reforma íntima

Autotransformação com leveza e esperança

Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência.

Qual o problema de postar felicidade falsa?

Muita gente debate o impacto da super exposição nas mídias sociais. Postar felicidade falsa passou a ser assunto alçado à categoria de psico-socio-antropológico. Claro que o comentário é irônico, mas é porque considero mesmo sem propósito essa discussão acerca do quanto as pessoas querem se mostrar lindas, bem-sucedidas, ricas e com relacionamentos mágicos.


felicidade falsa.jpg

Muita gente debate o impacto da super exposição nas mídias sociais. Postar felicidade falsa passou a ser assunto alçado à categoria de psico-socio-antropológico. Claro que o comentário é irônico, mas é porque considero mesmo sem propósito essa discussão acerca do quanto as pessoas querem se mostrar lindas, bem-sucedidas, ricas e com relacionamentos mágicos.

Sou do tempo do álbum de fotografias e da revista de fofoca de celebridades. Tirávamos fotos em casa, nas férias, nas visitas aos parentes, no Natal. E depois colávamos as melhores num álbum e mostrávamos até cansar. Até hoje eu resgato álbuns antigos pra reviver aqueles momentos eternamente bons. Sim! Os momentos registrados eram sempre felizes. Se alguém estava triste ou passando por alguma dificuldade naquele momento, não se lembra, com certeza. Não está registrado na foto.

Porque foto é, em geral, para eternizar um bom momento, um encontro, uma brincadeira, um amor, um por do sol, um lugar novo. Tirando as fotos artísticas e jornalísticas, não é pra isso que ela existe? Como a fotografia se popularizou? Não foi com fotos de família? Se todos ali se davam bem ou não, é outro departamento.

Muitos também criticam as exageradas declarações de amor nas redes sociais. É um tal de ter que mostrar que ali está o casal mais feliz do mundo, não é mesmo? Ai como isso incomoda os críticos da super exposição! Eu sou do tempo em que as declarações de amor eram feitas em papel de carta, mas havia também quem fizesse serenata na calçada e até pintura no muro do vizinho. Todos ficavam sabendo, pois o objetivo era esse mesmo. Quem ama quer mostrar que ama. Sei lá por que, mas muitas pessoas são assim, ora. Há outras que preferem discrição. Qual o problema?

Você pode até não gostar muito de revista de fofocas, mas aposto que não resiste a ler uma na sala de espera. Pois é, desde que fui alfabetizada as revistas de celebridades existem e eu as leio de tempos em tempos. Mas tem gente que faz assinatura semanal e não perde um passo dos seus atores preferidos. Aliás, experimente ir a um salão de beleza e não conversar sobre o último capítulo da novela. Impossível! Tirando que seu comentário ou curtida é visto por uma multidão mundo afora, isso não é igualzinho ao Facebook instalado no seu smartphone? Qual a diferença da revista de fofoca pra rede social? E nem por isso estamos preocupados em fazer um tratado psicológico de quem adora Caras e Contigo.

O que quero dizer é que não é porque hoje existem Instagram, Facebook, Twitter e outras dezenas de mídias sociais que nem sei quais são (tem até as que você acompanha uma pessoa dormindo!) que estão todos fingindo felicidade falsa, querendo parecer quem não são, mostrando relacionamentos mentirosos e todo tipo de aparência. Muitos estão! Outros não. Como vamos saber? Aliás, por que isso te interessaria?

Desde que o mundo é mundo as pessoas fingem, querem parecer e aparecer. Seja num álbum de fotografias, seja na serenata de amor que acordava os vizinhos, todos gostam de mostrar seus melhores momentos. Estão fingindo? De novo, alguns sim, outros não. O que ninguém em sã consciência quer é ficar mostrando seu lado negro, seu relacionamento fracassado, suas brigas em família, seu problema com o chefe, seu medo de perder o emprego, suas dívidas bancárias, seu mau humor, sua preguiça de fazer exercício, seu cansaço com as crianças e tudo, absolutamente tudo de difícil e não tão bonito que vivemos todos os dias.

E será que você estaria interessado em ver tudo isso publicado? Creio que não, a menos que você tenha uma inveja gigantesca e adore ver a desgraça alheia. Como sei que adoramos ver festa, viagem boa, comida apetitosa, casal amoroso, família harmoniosa, trabalhos brilhantes e por aí vai, mantemos o hábito do velho álbum de fotografias tão caprichosamente coladas, como se contassem a história bem humorada da nossa vida, com pequenas legendas engraçadas, que mostramos a todos os nossos amigos e familiares. Só que na internet.

Continuamos compartilhando fofocas, fazendo comentários sobre política, religião e futebol, discutindo o último capítulo da novela, dando opinião sobre tudo e sobre todos. Só que para quem nunca vimos, ao invés de apenas com os amigos e parentes. A única grande diferença nos relacionamentos advinda da rede social, na minha opinião, é que agora podemos xingar, odiar e caluniar quem nem mesmo conhecemos sem nenhum tipo de constrangimento. Isso sim, é muito mais importante discutir do que o quanto fingimos felicidade falsa na internet. Porque querer mostrar o seu melhor é normal e sempre existiu, mas mostrar o seu pior, isso sim é digno de ser estudado.


Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Ana Cristina Sampaio