reflexões de um cronista

Sentimentalismos, opiniões e reflexões de um jovem que vive numa sociedade desumana e acrítica.

Matheus Dantas

Pernambucano, acadêmico de jornalismo, blogueiro e eterno aprendiz na complexa escola da vida

Utilize o passado apenas para consultas

A pior das prisões não é composta por muros ou grades, mas sim por lembranças. Chama-se passado.


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Não há nada mais complexo e intrigante do que o tempo. Essa unidade que marca nossas conquistas, que delimita compromissos, que nos faz amadurecer para a tão esperada colheita chamada de "vida" e que dita o ritmo de nossa existência, está em constante alteração, fazendo com que, segundo a segundo, o futuro seja alcançado pelo presente, se tornando passado.

Passado. Apesar de tão breve, essa palavra é carregada não só de significados distintos, mas também de importância. A relevância do termo se dá por ser justamente nele, que estão contidas todas as nuances das trajetórias de nossas vidas. O primeiro dia de escola, o primeiro dente de leite, o primeiro amor, o primeiro emprego, a primeira habilitação...

Mas, nem só de alegrias e de boas memórias é composta a vivência. Em meio aos acertos, se escondem a dor, a decepção, a extrema raiva, a desilusão, a tristeza... E é graças a isso, que a definição de "passado" é algo tão individual e amplo. Se para alguns, o mesmo é repletos de bons momentos, dias memoráveis e grandes conquistas; para outros, é lá onde residem os traumas, as piores lembranças e a completa aflição. Para estes últimos tal situação, senão administrada, pode gerar grandes complicações.

O passado é extremamente importante. As lembranças e memórias, sejam elas boas ou más, tiveram grande influência no processo de lapidação, de aperfeiçoamento e de construção do que somos hoje. Afinal, somos o produto da soma de nossas experiências. Somos, apenas, um reflexo do caminho que trilhamos. O grande problema é quando o pretérito se recusa a partir, contaminando o presente e, consequentemente, impedindo a construção do futuro.

É nesse momento que devemos reagir, recusando-nos a viver num eterno déjà vu que, além de fazer com que a vida se estagne, nos impede de descobrir novos rumos. O passado deve ser encarado, apenas, como uma espécie de biblioteca, que está disponível para consultas a qualquer momento, em qualquer lugar. Lá, podemos ter acesso as muitas obras que, juntas, descrevem toda a história de nossa existência, de forma detalhada e de fácil entendimento. Utilize-a sempre, mas não queira fazer dela sua morada. Lembre-se: Não tem como mudar o que já foi feito, mas há como alterar o que ainda está sendo construído.

E aí? Vai querer continuar lendo a mesma história de sempre ou prefere dar novos personagens, lugares e cenas ao enredo? A escolha é toda sua.


Matheus Dantas

Pernambucano, acadêmico de jornalismo, blogueiro e eterno aprendiz na complexa escola da vida.
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