renato collyer

Um amante da Filosofia, que se aventura na incessante busca pelo (verdadeiro) motivo das coisas.

Renato Collyer

Um amante da Filosofia e da arte do pensar que se aventura na incessante busca pelo (verdadeiro) motivo das coisas. Graduado em Ciências Sociais, História e Direito. Mestrando em Direito. Pós-Graduado em Política, Direito Público, Direito Ambiental e Educação Ambiental. Apaixonado por Jazz, Rock e quadrinhos. Contato: [email protected]

Viva o hoje: a ineficiência da preocupação na filosofia de Séneca

Segundo o dicionário, preocupação é uma opinião antecipada, ou a primeira impressão que uma coisa fez no ânimo de alguém. Ainda pode representar uma ideia fixa e antecipada que perturba o espírito a ponto de produzir sofrimento moral. E quais os efeitos positivos da preocupação? Como a Filosofia de Séneca, um dos filósofos mais influentes de seu tempo, pode lhe ajudar a focar no presente e se preocupar menos com o futuro? O presente artigo analisa a visão do filósofo romano a respeito da ineficiência da preocupação excessiva.


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Você sabe a diferença entre preocupação e problema? Consegue distinguir se o que lhe está incomodando é uma preocupação ou um problema que precisa ser resolvido? Lucius Annaeus Séneca, mais conhecido apenas como Séneca, foi um dos filósofos mais influentes de sua época. Quando jovem, mudou-se para Roma, onde passou a maior parte de sua vida. Influenciou a política local como importante senador. Mesmo fazendo parte da elite romana, Séneca era um homem melancólico e depressivo, possuía uma saúde frágil e viveu numa época bastante conturbada politicamente, recheada de líderes tirânicos e totalmente imprevisíveis.

“Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida” (Séneca)

A filosofia prática de Séneca é sedutora ainda nos dias atuais, pois apesar da sociedade ter evoluído tecnologicamente, com novas descobertas e novos saberes, no que diz respeito às nossas emoções ainda somos humanos e ainda continuaremos a ter sentimentos e dilemas humanos. Nossa habilidade de fazer uso das novas tecnologias não anda ao mesmo passo que nossa habilidade de compreendermos nossas próprias emoções e sabermos lidar com elas.

Séneca é uma dessas figuras conhecidas no meio acadêmico, porém pouco conhecido no meio secular. Apesar disso, vemos muito de seus pensamentos, ainda que diluídos, serem compartilhados em frases de motivação e auto ajuda. Ainda que eu goste da ideia de auto ajuda (lembremos que o próprio Sócrates, provavelmente, escreveu no pátio do Templo de Apolo em Delfos a máxima “conhece-te a ti mesmo”), a filosofia de Séneca vai além disso.

Claro que é necessário conhecer a si mesmo (suas limitações e potenciais), porém mais importante que isso, é necessário entender algo simples, porém muito salutar: não temos o controle de tudo que acontece conosco, ou seja, não estamos no controle de todas as situações. Embora essa ilusão de que temos o manche em nossas mãos e que possuímos o poder de mudar a direção de nossas vidas quando quisermos pareça sedutora e muito comprável em nossos dias, isso não é totalmente verdade.

É parte verdade. Explico. Ainda que determinadas atitudes que tomamos façam grande diferença em nossas vidas (como pessoas que nos aproximamos, faculdade que escolhemos, vagas de empregos que decidimos ou não concorrer), para alcançar o equilíbrio que o estoicismo declara é preciso entender que a vida é feita das escolhas que fazemos. Quando escolhemos algo, inevitavelmente deixamos de escolher outra coisa. Isso parece lógico e simples, como, de fato, é!

Todas essas escolhas geram uma cadeia de acontecimentos que estão fora de nosso controle. E quanto mais cedo entendemos isso, mas rápido chegamos ao estado de “ataraxia” (completa ausência de perturbações ou inquietações da mente). Séneca explica que o que nos causa impaciência é pensarmos que as coisas devem ser exatamente como queremos, como se fôssemos capazes de moldar o mundo que nos cerca de acordo com nossa vontade.

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É preciso aceitar o fato de que não temos o controle sobre todas as coisas. É como se estivéssemos, segundo o filósofo, presos a cadeias de acontecimentos, como cachorros presos a uma carroça em constante movimento. A correia é longa o bastante para nos dar certa liberdade, mas não a ponto de irmos para onde bem quisermos ou alterar o rumo da carroça. Passado algum tempo, o cachorro percebe que para ser feliz ele terá que, em determinadas situações, aceitar o movimento da carroça e seguir seu rumo, pois se debater durante todo o percurso só lhe trará desconforto, tristeza e raiva, por não conseguir mudar a situação de acordo com suas vontades.

Mas, diferentes de um cachorro, possuímos a racionalidade suficiente para perceber o que podemos ou não mudar em nossas vidas. Talvez não sejamos capazes de alterar o rumo das coisas, mas somos plenamente capazes de alterar nossa atitude em relação aos acontecimentos. A filosofia de Séneca nos dá uma orientação, um norte para ficarmos tranquilos mesmo em situações adversas.

“O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais que o necessário” (Séneca)

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Respondendo à indagação inicial que fiz a você, preocupar-se é se ocupar com antecedência. Segundo o dicionário, preocupação é uma opinião antecipada, ou a primeira impressão que uma coisa fez no ânimo de alguém. Ainda pode representar uma ideia fixa e antecipada que perturba o espírito a ponto de produzir sofrimento moral. E quais os efeitos positivos da preocupação? Na verdade, nenhum!

Problemas precisam ser resolvidos e, geralmente, com urgência. Já as preocupações nos tiram a paz. Uma pessoa preocupada é alguém que vive no futuro. Seus pensamentos não estão focados no presente, nem tampouco sua visão está no agora. Simplesmente não sabem viver ou mesmo aproveitar o presente. Nas palavras de Séneca, “dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente”.

Assim, entenda que é normal se preocupar com o futuro, pois quanto mais cedo você começar a planejá-lo, maiores serão suas chances de alcançar sucesso. Viver no futuro, entretanto, e se preocupar em excesso, é tão eficiente quanto tentar limpar uma xícara do café que ainda nem foi servido a você: o esforço e o tempo desperdiçados serão em vão e só trarão desgaste físico e emocional. Ao invés de pré ocupar sua mente, tenha metas e planeje. Quem age de tal forma evita um desgaste desnecessário. Ainda que venham as adversidades, com planejamento e organização conseguiremos enxergar melhor as soluções que se apresentarão à nossa frente.


Renato Collyer

Um amante da Filosofia e da arte do pensar que se aventura na incessante busca pelo (verdadeiro) motivo das coisas. Graduado em Ciências Sociais, História e Direito. Mestrando em Direito. Pós-Graduado em Política, Direito Público, Direito Ambiental e Educação Ambiental. Apaixonado por Jazz, Rock e quadrinhos. Contato: [email protected].
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