renato collyer

Um amante da Filosofia, que se aventura na incessante busca pelo (verdadeiro) motivo das coisas.

Renato Collyer

Professor nas áreas de Legislação, Logística e Sociologia. Graduado em Ciências Sociais e Direito. Apaixonado por Jazz, Rock e quadrinhos. Contato: [email protected]

Cinco passos para ter sucesso sendo você mesmo (e não outra pessoa)

De nada adianta cursos de aperfeiçoamento que durem todo o final de semana, palestras, livros ou mesmo um curso superior ou pós-graduação se você não usar o que você tem de melhor: você mesmo! Você é o seu melhor material, seu principal produto. Seja sincero e responda a você mesmo: como estou vendendo este produto para as demais pessoas? Estou me espelhando nos resultados dos outros? Estou usando meu potencial e gastando meu tempo procurando o melhor de mim ou estou perdendo tempo sendo alguém que não sou?


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Primeiro passo: Se a grama do vizinho parece ser mais verde, evite-a (Talvez ela seja mais verde justamente porque você passa mais tempo olhando para ela do que cuidando da sua)

Na maioria das vezes em que desviamos o olhar para as conquistas dos outros, ou deixamos de analisar o quanto essa pessoa lutou para ter o que tem ou não notamos que tudo não passa de mera aparência. Talvez a pessoa em quem você tanto se espelha faça exatamente a mesma coisa com você. Isso acontece quando deixamos de fazer uma viagem interior para analisar e relembrar das coisas que tanto almejávamos no passado e possuímos hoje, quando esquecemos quem éramos há cinco ou dez anos atrás e quem somos hoje, o que conquistamos, o que plantamos e o que estamos colhendo. Relembrar de onde viemos, relembrar nossa trajetória é importante para darmos valor às coisas que possuímos hoje, mesmo que sejam poucas. Valorize suas conquistas, pois elas são o reflexo de sua jornada.

Quando olhamos em demasia para as conquistas alheias deixamos de dar atenção às nossas. Nossa mente é super criativa, capaz de imaginar coisas que sequer existem. Vamos fazer um teste? Não pense em um elefante rosa no meio da sala. Faça o que for preciso para não pensar em um elefante rosa no meio da sala. Percebeu? Se sua mente é capaz de imaginar um elefante com um cor totalmente incomum, use-a para imaginar seu sucesso! Comece a pensar que seus negócios darão certos, que seu dia será maravilhoso e produtivo, que suas relações serão saudáveis, que você terá sucesso. Tire o foco de sua atenção da vida dos outros e concentre-se em turbinar a sua!

Segundo passo: Seja realista e trabalhe com o que você tem

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De nada adianta cursos de aperfeiçoamento que durem todo o final de semana, palestras, livros ou mesmo um curso superior ou pós-graduação se você não usar o que você tem de melhor: você mesmo. Você é o seu melhor material, seu principal produto. Seja sincero e responda a você mesmo: como estou vendendo este produto para as demais pessoas? Estou me espelhando nos resultados dos outros? Estou usando meu potencial e gastando meu tempo procurando o melhor de mim ou estou perdendo tempo sendo alguém que não sou?

Vamos falar um pouco sobre carisma? Carisma é a capacidade de influenciar pessoas sendo quem você é. Não adianta impostar a voz, mudar o seu jeito de andar ou se vestir se isso lhe incomoda, se isso não soa sincero, pois, assim como você, as pessoas vão notar um desconforto, pois estarão diante de alguém que não aceita a si próprio. O primeiro passo para usar o carisma é conhecer a si. Somente conhecendo você mesmo será possível influenciar pessoas sendo você mesmo, pois haverá verdade em suas palavras e atitudes.

Para o filósofo e psicólogo alemão Frank Naumann (1956 – ), simpatia é mais importante que conhecimento. Não é de espantar que a posição especial de chefes e especialistas renda tantas piadas: um bom especialista é alguém que sabe muita coisa sobre pouca coisas. Dessa maneira, o melhor especialista é aquele que não sabe nada sobre tudo. Sobre o relacionamento entre chefe e funcionários: chefe é alguém que transforma catástrofes claras em orientações obscuras. O funcionário é alguém que transforma orientações obscuras em catástrofes claras. Por isso, o chefe volta a partir dessas catástrofes claras para dar novas orientações obscuras... Um círculo vicioso.

