reforma íntima

Autotransformação com leveza e esperança

Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência.

Como Rita Lee, chego aos 50 mais feliz e sem referências

Eu sei que no imaginário popular uma mulher de 50 anos é quase uma idosa, está vários quilos acima do peso, tem dor na coluna, sofre com calores, insônia e talvez depressão, as pernas têm varizes e o olhar já perdeu aquele brilho de quem espera muito da vida. Mas o que eu vejo no espelho é tão diferente de tudo isso que não me canso de citar Rita Lee que, num momento inspirado, viu-se como parte da primeira geração de mulheres que chega aos 50 sem referências. Afinal, nossas mães e avós não nos servem mais de parâmetro.


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Eu sei que no imaginário popular uma mulher de 50 anos é quase uma idosa, está vários quilos acima do peso, tem dor na coluna, sofre com calores, insônia e talvez depressão, as pernas têm varizes e o olhar já perdeu aquele brilho de quem espera muito da vida. Mas o que eu vejo no espelho é tão diferente de tudo isso que não me canso de citar Rita Lee que, num momento inspirado, viu-se como parte da primeira geração de mulheres que chega aos 50 sem referências. Afinal, nossas mães e avós não nos servem mais de parâmetro.

Gosto de ver a passagem do tempo por três porta-retratos que tenho num móvel da sala. Em cada um deles, uma foto minha nos aniversários de 30, 40 e 50 anos. Ah, como esses retratos falam de mim.... Ou será que sou eu que me recordo exatamente de quem eu era em cada uma dessas idades? O que sei é que a foto de que mais gosto, a que me acho mais bonita, mais segura e feliz é a última.

Sabe quando de repente tudo na sua vida começa a fazer sentido? Você se recorda dos momentos mais difíceis e vê que as decisões que tomou - e depois se arrependeu amargamente - eram, na verdade, as corretas. Os ciclos vão tomando forma e você vai vislumbrando que a vida é um caminho que só começa a ficar mais iluminado após cinco décadas de andanças. Aos 50 anos, eu finalmente aprendi que, no amor, mais vale escolher que ser escolhida. Tornei-me melhor observadora e descarto sem dramas o que não me interessa, o que não vai acrescentar. Não tenho mais tempo nem paciência para o que não combina comigo, pois já me conheço o suficiente e sei o que pode ou não dar certo. Se estou fechada? Só para a superficialidade das relações, para as carências de que não quero participar.

O desapego começa a fazer parte de minhas escolhas de forma sistemática e consciente, e passei a dar mais valor às experiências que aos bens materiais. Acho que a maior proximidade da morte me deu outra dimensão das verdadeiras urgências na vida. Então, de repente, a ansiedade foi se desfazendo e trazendo mais calma e paz ao meu dia a dia. O desapego nos dá asas.

O medo do futuro também está diminuindo. Se me deparo com um dilema, uma situação complicada, recorro ao meu arquivo de lembranças e logo vejo que já enfrentei momentos em que tudo parecia insolúvel, mas que com o tempo foram se resolvendo. O desejo de controlar os acontecimentos para que nada dê errado hoje é apena uma miragem. Começo a ansiar pela mudança, pois me sinto curiosa para o que o futuro me reserva e preparada para ele. Não tenho mais tempo a perder com a eternidade das rotinas que eu penso controlar. E quando você chega nesse ponto da vida com saúde, vitalidade, energia e muita vontade de aprender e contribuir para um mundo melhor, a frase da Rita Lee faz todo o sentido. Você não só está na melhor fase da sua vida, como é a primeira geração a experimentar isso.


Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência..
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