reticências de um divã

Alusões ao mundo que existe dentro de cada peito

Hilane Tawil

Entre a vida que desabrocha no papel e a ponta da caneta, estão o teclado e a tela. No meio deles, uma jornalista que conta histórias pra conter o inconformismo de uma alma que insiste em voar pra longe

Frankly, my dear...

Na rotina e no cansaço, romances hollywoodianos não funcionam. Deve ser por isso que um amor quebrado não dura um filme inteiro. Da ficção pra vida real, só restará uma frase no fim das contas: "Frankly, my dear, I don't give a damn". Lá estará ela te dizendo que o amor morreu.


De primeira, o seu coração disparou, mas não o dele. Da segunda vez, o contrário. E sendo assim o amor não brotou. Todos falando que ele era encrenca e você se vendo compelida a defendê-lo, afinal, ele era para você o que queria ser e você sendo dele, foi mais feliz. E lá está você de novo. Não vou saber como tudo aconteceu, como que por acaso, não deu para entender. Ou prever.

Ele se foi, te arrancando sorrisos, sobriedade e lágrimas. Ela amou muito e amará, ela e eu e você também. Porque todos nós sempre achamos que podemos ser muito especiais na vida de alguém. A gente se afunda e se esburaca só para cantar as dores de amor por entre as noites imundas em que todos se conhecem, se amam e se largam quase que instantaneamente.

Torcendo o pé nos buracos que o nosso salto alto e porres intermináveis nos permitirem enfrentar, catam-se os cacos que restaram do coração já surrado, para que outro amor venha e remende o que antes era tristeza. Se encontra enquanto é tempo, que o tempo já já morre e também nos mutila. De dores, desprazeres, cicatrizes.

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Todos nascemos com a boca aberta, gritando de dor só de sentir o ar tocando os pulmões. A gente aguenta ser esmagado, torturado, quebrado. Depois a gente (re) nasce. E se continua andando por aí. Há de passar, toda a dor e o sofrimento que te afligem e que parecem sem fim.

Toda a sua felicidade foi sugada pelos atos impensados daquele que hoje te faz perder o juízo e o sono, mas a alegria, meu bem, essa sim vem de dentro. Daqui a cinco dias ou alguns meses, ela vai bater na sua porta de novo porque não somos mais crianças para tratarmos os fatos como tragédias shakespearianas.

Então vai sofrer em paz, colocar para fora toda dor que te corta. Vai sofrer porque há de passar. Há de saber que dói, mas passa. Dilacera, mas não por muito e sim pelo tempo que se faz necessário sangrar o amor que não foi.

Vira as costas, bate logo essa porta na cara do mundo porque daqui a pouquinho tá na hora de você perceber que o caminho é bem maior do que imaginamos. E quando você olhar para trás, verá que tudo não passou de uma última cena qualquer de algum amor inventado de Hollywood.


Hilane Tawil

Entre a vida que desabrocha no papel e a ponta da caneta, estão o teclado e a tela. No meio deles, uma jornalista que conta histórias pra conter o inconformismo de uma alma que insiste em voar pra longe.
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