Isso quer dizer que a simpatia e a autoridade não são compatíveis? Em 2005, o Emnid, um instituto de pesquisa de opinião da Alemanha, iniciou uma pesquisa abrangente entre empregados. O resultado foi que pelo menos metade dos empregados alemães gosta de seus chefes. Nesse resultado, 49% dos homens e até 63% das mulheres consideram o chefe como modelo. O mesmo percentual tanto o consideram justo quanto motivador. “Ele me tira a vontade de trabalhar”, é o que dizem apenas 16% das mulheres e 18% dos homens. E o fato de o chefe ser homem ou mulher quase não tem mais importância. Em um estudo da professora Sonja Bischoff, da Universidade de Hamburgo, dois terços dos homens entrevistados se davam tão bem com chefes homens quanto com chefes mulheres. Apenas 19% consideravam ser pior o trabalho com chefes mulheres. No caso das mulheres, esse percentual foi maior: 25% das empregadas avaliaram seus chefes negativamente.

Os números mostram que muitos chefes desfrutam de simpatia. Pessoas altamente qualificadas são, em geral, muito bem vistas. Os médicos, como categoria profissional, desfrutam de muita confiança, apesar de todas as notícias sobre erros médicos, prestações de contas fraudulentas e falta de higiene em algumas clínicas. Mas quando ficamos doentes e precisamos de um médico, a coisa muda de figura. Raramente o futuro paciente escolhe o primeiro da lista do convênio ou de uma pesquisa na internet. Segundo uma pesquisa de 2004, da Fundação Bertelsmann, na hora de escolher o médico, 78% dos pacientes seguia a indicação de outro paciente, ou seja, valia a propaganda boca a boca; 66% observavam o comportamento do doutor com outros pacientes na mesma situação que a sua. Simpatia abre portas, elimina conflitos e evita que coisas tolas atrapalhem o seu caminho.

Terceiro passo: Esteja ou crie um ambiente em que suas qualidades (ainda que sejam poucas) sejam ressaltadas

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Particularmente, prefiro um churrasco a festas e baladas. No primeiro caso, posso conversar com as pessoas, olhá-las nos olhos, conhece-las e demonstrar toda minha atenção. Posso rir de coisas bobas, contar alguma história engraçada e dividir experiências. Algo que dificilmente aconteceria num ambiente de música alto e pouca sobriedade por parte das pessoas. Como sei que o segundo ambiente não é favorável a mim, evito-o. Como gosto de conversar, dividir experiências e compartilhar o conhecimento, a sala de aula é meu habitat natural. Sinto-me bem numa sala cheia. Na verdade, quanto mais, melhor, seja uma palestra ou aula corriqueira. Eu costumo brincar que é mais fácil convencer a multidão. Já tentaram dar aula para cinco pessoas e lançar uma piada para quebrar o gelo? É um martírio! Por isso me cerco de um ambiente favorável a ressaltar minhas qualidades, pouco aproveitáveis numa balada, por exemplo, que o visual conta muito mais que uma boa conversa.

Infelizmente muitas pessoas se encontram num ambiente inóspito sem nem mesmo se dar conta disso. Cercam-se de pessoas tóxicas ou equipes de trabalho que sufocam sua criatividade. Procure mudar para ambiente onde suas qualidades possam ser ressaltadas. Uma dica valiosa: seja você mesmo, pois, afinal, todo mundo está ocupado demais sendo o que não é.

Quarto passo: Você não é obrigado a sempre encarar a vida de modo positivo, mas não seja o "chato" da galera

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Nas últimas décadas, as livrarias têm sido invadidas por obras de auto ajuda que ensinam as pessoas a enxergar a vida sempre sob o prisma da positividade. Eu discordo. A vida é feita de altos e baixos, de dias bons e maus. Se assim não fosse, os dias bons não seriam bons, pois um dia só é bom se comparado ao mal dia.

