reforma íntima

Autotransformação com leveza e esperança

Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência.

Qual o preço da aparência?

Tem gente que não mede esforços para apenas "aparentar" e é sobre os limites e abrangência desse movimento que trata o filme Amor por Contrato (The Joneses, 2010). Até onde se vai para aparentar riqueza e ser aceito e invejado em um grupo? Até que ponto a indústria do consumo é capaz de influenciar um padrão de vida insustentável?


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No tempo de nossos avós, SER alguém importante - como um professor catedrático, um doutor renomado, um bom pai de família - era o objetivo de todo aquele que buscava sobressair-se em sociedade. Anos mais tarde, a influência dos meios de comunicação e da propaganda transformaram as aspirações sociais, de forma que TER (bens de consumo) passou a ser mais importante do que SER. Hoje em dia, é inegável que PARECER TER e PARECER SER bastam para que as pessoas sintam-se destacadas em seu meio social.

Tem gente que não mede esforços para apenas "aparentar" e é sobre os limites e abrangência desse movimento que trata o filme Amor por Contrato (The Joneses, 2010). Até onde se vai para aparentar riqueza e ser aceito e invejado em um grupo? Até que ponto a indústria do consumo é capaz de influenciar um padrão de vida insustentável?

O filme do diretor alemão Derrick Borte começa com a família Jones mudando-se para uma nova residência situada em um bairro de ricaços. O casal Steve (David Duchovny) e Kate Jones (Demi Moore) são pais dos jovens Mick (Ben Hollingsworth) e Jenn Jones (Amber Heard).

A família Jones é o estereótipo da perfeição. Bonitos, elegantes, charmosos, desfilam produtos que rapidamente são desejados por todos os outros casais e alunos do colégio. Circulam em carros de luxo, usam roupas de grife, moram em uma casa decorada com peças caríssimas e utilizam o que há de mais moderno em aparelhos eletrônicos. Aos poucos, vamos descobrindo que o casal é uma fraude. Eles, na verdade, estão ali para vender todos os produtos que seduzem os vizinhos. Mais do que isso, devem vender um estilo de vida. Aos poucos, a influência da família aumenta de forma que todos no bairro passam a se vestir iguais, dar as mesmas festas, comprar os mesmos carros, charutos e bebidas. Todos invejam e querem ser como os Jones.

Até o momento em que um dos vizinhos, afundado em dívidas e ainda tentando aparentar a mesma riqueza do casal, comete suicídio. Somos então levados a questionar dois pontos fundamentais da vida em sociedade. Primeiro, em que medida a vida do outro influencia nossas próprias escolhas? Até que ponto nossas decisões profissionais, sentimentais, financeiras e até de lazer são fruto do que consideramos apropriado porque outros assim o fazem?

Você já se perguntou o quanto preconceitos, opiniões políticas e religiosas, hábitos de vida - como alimentação, atividade física, aparência - e a própria moda são construídos a partir do que você absorve do meio em que vive sem ao menos refletir se são adequados? Que custo todas estas escolhas têm sobre sua vida? O quanto é necessário que você invista em aquisições e relacionamentos para manter um padrão ou estilo de vida inconsciente? A segunda grande reflexão do filme envolve nossa própria influência sobre a vida dos outros. Como uma via de mão-dupla, o que aparentamos também está impactando a vida de quem transita à nossa volta. Se nos consideram bem-sucedidos e felizes ou não, se nossos hábitos são tidos como saudáveis ou não, a todo instante somos observados, analisados e julgados pelas escolhas que fazemos.

Num mundo interconectado e instantâneo, o que fazemos repercute muito além do nosso alcance físico. Não precisamos ser celebridades para sermos copiados. Basta refletirmos algo que seduza - para o bem ou para o mal - para exercermos influência.

Neste sentido, a responsabilidade sobre o que aparentamos ganha relevância. Como no filme, em que o suicídio do vizinho causa uma grande comoção no falso Steve Jones após descobrir que seu estilo de vida podia provocar a ruína de uma pessoa, devemos cuidar do que aparentamos.

No mundo do SER, não existem dúvidas sobre quem é uma pessoa. Todas as evidências estam claras e a aparência corresponde à realidade. Ao trocarmos o SER pelo TER, abdicamos de conhecer uma pessoa por seus valores para a medirmos através dos bens que possui.

Já no mundo das aparências, APARENTAR SER e APARENTAR TER são faces da mesma moeda. Ambas podem refletir apenas ilusões, fantasias, faz-de-conta. E basta isso para que tracemos o nosso destino a partir das escolha alheias.


Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência..
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