reflexões de um cronista

Sentimentalismos, opiniões e reflexões de um jovem que vive numa sociedade desumana e acrítica.

Matheus Dantas

Pernambucano, acadêmico de jornalismo, blogueiro e eterno aprendiz na complexa escola da vida

Nós, os diferentes

As vezes cansa viver em meio a um ciclo vicioso repleto de futilidades, movido por aparências e sustentado pela repetição acrítica de determinadas atitudes.


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Com o tempo, você começa a perceber que a maioria das pessoas não enchem a cara porque curtem uma ressaca ou porque gostam de imaginar como conseguiram chegar em casa na noite passada, mas só para serem aceitas socialmente, para aparecer na selfie feita com a galera numa mesa de bar e posteriormente se gabar por ter bebido todas.

Você percebe que a maioria possui o mesmo estilo. As roupas só variam em relação as cores, os sapatos só mudam de tamanho e os cortes de cabelo não possuem diferença alguma. A marca da roupa fala mais alto que o poder aquisitivo e mais vale comprar uma peça de uma empresa mundialmente conhecida e ficar com a carteira vazia pelo resto do mês, do que duas de marca intermediária, mas que cabem no orçamento, cumprem a mesma função e vestem tão bem quanto.

Você percebe que a maioria escuta as mesmas músicas. Sim, aquelas que possuem letras que falam demais e não dizem nada, que são reproduzidas com um solo manjado e um refrão chiclete, que é responsável por fazer a canção ser tocada nos quatro cantos do país por no máximo um mês e depois cair no profundo esquecimento. Em suma, produções comerciais, não artísticas.

Você percebe que a maioria possui um vazio enorme. São raros os casos em que há o verdadeiro amor numa relação, e o pior é que ambos os envolvidos sabem disso, mas recusam-se a querer ver o que está explícito não só aos olhos, mas também ao coração. Pelo medo da solidão, pelo status de estar em um namoro e pela carência, as pessoas mergulham de cabeça em relacionamentos rasos, e estabelecem vínculos afetivos com pessoas que não tem nada a acrescentar-lhes em nenhum sentido.

Você percebe que a maioria se preocupa em demonstrar o que não é. Basta entrar em qualquer rede social: Todos os usuários enchem seus perfis com fotos felizes, em locais atraentes e com legendas que exprimem uma alegria constante. Parece até que não possuem problemas, dificuldades, anseios e medos. Cada um tenta passar a ideia de que tem o melhor emprego do mundo, que possui o(a) parceiro(a) ideal, que reside na casa dos sonhos e que vive numa realidade perfeita.

E em meio de toda essa padronização, estamos nós, os diferentes. As pessoas que não vêem muita lógica ou necessidade nas atitudes acima citadas. Parece que enxergamos o mundo por outro ponto de vista ou que vivemos num estilo de vida à parte. Optamos por viver os momentos ao invés de registrá-los através das câmeras, priorizamos um elogio verdadeiro dito face a face, em detrimento de comentários frios e automatizados numa foto postada na rede social; nos preocupamos em ser, não em ter; queremos um amor que dure a vida toda, e não apenas um verão.

É como se a vida fosse uma grande máquina, na qual as pessoas são equiparadas a peças. Dessa forma, cada peça possui uma função diferente, mas de suma importância para o correto funcionamento de todo o sistema. O problema é que você não consegue se encaixar em local algum. Talvez por possuir a uma remessa diferente, por ser de uma versão mais nova ou mais velha, quem sabe.

É verdade que muitos não nos compreendem, mas isso é apenas consequência, afinal, são repetidores: Vivem em função do que a maioria faz, veste, compra, escuta ou tem. Queremos histórias para contar e não bens para empilhar, queremos ouvir poesias e reflexões e não qualquer barulho que é convenientemente chamado de música, queremos encontrar outros diferentes para que só assim, possamos nos sentir iguais.

Enquanto isso não acontece, os dias avançam, tudo se mantém inalterável e ansiamos ainda mais pela busca de nosso destino, já que parecemos viver numa realidade que não é de fato nossa. Resta dar tempo ao tempo, e esperar que o mesmo nos coloque gradativamente no nosso devido lugar. Como diria Benjamin Franklin: "Aquele que tiver paciência terá o que deseja."

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Matheus Dantas

Pernambucano, acadêmico de jornalismo, blogueiro e eterno aprendiz na complexa escola da vida.
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