apenas de profissionais, mas como de humanos.

Nossa sociedade vive em uma época basicamente voltada ao espetáculo, devidamente a diversos fatores, a grande maioria está voltada à eterna busca da ascensão e visibilidade. A academia se tornou um dos principais meios dessa elevação social. Nossa cultura detêm a imagem de uma pessoa formada como sendo alguém portador de elevado status social. Não é uma visão demagoga, porém deve ser refletida para não nos calcarmos apenas nela.

O ensino superior não apenas no Brasil, teve uma grande evolução, não no sentido qualitativo, mas na expansão e nas formas de ingresso que juntamente às transformações sociais permitiram que milhares de pessoas que antes jamais poderiam frequentar uma faculdade, possam hoje ser formadas. O termo "formado" que utilizamos a aqueles que concluíram esse ensino superior, já com sua etimologia nos remete a ideia de que essas pessoas são as prontas para o mercado, preparadas para a sociedade, que a contraponto os que não são "formados" não têm a capacidade de estar na esfera pública com triunfo. Podemos afirmar sim que o leque de abrangência da faculdade se abriu. Mas a universidade é tendenciosa.

A educação no nosso país, que é a base primordial para a capacidade de seguirmos nessa vida acadêmica, não permite que haja equidade. Partindo do fato que o ensino básico público não prepara ninguém ao âmbito acadêmico. A tão discutida desigualdade emerge de uma maneira gritante ao examinarmos o ingresso às faculdades. A elite que redigi as regras, e o caminho a qual as instituições e sociedade devem seguir, e é imparcial, não permite que as classes inferiores possam ter as mesmas oportunidades.

Não tira-se o direito de ninguém de desejar uma educação e escolaridade maior, para assim ter melhores oportunidades. Mas esse desejo se dá a partir da segregação que fazemos, de origem cultural, que menospreza os trabalhos que são mais técnicos do que intelectuais, exaltando os de maior renome social.

A deficiência educacional, e consequentemente social que vivemos acentua essa dificuldade de homogenizar as condições e preparo de todos à entrada na faculdade. E por ser possível apenas para a minoria da população, os que a frequentam são superiorizados. A utopia de valorização de todos os setores e trabalhos sendo eles menos ou mais intelectualizados, não deve ser tão inatingível, todos os perfis e serviços são imprescindíveis e de inestimáveis valores. Não é uma glorificação ao comunismo, não se pretende defender a falta de expressão, muito pelo contrário, o ponto é estimar as singularidades e democratizar o poder de alcance às oportunidades para todas as classes. Mas isso seria um trabalho a longo prazo do governo e de outros setores.

O laboratório do pensamento cedeu lugar à mecanização do aprendizado. Mesmo aqueles da elite (que constituem a maior parte dos ingressos das universidades) considerados cultos, foram adestrados a apenas objetivarem a diplomacia consequente do ensino superior. É do homem a necessidade de se sentir sábio e apto a alguma atividade, mas também é da natureza humana esse estado de utilidade se converter num desejo de engrandecimento próprio em meio à sociedade.

* Não apenas, mas também


Mariana Rosa

Num estado perpétuo de inspiração para ler, dançar, amar, e por em prática todos os verbos que regem o mundo. .
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