reforma íntima

Autotransformação com leveza e esperança

Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência.

Você sabe como fazer um elogio?

Elogios frequentemente emitem um julgamento, mesmo que positivo. Para Marshall Rosenberg, autor de Comunicação Não Violenta, essa não é a forma correta de expressar apreciação por alguém. Frases como "Você fez um ótimo trabalho!", "Foi muito gentil de sua parte me oferecer carona" ou "Você é muito inteligente" não são as melhores maneiras de externarmos um elogio. Como assim? O artigo explica por que.


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"Você fez um ótimo trabalho!". "Foi muito gentil de sua parte me oferecer carona". "Você é muito inteligente". Quem não gosta de receber elogios? Em tempos tão individualistas e competitivos, elogio é artigo raro. As pessoas preferem criticar a oferecer seu reconhecimento a alguém.

Mas será que os exemplos acima são bons elogios? Segundo Marshall Rosenberg, autor do best seller Comunicação Não Violenta, as frases em forma de julgamento, sejam elas positivas ou negativas, não são as que melhor expressam a opinião que se tem de uma pessoa. Ele chama de "comunicação alienante da vida" aquela baseada em julgamentos, como é o caso das três frases citadas.

Vejamos por que. Para Marshall, ao usarmos o julgamento para fazer um elogio ou reconhecimento, estamos inconsciente ou conscientemente usando a manipulação das emoções daquela pessoa. Mesmo um elogio sincero tem por base uma troca, nem que seja de afeto ou agradecimento. No ambiente de trabalho, o elogio ajuda a reforçar a produtividade. Na escola, estudos comprovam que o elogio estimula o aluno a estudar mais. Uma mãe, quando elogia o comportamento do filho, quer, no fundo, reforçar aquela atitude. Ou seja, o elogio que julga um comportamento tem sempre uma intenção por detrás.

O que Marshall observa é que a verdadeira apreciação por alguém não vem do elogio que emite um julgamento, como "Você é bonita" ou "Seu trabalho está excelente". Para ele, o elogio que verdadeiramente expressa o quão satisfeitos ficamos com a atitude de uma pessoa deve conter três componentes: 1 - o que a pessoa fez para meu bem-estar; 2 - que necessidades específicas foram atendidas; e 3 - quais foram os sentimentos agradáveis gerados pelo atendimento dessas necessidades. Tudo isso pode estar dito num simples "obrigado", apenas num sorriso, mas é utilizando as palavras baseadas na comunicação não violenta que podemos demonstrar nossa melhor apreciação. Vamos explicar melhor. Observem este diálogo:

- Você é brilhante!

- O que você quer dizer com isso?

- Que eu te acho muito inteligente.

- Mas o que eu fiz ou disse para receber esse elogio?

- Durante nossa conversa você falou sobre estas duas ideias que anotei aqui. Elas me fizeram refletir e solucionar uma questão com meu filho.

- E como você se sente em relação a essas duas coisas que te falei?

- Esperançosa e aliviada.

- E que necessidades suas foram atendidas quando falei sobre essas duas coisas?

- Não tenho conseguido me comunicar com meu filho. Tenho procurado desesperadamente por orientação e essas duas ideias que você apresentou me deram a solução que eu estava procurando.

Marshall usa um diálogo parecido com esse para mostrar a diferença entre o elogio por meio das técnicas da comunicação não violenta e aquele que se faz usando um simples julgamento. Muitas pessoas têm grande dificuldade e desconforto em receber apreciação. Isso porque, em nossa cultura, somos ensinados a ser humildes e a trabalhar para merecer algo. Desta forma, o intercâmbio de apreciação fica prejudicado, seja porque ficamos nervosos por não nos acharmos merecedores do elogio, seja porque ficamos envergonhados ou embaraçados com o reconhecimento.

Por outro lado, receber apreciação em forma de julgamento pode nos levar a duas posições opostas: ou nos sentimos superiores porque fomos apreciados ou caímos na falsa humildade. De toda forma, cumprimentos convencionais frequentemente tomam a forma de julgamentos, mesmo que positivos, e não raro são feitos com a intenção de manipular a reação da outra pessoa.

Por isso, ao apresentar uma técnica de elogio que qualifica a ação da pessoa a quem queremos externar nosso agradecimento, estamos simplesmente celebrando o bem que nos foi feito. Quando recebemos elogios expressos dessa forma, podemos aceitá-los sem nenhum sentimento de superioridade ou falsa humildade, congratulando-nos com a pessoa que nos oferece sua apreciação.

Repetindo: um elogio que verdadeiramente expressa nossa apreciação contém: a ação que contribuiu para nosso bem-estar, a necessidade específica que foi atendida e o sentimento de prazer que foi gerado em consequência disso. Com esses três ingredientes, estamos prontos para externarmos nosso apreço e gratidão sem medo de falsas interpretações e transformando verdadeiramente quem os merece receber.


Ana Cristina Sampaio

A educação dos sentimentos é a maior transformação que podemos almejar. O esforço pessoal nesta jornada é menos penoso se nos cercamos de boas leituras e amizades. Compartilho com vocês minhas reflexões para juntos plantarmos consciência..
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