reflexões de um cronista

Sentimentalismos, opiniões e reflexões de um jovem que vive numa sociedade desumana e acrítica.

Matheus Dantas

Pernambucano, acadêmico de jornalismo, blogueiro e eterno aprendiz na complexa escola da vida

Os paradoxos e a arte de viver

Não se preocupe com o fim, sem antes passar pelo meio.


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Quando chegamos ao mundo e escrevemos o nosso nome no mural da existência, é nos dado o direito de escolha. Este, é utilizado para nos fazer decidir entre as opções possíveis, seja nas situações mais corriqueiras, como: Qual roupa vestir, que caminho percorrer ou o que fazer no tempo livre; Ou nas mais importantes, como: Escolher qual carreira profissional seguir, com quem se relacionar e quais objetivos alcançar. Porém, há um termo que independentemente das escolhas individuais, estará presente na trajetória de todos: A morte.

Parando para pensar, não existe nada mais paradoxal do que viver sabendo que vai morrer. É como começar um negócio, um plano, um projeto, sabendo que, não importa o que se faça, ele irá acabar. Já não bastasse a tamanha complexidade desta certeza, ela trás consigo uma dúvida (caímos em outro paradoxo) ainda mais inquietante: Afinal, quando chegaremos ao fim da linha? A que horas? Como? Porque?. Apesar de delicadas, são justamente a certeza e a dúvida, que dão um sentido singular a vida, e fazem com que ela seja algo tão especial e único.

A certeza de que somos mortais não é, necessariamente, algo ruim. Se fôssemos eternos, não teríamos objetivos, não traçaríamos metas, deixaríamos sempre para depois, o que poderíamos fazer naquele momento; procrastinaríamos (ainda mais), cairíamos na zona de conforto e empilharíamos dias vazios, legados insignificantes e histórias extremamente parecidas. Não teríamos um sentido para existir, tendo em vista que sempre teríamos todo o tempo do mundo.

Saber a hora de morrer também não seria nada vantajoso. Já imaginou se você lembrasse que só tem mais dois dias de vida? Com certeza iria passar as últimas 48 horas de existência recebendo palavras de compaixão e olhares entristecidos de todos com que você convive, ficando assim, ainda mais angustiado, já que além da morte, teria que encarar um ambiente desolador, regado à lágrimas e a despedidas provenientes de todas as pessoas que você mais ama.

A vida é, de fato, perfeita. Não há nada mais magistral, perfeito e singular do que ela. Com isso, em meio à certeza e à dúvida, surge um conselho: Viva intensamente. Conheça lugares, percorra novos caminhos, marque e seja marcado por pessoas, faça de cada mísero segundo, uma eternidade; colecione momentos, expresse seu amor, abrace, seja grato, divirta-se, contemple as estrelas... Faça da sua jornada um trajeto único, que, apesar dos obstáculos, mantém-se inalterável e, só assim, alcançará uma formação que nenhuma faculdade, universidade ou instituição de ensino poderá proporcionar: A de doutor(a) na arte de viver.

P.S.: Texto em memória de Ronnie Peterson (1995-2017) e Mickael Matheus (1999-2017), doutores conceituados na complexa escola da vida.


Matheus Dantas

Pernambucano, acadêmico de jornalismo, blogueiro e eterno aprendiz na complexa escola da vida.
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