Como bem disse Nietzsche (1844-1900), “o destino dos seres humanos é feito de momentos felizes e não de épocas felizes”. Após uma semana de céu nublado, um dia de sol nos parece um milagre da Criação. Do mesmo modo, a alegria aparenta ser mais intensa quando atravessamos um período de tristeza. Os dois sentimentos se complementam, pois, da mesma forma que a melancolia não é eterna, não poderíamos suportar 100 anos de felicidade.

Imaginar que temos obrigação de ser felizes o tempo todo e em todo lugar é um grande fator de estresse na sociedade moderna. A negação da tristeza dispara o consumo de antidepressivos e a busca de psicoterapias e nos leva a adquirir coisas de que não precisamos. Não exibir um sorriso permanente parece ser motivo de vergonha. Contra essa perspectiva falsa e infantil, Nietzsche nos lembra que a felicidade vem em lampejos e que tentar fazer com que ela dure para sempre é aniquilar esses lampejos que nos ajudam a seguir em frente no longo e tortuoso caminho da vida.

Quinto passo: Aceite que você não é "a última bolacha do pacote" e nem tente ser... todo mundo já faz isso, mas confie em você mesmo

Não podemos confundir confiança com arrogância. A primeira é importante e aproxima as pessoas. Já a segunda, nos transforma num verdadeiro repelente humano. Você, provavelmente, já deve ter conhecido alguém que parecia estar vivendo como se estivesse “morando de favor” na própria vida. Alguém que parecia estar com medo de incomodar, de não agradar, como se precisasse pedir licença e permissão para viver a própria vida, realizar seus sonhos, viver o amor, ser ele mesmo? Às vezes, um sentimento de inadequação toma conta das pessoas, como se elas não se sentissem confortáveis, nem à vontade na própria pele, nem satisfeitas com a própria existência. Como se elas se sentissem cada vez mais aprisionadas na própria autocrítica, insegurança, autodesvalorização e angústia de não conseguir expressar verdadeiramente a sua essência, os seus talentos e o seu propósito.

O medo de sofrer humilhação faz muitas pessoas recuarem, evitarem desafios e se esconderem das oportunidades, fugirem de um grande amor e se distanciarem da própria natureza, da unicidade, da beleza, do encontro consigo mesmas e com o próprio brilho.

Quando são internamente trabalhados e removidos as interferências, os impedimentos, as limitações, as convicções destrutivas, começa a emergir e a se delinear uma confiança inabalável, na vida e em si mesmo. A “casca” das nossas limitações se rompe e o poder interior se manifesta e desabrocha em toda a sua magnitude. Ao limpar condicionamentos, medos e emoções negativas, abrimos espaço para cultivar outras coisas, como as qualidades e competências pessoais. Como diz um ditado japonês: “Se você quer beber vinho, primeiro tem que jogar fora o chá do seu copo”.

A confiança inabalável não é uma arrogância ou soberba. Ao contrário, é humildade e amor em relação a si mesmo e à vida. Não é autoafirmação excessiva que se manifesta como controle e dominação, mas um estado interno de certeza que se exprime na simplicidade da vida normal, nas ações cotidianas, natural e espontaneamente. O pessoa que nutre confiança inabalável não teme a dúvida, mas a usa para se questionar, para se fortalecer e amadurecer mais. Encara dúvidas e questionamentos e não faz de conta que não existem, nem se coloca na posição de quem sabe todas as respostas. Usa as dúvidas como oportunidades para aprender, transformar-se e ampliar sua opinião.

Para alcançar a confiança inabalável não se deve temer o erro. Ele deve ser utilizado como informação para reorganizar a rota, para aportar as mudanças necessárias. A pessoa cuja confiança é inabalável entende o erro como algo que está mostrando a verdade da situação: alguma coisa não está dando certo e, então, é preciso verificar outra direção ou fazer ajustes.


Renato Collyer

Professor nas áreas de Legislação, Logística e Sociologia. Graduado em Ciências Sociais e Direito. Apaixonado por Jazz, Rock e quadrinhos. Contato: [email protected]
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