Monique Cougo Rodrigues

Reflexiva, amante de literatura, fotografia, filosofia e artes em geral. Vejo poesia nos detalhes, questiono até o que é mais simples e valorizo além do que é apenas essencial

O pecado da indiferença

Como disse Érico Veríssimo, o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença.


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Sentir-se indiferente é viver o banal no seu modo mais chato. O sentimento de indiferença é contraditório por si só, pois é um sentimento difícil de detectar, já que ele não arde como a raiva e também não dói como a tristeza. Muitos sentimentos brilham de maneiras distintas, por isso é fácil identificar quando estamos empolgados: O “frio na barriga” deixa isso bem claro. Está apaixonado? É natural que o seu coração comece a bater mais rápido e suas bochechas corem com mais frequência.

E a indiferença? Ela nos tira o sal. Já presenciou um olhar insosso? É triste, porém mais comum do que imaginamos. A indiferença nos rouba o brilho da vida, das companhias, o valor do ser humano. Ela abafa nossos questionamentos, fazendo com que não pensemos em buscar nada além do que já temos. Ela nos faz acreditar que não há mais o que evoluir, pois nos mantém em uma zona de conforto que traz uma grande estagnação para dentro de nós.

É a partir da indiferença que começamos a parar no meio do caminho. De repente o mundo vai perdendo a cor, o sorriso de uma criança não importa mais. Os problemas do mundo já não são mais problemas seus. Você passa a viver como se não pertencesse a lugar algum ou a alguém. Sua inspiração vai embora, a compaixão não faz mais parte de você. Onde estão seus amigos? Desistiram de te procurar, pois cansaram ao perceber que talvez você simplesmente não se importe mais.

O pior de tudo é que você se sente confortável assim, pois sentimentos avassaladores quase não o perturbam mais. É melhor não sentir nada do que sofrer, certo? Errado! Por mais que o sofrimento seja difícil de lidar, é ele que nos move a sermos melhores. É ele que nos faz enxergar as classes menos favorecidas, é ele que nos ensina. É ele que nos permite transcender, mover o mundo através da empatia. Sentimentos fortes nos tornam vivos.

Por isso, viva os seus sentimentos mais profundos um a um, estude-os. Pense sobre eles, deixe que eles te movam a fazer o que é certo, pratique a compaixão. Não deixe que eles tomem conta de você, racionalize; só não permita que a indiferença cresça, te barre e apague sua luz, roubando seus talentos e te impedindo de fazer a diferença.

Uma vez, Martin Luther King disse que o que o assustava não eram os gritos das pessoas más e sim o silêncio e a indiferença das pessoas boas. Porque viver indiferente não é viver, é vagar e deixar seu próprio ser dormindo enquanto seu corpo sai para trabalhar.


Monique Cougo Rodrigues

Reflexiva, amante de literatura, fotografia, filosofia e artes em geral. Vejo poesia nos detalhes, questiono até o que é mais simples e valorizo além do que é apenas essencial.
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