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amostra gratuita de uma identidade

Luciana Kuchiki Vilar

Observadora atenta do ser humano e do fluxo do comportamento do mundo.
Vive numa eterna descoberta de si mesma e na busca do equilíbrio constante. Questionadora por profissão. Racional e passional. Design de moda é apenas uma das suas facetas, também escreve sobre comportamento, tendências, universo feminino.....Sua identidade está sempre presente no seu blog rgproprio.wordpress.com

O que o nosso espírito do tempo quer dizer?

O design e a cultura de moda são um reflexo do comportamento que a sociedade vive. Mesmo sem querer, o que se consome é resultado de atitudes e de conceitos que imprimem um modo de pensar.


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Vivemos sobrecarregados o tempo todo. Cercados de gadgets por todos os lados. Não há limites. Em uma sociedade que preza pela privacidade, pelo individualismo e pelo respeito ao próximo. Porém, o que vem acontecendo mesmo, é a superexposição no mundo virtual. As pessoas querem mais é se mostrar para quem sabe conseguir os seus 15 minutos de fama, como dizia Andy Warhol.

Zeitgeist! O espírito dos tempos. Um termo alemão que serve para distinguir a atmosfera cultural vivida em um determinado período.

Qual leitura podemos fazer do nosso atual zeitgeist?

O comportamento das pessoas de uma época reflete em todo o resto do que vivemos, como por exemplo: no consumo, no way of life, nos anseios e necessidades, na arte, na arquitetura e no design.

Para o design de moda é uma consequência primordial porque aos escolhermos qualquer roupa fazemos parte, mesmo não querendo, de uma cadeia maior do que podemos imaginar. Sem querer, somos um sistema. Bom ou não é assim que funciona.

Vivemos num paradoxo. De um lado, em qualquer lugar, estamos conectados. Nem olhamos para o lado, mas estamos dentro dos nossos smartphones.

Isolados fisicamente, hiperconectados virtualmente.

Tudo tem que ser rápido. Assim como o fast-food, criou-se também o fast-fashion. Nessa onda de fast, criam-se coleções, minicoleções, coleções cápsula. Não existe só a antiquada ideia de uma coleção de verão e outra de inverno. As grandes grifes fazem mais coleções por ano, para estar sempre atendendo a demanda de algo novo. Fica difícil para um pequeno designer de moda.

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Os grandes conglomerados de marcas de moda dominam o mercado, pois conseguem, semanalmente, trabalhar com novidades. Não trabalham só com moda, trabalham com logística também. A moda está mudando.

Se você olhar para uma vitrine de loja num dia e depois de dois ou três dias passar na frente da mesma loja e o mesmo look ainda estiver lá, você pensa: de novo! Imagina se for para consumir. Numa semana você compra uma peça de roupa, na outra semana já quer ver coisas diferentes do que você comprou, certo? E o passado vai sendo encurtado. Mais roupas são produzidas num curto espaço de tempo, as grandes redes, estão sempre remexendo na sua logística num país tão grande.

O resultado é que como estamos sempre querendo mais em menos tempo, a moda está neste viés. A preocupação com o design não é o mais importante. O consumo não é pelo design, pela originalidade, pelo acabamento. Mas pelo frescor de peças hiperatuais, que a celebridade pop instantânea está usando.

O zeitgeist do nosso tempo quer mais a indústria da moda e menos design original. Mais parecer do que ser verdadeiramente fashion. Sinal dos tempos!

Imagens: Pixabay


Luciana Kuchiki Vilar

Observadora atenta do ser humano e do fluxo do comportamento do mundo. Vive numa eterna descoberta de si mesma e na busca do equilíbrio constante. Questionadora por profissão. Racional e passional. Design de moda é apenas uma das suas facetas, também escreve sobre comportamento, tendências, universo feminino.....Sua identidade está sempre presente no seu blog rgproprio.wordpress.com.
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