reflexões em pauta

Da objetividade à subjetividade dos fatos

Leila Bonfietti Lima

Jornalista por curiosidade desde que nasceu e por formação desde 2006. Mestre em divulgação científica e cultural. Ama dançar, conversar e desenterrar fatos antigos. Não enxerga nada sem óculos e sorri para as pessoas na rua.

Bem-vindo à fase Eye of the Tiger

A famosa música Eye of the Tiger começa a ser tema da saga Rocky apenas a partir do terceiro filme. Saiba porque isso acontece e como essa música apresenta uma reviravolta na sextologia.


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Apesar da infância hiperativa (correndo descalça para lá e para cá, dançando e virando estrela), minha relação com os esportes sempre foi como de água e óleo. Não tinha nenhuma habilidade com bolas e quando era a penúltima a ser escolhida para o time na aula de educação física já dava pulos de alegrias.

Por outro lado, por incrível que pareça, meus filmes favoritos da infância sempre foram relacionados aos esportes; ou melhor, àqueles times que ficavam na lanterna e “ninguém dava nada para eles”, mas que, devido à garra, determinação e espírito esportivo e de equipe acabavam ganhando o título, e o filme tinha um final feliz.

Quem não se lembra do time de hockey dos Patos (trilogia The Mighty Ducks - Nós somos os campeões) ou dos Looney Tunes que pediram uma ajudinha para o Michael Jordan (Space Jam)? [Acho que por isso fui a única que acreditou na seleção brasileira até o último minuto nos 7x1].

Mas não era à toa que eu gostava desses filmes, eu me identificava com aqueles personagens. Assim como me identifico com o Rocky Balboa, o boxeador interpretado pelo Sylvester Stallone em seis filmes no decorrer das décadas de 70, 80, 90 e até 2000.

E ao contrário dos filmes que estava acostumada a assistir na infância, Balboa, em Rocky, um lutador (1976), não era o favorito na luta de boxe com Apollo Creed e perde o combate. Mas o resultado é definido por decisão apertada após 15 longos e sangrentos rounds, que mostraram toda a determinação dos esportistas.

O primeiro filme ganhou o Oscar de melhor filme em 1977. Os demais são Rocky II (1979), Rocky III (1982), Rocky IV (1985), Rocky V (1990) e Rocky Balboa (2006).

Com certeza vocês já perceberam que o tema da saga Rocky - Eye of the Tiger - sempre é tocado em situações de competição. No entanto, há uma curiosidade sobre os filmes e a música que nem todo mundo percebe.

Eye of the Tiger começa a ser tema da saga apenas a partir do terceiro filme. E isso faz toda a diferença!

As famosas cenas de treino do primeiro e do segundo filme, como a que ele sobe a escadaria da Philadelphia, [inclusive realmente existe a estátua dele lá] são embaladas pela trilha (não menos emocionante) Gonna Fly Now.

Mas é no terceiro filme que Eye of the Tiger entra em cena, quando Rocky está em uma fase de 10 vitórias consecutivas e um adversário mais forte o desafia. Ele necessita de muito mais força para enfrentá-lo. Mas, de onde tirar essa força? Do Olho do Tigre!

Rocky precisa ter “Sangue nos Zoio” para vencer as suas próprias limitações, ou seja, ser humilde para perceber que as suas conquistas até ali foram importantes, mas que, para se superar, é preciso treinar mais e mais e ter o mesmo brilho no olho do início. E quem diz isso para ele é o seu primeiro grande adversário, Apollo Creed, que o venceu no primeiro filme e perdeu na revanche (Rocky II).

Além de todas as mensagens que a saga traz, percebi também que para sair da zona de conforto não basta apenas dar o primeiro passo, já que construímos as nossas zonas de conforto de acordo com a nossa rotina. Por isso, temos que estar cientes disso e sempre tentar sair dela. É o ciclo da vida.

Então, agora é Sangue nos Zoio e rumo à fase Eye of Tiger! (Me vi agora colocando a faixa vermelha na cabeça e aquela tinta preta no rosto como se estivesse indo para a guerra... Mas aí o filme é outro, apesar do ator ser o mesmo).


Leila Bonfietti Lima

Jornalista por curiosidade desde que nasceu e por formação desde 2006. Mestre em divulgação científica e cultural. Ama dançar, conversar e desenterrar fatos antigos. Não enxerga nada sem óculos e sorri para as pessoas na rua..
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