recanto dos ventos indomados

Oferecendo um gole de leveza

Mariana Rosa

Num estado perpétuo de inspiração para ler, dançar, amar, e por em prática todos os verbos que regem o mundo.

O Flutuar de Chagall

Chagall: Uma leveza e um infantilismo que pesam sobre algum resquício de realidade que temos dentro de nós
“Haverá sempre crianças que amarão a pureza, apesar do inferno criado pelos homens”


“ Sempre haverá cores puras, música, poesia. Sempre haverá artistas atraídos pela luz.” -Marc Chagall

self-portrait-with-seven-digits-autoportrait-1913.jpg self portrait with seven fingers

Marc Chagall içou o mundo fictício. Vivendo entre 1887 a 1985, foi um notório artista que exprimiu o otimismo e comunhão Demonstrando que a ternura poderia ser vivida, mesmo em meio ao caos.

Considerado um pintor, e gravurista surrealista, não tinha uma preocupação racional. Suas pinturas eram ou faziam alusões a sonhos, cenas retiradas de algum devaneio qualquer. Desde cedo entrou em contato com a arte moderna, e com a nova leva de artistas que transbordavam vivacidade.

Suas telas eram o realejo à vida e a docilidade. Não foram maioria, as realizações que fugiram dessa temática afável. Muitas de suas obras são fundamentações das próprias experiências.

Estando numa Rússia czarista, em tempos conflituosos, onde o judaísmo não era um princípio tolerável, e mesmo traçando ainda referências a desapreços vividos, manteve na sua arte o toque de bondade e paz. Chagall também produziu quadros religiosos. Sua vida foi bem marcada pela religiosidade, vindo de uma família judaica, transpôs em pinturas elementos que demonstram sua fé e preocupação espiritual.

White Crucifixion White Crucifixion

A retratação de Cristo crucificado, foi o trazer de um sofrimento. A preocupação com as dores do mundo. Como Chagall tinha sua licença onírica, nessa pintura vemos peculiares episódios soltos, que juntos compõe um cenário saturado de significações e turbulência. Uma mãe protegendo e acalentando o filho em meio ao caos, Sinagogas incendiadas, reviradas. E a imagem de um Jesus judeu, não apenas representando a salvação dos povos, mas sendo um mero sofredor.

Em diversas outras pinturas, trouxe à tona passagens bíblicas, como Adão e Eva no Jardim do Éden, por exemplo. Em muitas delas transmitiu uma certa dramacidade, já que contextualizaram muitas vezes, as feridas ainda atuais das vicissitudes humanas.

Adão e Eva.jpg Adão e Eva expulsos do Paraíso

Sendo consequência de seu estilo pessoal e psíquico teve imensa estima à família. Evocando o amor e a infância, em cenários sempre alucinantes, emanando um faz-de-conta espiritual.

Marc Chagall, 1909, The Russian Wedding.jpg O casamento russo

621c39dd9313431c938978f0bc41d87c.jpg Família de Pescador

Uma peculiar característica sua é o flutuar. Sim, os pés longe do chão. Além desse mundo. Uma marca bastante onírica. Há uma interpretação de que o irreal está aqui. Que sondamos o transcendente, e que a leveza pode ser alcançada. A maioria de suas obras contém algum sujeito fora do chão:

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Em algumas imagens podemos sentir o amor fazendo ultrapassar a superfície comum, é uma fuga dos grilhões da condição humana. Sobressaindo-se da realidade, ela nos mantém no chão, os sonhos não. Ironicamente ele realmente retirou suas pinturas da zona comum e as elevou, pintou o teto da Ópera de Paris, subliminando sua pintura. Em 1964, decorou a majestosa Ópera Garnier. A condecorou celestial, estava agora flutuando sobre as construções humanas.

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Chagall também decorou diversas janelas e tetos ao redor do mundo, devotou parte de sua criatividade a vitrais, tapeçarias, cenários e diversos outras manifestações abundantemente ricas e criativas.

Mesmo não se adentrando à literatura ou poesia, Marc, a todo instante nos deleita de versos não esquematizados, mas subjetivos entre essas tantas pinceladas de sonhos.


Mariana Rosa

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