reflexões em pauta

Da objetividade à subjetividade dos fatos

Leila Bonfietti Lima

Jornalista por curiosidade desde que nasceu e por formação desde 2006. Mestre em divulgação científica e cultural. Ama dançar, conversar e desenterrar fatos antigos. Não enxerga nada sem óculos e sorri para as pessoas na rua.

Você dança bem, apesar de ser gorda

Esse texto não é sobre reeducação alimentar ou emagrecimento. É sobre elogios! Mas, vocês já perceberam que muitos elogios vêm antecipados ou seguidos de críticas? Ser elogiado é o reconhecimento de um processo que, muitas vezes, não foi fácil. Por isso, atualmente, aquele que é sensível o bastante para reconhecer algo bom no outro, realmente, merece o meu sincero elogio.


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Esse texto não é sobre reeducação alimentar ou emagrecimento.

Na verdade, quero falar sobre elogios que aparecem a partir de críticas. Um assunto muito comum, já que, infelizmente, as pessoas nunca estão satisfeitas com elas mesmas (ok! assumo) e muito menos com as outras.

Fim de ano, confraternização e demonstração de carinho, amor e amizade. Lembro-me que no último domingo do ano de 2012, o Fantástico apresentou uma matéria sobre elogiar mais as pessoas. Provavelmente em 2015 teremos reportagem semelhante. Naquele ano, fiquei pensando bastante sobre isso. E continuo pensando...

Ser elogiado é muito legal; faz bem para o ego. Quem não gosta?

Ser elogiado é o reconhecimento de um processo que, muitas vezes, não foi fácil. Por isso, atualmente, aquele que é sensível o bastante para reconhecer algo bom no outro, realmente, merece o meu sincero elogio.

Mas o meu objetivo hoje não é falar sobre elogios sinceros e muito menos sobre os falsos, que, inclusive, são muito comuns. Quero falar sobre um tipo de elogio que também é bastante rotineiro - aquele seguido ou antecipado por críticas.

Diferencio esses elogios dos falsos, pois os considero muito sinceros. Mas fico pensando no real propósito deles: reverenciar ou magoar?

- “Você dança bem, apesar de ser gorda”.

Sem resposta! Sorriso Amarelo, mágoa e pena da pessoa.

- “É a sua filha? Não a reconheci. Ela sempre foi gorda.”

Sem resposta! Sorriso Amarelo, mágoa e pena da pessoa.

Reformulando:

- “Você dança bem!”.

- “É a sua filha? Que bonita!

Essas novas frases não fazem a menor diferença para o emissor, mas para o receptor o sentido é completamente diferente. Aí, me pergunto: “por que a crítica?”.

Porque é muito mais fácil criticar do que elogiar. Somos críticos com nós mesmos e duvidamos que os outros sejam capazes de fazer coisas extraordinárias. Sim; somos egoístas e invejosos.

Exemplos e situações são o que não faltam.

Como disse, meu objetivo aqui não é falar exclusivamente sobre preconceitos com gordos (isso daria outro texto), mas sim sobre elogios. Mas como já comecei dando exemplos de situações que pessoas que estão acima do peso passam com frequência, continuarei nessa linha.

Não importa o quanto um gordo se esforce (e até emagreça), ele sempre será "gordo", no sentido pejorativo da palavra!

Ele sempre causará espanto nas pessoas quando praticar uma atividade física bem ou melhor do que um magro. E ele sempre será fiscalizado por todos.

Normalmente, os elogios seguidos de críticas vêm dos supersinceros; as famosas pessoas sem filtros e que adoram fazer uma "brincadeirinha" sem graça, achando que não irá magoar, afinal, é só uma brincadeira, não é?

Aí, fico me perguntando... “até que ponto uma criança ou um idoso, por exemplo, não sabe quando está magoando uma pessoa?”.

- “Ué, mas se está gorda mesmo, qual o problema em falar?”.

Me refiro a crianças e idosos aqui, porque acredito que os adultos supersinceros tenham consciência do que estão fazendo e falando.

Não defendo nenhum tipo de comodismo. Muito pelo contrário; defendo os hábitos saudáveis. Por outro lado, não consigo aceitar que pessoas sem noção, ou maldosas mesmo (por que não?) alfinetem as outras em nome da verdade absoluta. Para que? Só para magoar? Ou para ganhar o título de chato?

Falar é fácil, julgar também. Difícil, ou melhor, desafiador, é identificar as barreiras físicas e psicológicas que nos separam de uma vida em equilíbrio com nós mesmos.

Em 2016, pense! Pense o que quiser! Mas reflita antes de elogiar ou magoar uma pessoa!

Feliz Ano Novo!


Leila Bonfietti Lima

Jornalista por curiosidade desde que nasceu e por formação desde 2006. Mestre em divulgação científica e cultural. Ama dançar, conversar e desenterrar fatos antigos. Não enxerga nada sem óculos e sorri para as pessoas na rua..
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